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Após exoneração do presidente do Inep, servidores do órgão manifestam preocupação com descontinuidade da gestão

Alexandre Lopes, quarto presidente do Inep na gestão Bolsonaro, foi exonerado nesta sexta-feira (26). Exoneração saiu no Diário Oficial da União

Margarida Azevedo
Margarida Azevedo
Publicado em 26/02/2021 às 14:47
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Presidente do Inep. Alexandre Lopes assegura que está tudo pronto para o Enem. Foto: José Cruz / Agência Brasil
Alexandre Lopes coordenou aplicação do Enem nos últimos dois anos - FOTO: Presidente do Inep. Alexandre Lopes assegura que está tudo pronto para o Enem. Foto: José Cruz / Agência Brasil
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Servidores do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) se manifestaram, nesta sexta-feira (26), sobre a exoneração de Alexandre Lopes do cargo de presidente da autarquia. A exoneração dele foi publicada no Diário Oficial da União também desta sexta-feira. Para os servidores do órgão, vinculado ao Ministério da Educação (MEC), "a descontinuidade de gestão, com sucessivos períodos de instabilidade, tem contribuído fortemente para comprometer a execução do importante trabalho da autarquia na educação", diz um trecho da nota pública da Associação dos Servidores do Inep (Assinep)

O Inep é responsável pelos censos educacionais e importantes exames e avaliações, como o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). Alexandre Lopes foi o quarto presidente do órgão na gestão do presidente Jair Bolsonaro. Ele ocupava a presidência do instituto desde maio de 2019. "Fomos surpreendidos com a exoneração de mais um presidente do Inep. Chegaremos, assim, ao quinto presidente do instituto em dois anos", destaca a entidade.

Em outro trecho da nota, os servidores do Inep alertaram a sociedade "para os graves riscos à instituição, essencial para o desenvolvimento educacional brasileiro, e clamam pela necessidade de gestores com reconhecida capacidade técnica e familiaridade com a temática da educação, à altura dos 84 anos do Instituto", ressaltam.

"Nossas atividades típicas de Estado requerem reconhecimento e profundo rigor técnico para sua realização, a exemplo da execução das pesquisas estatísticas, dos estudos e indicadores educacionais", observam os funcionários do Inep, citando o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), o Enem, o Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), o Saeb e o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes).

"Nossa atuação subsidia, ainda, toda a distribuição de recursos públicos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb)", dizem os servidores, destacando ainda que "O Inep é o maior produtor de evidências sobre a educação brasileira, indispensáveis para a formulação, a implementação e a avaliação das políticas educacionais em todas as esferas". Por fim, a Assinep diz que "O Brasil precisa do Inep forte."

PRESIDENTES

Bacharel em direito e engenheiro químico, Alexandre Lopes assumiu o comando do Inep em maio de 2019 no lugar do delegado da Polícia Federal Elmer Coelho Vicenzi, que pediu para deixar o cargo. Antes, o Inep estava sob a liderança do engenheiro e consultor organizacional Marcus Vinicius Carvalho Rodrigues, que entrou logo no início do governo Bolsonaro, em janeiro de 2019, em substituição a Maria Inês Fini, à frente da autarquia na gestão de Michel Temer. (Com informações da Agência Estado)

 

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