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Escolas privadas de Pernambuco começam ano letivo com previsão de mais alunos nas aulas presenciais

Mesmo com alta incidência da covid-19, muitas famílias concordam em mandar os filhos para as escolas, em vez deles ficarem apenas com aula remotas

Margarida Azevedo
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Margarida Azevedo
Publicado em 31/01/2021 às 7:03 | Atualizado em 31/01/2021 às 7:27
BOBBY FABISAK/JC IMAGEM
Andreza e William autorizaram as filhas, Melina e Marcela, a frequentar presencialmente a escola - FOTO: BOBBY FABISAK/JC IMAGEM
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Marcela Rosa, 6 anos, está radiante. Vai cursar o 1º ano do ensino fundamental. Além do entusiasmo natural por iniciar mais uma série, a alegria da menina é maior por reencontrar os amigos da escola e estar com eles sem ser por meio da tela de um computador. Mesmo com alta incidência ainda de casos de covid-19 no País, colégios particulares de Pernambuco devem iniciar o ano letivo, esta semana, com mais alunos nas salas de aula.

A chegada da vacina contra o coronavírus, as lacunas de aprendizagem no ensino exclusivamente remoto em 2020 e a necessidade de socialização são justificativas dos pais para que, diferentemente do ano passado, autorizem seus filhos a voltarem a frequentar presencialmente a escola. Mas como há limitações impostas pelas regras de biossegurança, o retorno será híbrido, ou seja, com atividades presenciais e virtuais.

“Há uma adesão maior das famílias para o ensino presencial. Acredito que o início da vacinação contribuiu para isso”, afirma o presidente do Sindicato das Escolas Particulares de Pernambuco, José Ricardo Diniz. A rede privada tem 400 mil estudantes e 2.400 unidades educacionais.

O ano letivo de 2020 acabou com cerca de 40% dos alunos nas salas de aula e os demais acompanhando de casa. “Acho que agora esse índice vai inverter”, estima José Ricardo. O protocolo do governo estadual para as atividades de educação determina, entre outros pontos, que haja um distanciamento mínimo de 1,5 metro entre os alunos em sala, o que pode exigir novamente, como em 2020, a adoção de rodízios.

ADESÃO

“Foi feita uma pesquisa e 70% dos pais responderam que querem o retorno presencial. No final de 2020 eram 35%”, diz a diretora pedagógica do Colégio Saber Viver, Natália Ayres. A escola tem educação infantil e ensino fundamental e fica no bairro da Encruzilhada, Zona Norte do Recife.

“Entre 85% e 90% dos nossos alunos informaram que querem voltar para a escola. Acabamos o ano passado com 60%. Como cumprimos rigorosamente o protocolo sanitário, será preciso, em alguns casos, dividir as turmas em duas e manter as aulas presenciais, para cada grupo, em dias intercalados”, conta a diretora geral do Colégio Santa Maria, Rosa Amélia Muniz. A escola tem unidades em Boa Viagem, na Zona Sul da capital, e na Reserva do Paiva, no Cabo de Santo Agostinho, no Grande Recife.

“O ano de 2020 foi de romper paradigmas, de quebrar barreiras tecnológicas. Professores e estudantes tiveram que se adequar a diversas plataformas para garantir o conhecimento. A aula foi assistida pelo computador, pela TV, pelo whatsapp. Acho que este ano será menos difícil, embora haja ainda uma parcela da sociedade sem acesso aos meios digitais”, observa a pedagoga e consultora da editora Mundo Educacional, Michely Almeida.

Mãe de Marcela, a psicóloga Andreza Aretakis, 39 anos, decidiu com o marido autorizar a volta dela e da filha mais velha, Melina, 9 anos, do 4º ano do fundamental, para as aulas presenciais. As garotas estudam no Colégio Boa Viagem, na Zona Sul do Recife.

“Foi uma soma de fatores. Minha avó tem 92 anos e mora conosco. A vacina, que ela tomou semana passada, trouxe um sopro de esperança e nos deu mais confiança para permitir que as meninas voltem a frequentar a escola. Marcela vai começar o processo de alfabetização. E elas estavam cansadas das aulas remotas”, comenta Andreza.

VIGILÂNCIA

Para o médico Eduardo Jorge Fonseca, vice-presidente da Sociedade Pernambucana de Pediatria, o crescimento de casos de pessoas infectadas pelo novo coronavírus vai exigir mais atenção das famílias e da comunidade escolar.

“Desde o início da pandemia que a preocupação em mitigar as repercussões na saúde física e mental das crianças e adolescentes, assim como as questões relativas ao ensino e aprendizagem, têm sido alvo de grandes controvérsias. Os países que mantiveram suas escolas abertas não evidenciaram aumento na transmissibilidade da doença, apenas surtos isolados. As crianças representam no mundo inteiro menos de 1% da mortalidade e respondem apenas a 2% a 3% das hospitalizações por covid-19”, ressalta Eduardo Jorge.

“O desgaste emocional, a maior exposição à violência e a menor aprendizagem preocupam todos os pediatras. Por outro lado, o aumento na incidência da doença significa que teremos que ter mais precauções no ambiente escolar com medidas de higienização das mãos e espaço físico, uso de máscaras e distanciamento social. Precisaremos manter vigilância epidemiológica rigorosa neste retorno e continuar na expectativa de acelerar a vacinação dos professores”, afirma o médico, um dos defensores que os docentes estejam nos primeiros grupos a serem vacinados.

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