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Comércio em Pernambuco comemora alta de 10% nas vendas em junho e já fala em início de recuperação

Pelo segundo mês consecutivo as vendas no varejo pernambucano cresceram, segundo o IBGE. Em todo o País 24 dos 27 estados registraram aumento no movimento do comércio.

Edilson Vieira
Edilson Vieira
Publicado em 12/08/2020 às 23:36
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ALEXANDRE GONDIM/JC IMAGEM
Segmento de material de construção cresceu 30% em junho, segundo pesquisa do IBGE - FOTO: ALEXANDRE GONDIM/JC IMAGEM
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As vendas no varejo pernambucano tiveram alta de 10,3% em junho, em relação a maio. Os dados são da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada nesta quarta-feira (12) pelo IBGE. Em maio, o índice também foi positivo, de 9,9%, em contraste ao mês de abril, quando o comércio em Pernambuco despencou, registrando – 16,6%, maior queda em quase 20 anos, segundo o IBGE. A notícia animou o setor que já vê uma recuperação mais forte do que a esperada para a crise provocada pela pandemia. Esta é a maior alta em comparação a um mês anterior desde o início da série histórica iniciada em janeiro de 2001. Este resultado também é superior à média nacional, que foi de 8% no mesmo período. Dos 27 estados brasileiros, 24 registraram alta no comércio em junho.

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Para o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas do Recife, Cid Lôbo a situação “está melhor do que achávamos que estaria”. Para Cid Lôbo, três fatores influenciaram para que o movimento do comércio em junho fosse acima do esperado: a liberação do auxílio emergencial de R$ 600 por parte do governo; a liberação de parte dos recursos do FGTS para os trabalhadores, no valor de um salário mínimo, e a própria demanda reprimida dos consumidores. “O comércio de rua reabriu aqui na capital dia 15 de junho e os shoppings dia 22. Mesmo sem um mês completo, o movimento teve essa alta que eu considero excelente. Embora, muito abaixo de um mês de junho normal”, afirmou Lôbo que acredita a permanência do crescimento nos próximos meses e num final de ano confiante “embora ainda com defasagem em relação a 2019”, concluiu.

PROJEÇÃO

A gerente de planejamento do IBGE em Pernambuco, Fernanda Estelita, ponderou os números. “O resultado positivo do mês de junho foi possível porque a base de comparação é baixa, já que o recuo em abril foi muito forte”. Fernanda revelou ainda que, com as altas no mês de maio e junho, o índice de vendas no comércio varejista do Estado chegou ao mesmo patamar do mês de março, quando foram implementadas as primeiras medidas de distanciamento social. “Agora, quando se compara o volume de vendas em junho de 2020 com junho de 2019, a queda é de 6,4%”, afirmou. O primeiro semestre foi perdido. Tomando como base os meses de janeiro a junho do ano passado são 7,8% a menos de vendas, e o acumulado nos últimos 12 meses também segue a mesma tendência de queda, com – 2,7%.

Em Pernambuco, tanto a variação acumulada no ano quanto a variação acumulada em 12 meses apresentaram recuo maior do que no Brasil. O País apresentou, respectivamente, uma queda de -3,1% no semestre e uma alta, próxima da estabilidade, de 0,1% em 12 meses, “demonstrando que os efeitos da pandemia do coronavírus na economia de Pernambuco ainda estão presentes”, afirmou Fernanda Estelita.

Já o economista da Fecomércio-PE, Rafael Ramos vê um crescimento robusto no varejo do Estado. "Um crescimento de dois dígitos mostra que o comércio, pode sim, apresentar um impacto bem menor do que a gente hvia projetado nos meses de abril e maio", disse o economista. Rafael Ramos revela que o setor esperava um trimestre ruim mas, como em maio já não teve queda, é motivo para se comemorar. "São dois meses consecutivos com crescimento alto. Já podemos falar em início da retomada". O economista, no entanto, acredita que 2020 ainda termine com um saldo negativo por conta dos prejuízos no primeiro semestre. Rafael espera ainda que a escalada das vendas possa antecipar investimentos por parte dos empresários.

ATIVIDADES

A pesquisa do IBGE mostra que, quando se consideram os dados do comércio varejista ampliado, que inclui veículos, motos, partes e peças e material de construção, o volume de vendas teve aumento no mês de junho em relação a maio, com alta de 14,8%. Em relação a junho de 2019, no entanto, o comércio varejista ampliado registrou um recuo de -2,7%. Todas as outras variações também foram negativas: o acumulado no primeiro semestre 2020 foi de -8,7% e o acumulado nos últimos 12 meses foi de -1,2%.

Das 13 atividades pesquisadas pelo IBGE, seis apresentaram queda em junho de 2020 em relação ao mesmo mês de 2019. A queda mais expressiva aconteceu no setor de livros, jornais, revistas e papelaria, com um índice negativo de -63,6%. A segunda queda mais expressiva foi o de tecidos, vestuário e calçados, com redução de -57,2%. Os outros setores que apresentaram recuos foram os de equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação, com – 36,7%; combustíveis e lubrificantes, com -21,6%, outros artigos de uso pessoal e doméstico, como lojas de departamentos, óticas, joalherias, artigos esportivos ou brinquedos, com diminuição de – 9,3% e, por fim, veículos, motocicletas, partes e peças, com -6,7%.

Sete atividades apresentaram variação positiva em junho deste ano, frente a junho de 2019. O setor de móveis e eletrodomésticos registrou aumento nas vendas de 43%, desempenho puxado pelo resultado positivo, de 56,6%, na comercialização de eletrodomésticos. Os móveis também tiveram alta, mas mais discreta, de 7,8%. Também chama a atenção o índice positivo dos materiais de construção, que tiveram aumento de 30%. Os hipermercados e supermercados também ajudaram a amortecer a queda no índice geral, ao marcar uma alta de 18,2%. Quando se considera o setor de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, o avanço foi menor, de 13,4%. Os artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos, com 5,2%, completam a lista de atividades onde houve uma reação positiva nos números.

De maio para junho de 2020, na série com ajuste sazonal, a taxa média nacional de vendas do comércio varejista teve resultados positivos em 24 das 27 estados, com destaque para: Pará (39,1%), Amazonas (35,5%) e Ceará (29,3%). Por outro lado, pressionando negativamente, figuram três das 27 Unidades da Federação, com destaque para: Rio Grande do Sul (-9,0%), Paraíba (-2,4%) e Mato Grosso (-2,0%).

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