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Feras aprovados nos primeiros lugares do vestibular da UPE dão dicas para obter bons resultados nas provas

Os seis alunos melhores colocados no SSA3 da UPE contam o que pode ajudar na preparação para as provas

Margarida Azevedo
Margarida Azevedo
Publicado em 07/04/2021 às 19:37
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YACY RIBEIRO/ JC IMAGEM
No vestibular seriado, o estudante realiza provas ao final de cada série do ensino médio - FOTO: YACY RIBEIRO/ JC IMAGEM
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Conseguir aprovação em cursos tão concorridos como medicina, direito e engenharia não é tarefa fácil, sobretudo depois de um ano com pandemia de covid-19, em 2020, que exigiu de professores e alunos adaptações ao ensino remoto.

Os seis vestibulandos que conquistaram os primeiros lugares no vestibular seriado da Universidade de Pernambuco (UPE), cujo resultado saiu na última terça-feira (06), contam como se prepararam e dão dicas para os estudantes que ainda vão tentar uma vaga no ensino superior público.

No Sistema Seriado de Avaliação (SSA) da UPE os alunos realizam três provas, ao final de cada série do ensino médio. Com o resultado das três avaliações é calculada uma média. Com essa nota o candidato concorre a vagas de graduação. Na composição da média final, o SSA 1 vale 30%, o SSA 2 também 30% e o SSA 3, 40%.

A UPE destina metade das vagas para o SSA (1.740 vagas). A outra metade é preenchida pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), coordenado pelo MEC e que usa as notas do Enem. As inscrições no Sisu começaram terça-feira (06) e vão até sexta-feira (09).

SER BOM ALUNO SEMPRE

"No 3º ano, em 2020, estudava cerca de 6h por dia, fora o período em que ficava na escola ou tendo aula remota. Nos dias em que havia período integral, duas vezes por semana, não dava para seguir isso. Mas minha base vem sendo construída há muito tempo, embora tenha dado mais gás no último ano do ensino médio. Aos sábados também estudava. Somente aos domingos descansava. O apoio da escola, dos professores, da família e dos amigos é muito importante. Para aliviar a ansiedade, mantive contato com meus amigos por videochamadas e li livros que não tinham relação com os assuntos da escola".

Maria Magalhães Bacallá, 17 anos, ex-aluna do Coléfgio Equipe, aprovada em primeiro lugar no SSA 3, no curso de direito, com média 90,33


NÃO ACUMULAR ASSUNTO

"É preciso muita persistência. E resiliência diante de um ano tão atípico como foi 2020 por causa da pandemia. Acho importante estabelecer metas a curto, médio e longo prazo. Foi o que fiz desde o 1º ano do ensino médio, quando participei do SSA 1. Não medi esforço e dei o máximo de mim. Não dá para ter desculpa, precisa buscar todos os meios necessários para obter a aprovação. Ir atrás de material, de professor para tirar dúvida, de colegas para ajudar. Também não gosto de acumular assunto, procurava revisar, à noite, tudo o que aprendi durante o dia. E não abri mão de dormir bem, não descuidei do sono".

Bruno Maia de Oliveira Duarte, 18 anos, segundo lugar geral do SSA 3, aprovado em medicina com 90,30 e ex-aluno do Colégio Santa Maria. Ele passou também em engenharia elétrica na USP e engenharia da computação na Unicamp

PARTICIPAR DE OLIMPÍADAS DO CONHECIMENTO

"Sempre fui bom aluno. Participar de olimpíadas do conhecimento, como fiz, é uma boa porque geralmente os temas abordados vão além do que a gente está acostumado a ver na sala de aula. São mais complexos e isso acabou ajudando para o Enem e o SSA, embora minha preparação tenha focado mais nos vestibulares do ITA e do IME. Acho importante observar o conteúdo programático das provas e seguí-lo. Estudei entre 3h e 4h por dia, fora o período em que ficava no colégio."

Vitor Manoel de Melo Silva, 16 anos, ex-alunos do Colégio Motivo. Passou em medicina, com nota 90,23, o que lhe rendeu o terceiro lugar geral do SSA 3


MANTER O FOCO

"Mantive o foco nos estudos. O segredo é ter um objetivo e fazer tudo para conquistá-lo. No meu caso a pandemia não atrapalhou muito porque sempre tive facilidade de estudar. Não levei o SSA 1 tão a sério, mas tive uma boa nota. Já no SSA 2 fui melhor. E no SSA 3 também. No ano passado estudei entre 4h e 5h por dia. O modelo do vestibular seriado é muito interessante porque só caem os assuntos da série que estudamos."

Artur de Oliveira Macena Lobo, 17 anos, classificado em medicina, no Recife, com nota 85,10. Ele passou em primeiro lugar entre os cotistas. Estudou na Escola de Aplicação do Recife


NÃO DESISTIR

"A dica que dou é estudar, estudar e estudar. Não parar. Mesmo que certa hora bata o sentimento de tristeza, de querer parar, de achar que não vai conseguir, continue. Mesmo que sua mente esteja ferrada, lute contra você mesmo, estude o máximo que puder e tenha orgulho de você. Não foi fácil estudar em plena pandemia. Mas os professores da escola e do cursinho ajudaram muito, sempre estive atento ao que eles sugeriam. Não tive muito planejamento em relação ao que estudar, sentava na cadeira do quarto às 7h e ia até a noite estudando, sem muito controle. Acabou dando certo."

Paulo Roberto Dias da Silva Filho, 18 anos, segundo lugar entre os cotistas, classificado em engenharia da computação com 78,67. Foi aluno da Escola de Aplicação Professor Chaves, de Nazaré da Mata

 

APOIO DA FAMÍLIA E DEDICAÇÃO

"Decidi que não faria o Enem e focaria no SSA pois o Enem tem todos os anos. Já se eu perdesse o SSA não teria outra chance. Meus pais entenderam e me apoiaram. O suporte da família, sem pressionar, ajudando a manter a calma, é muito importante. No vestibular seriado precisa também de persistência pois exige dedicação desde o 1º ano do ensino médio. E por causa da pandemia em 2020, precisei muito de resiliência. Sempre tive o costume de estudar em casa, aprender sozinha. Não achei ruim no começo por ter só aulas online, mas depois senti falta do convívio na escola com os colegas e os professores"

Joanna Maria Medeiros Souto, 17 anos, obteve a terceira colocação entre os cotistas. Passou em medicina com 78,40. Estudou na Escola de Aplicação do Recife

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