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Alunos das escolas municipais de Recife terão internet e tablet bancados pela prefeitura

Anúncio foi feito nesta segunda-feira, após mais de um ano de atividades remotas na rede municipal de ensino do Recife por causa da pandemia de covid-19

Margarida Azevedo
Margarida Azevedo
Publicado em 28/06/2021 às 11:36
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MÔNICA OLIVEIRA/PCR
INOVAÇÃO Foi criada a Escola Municipal para Aulas Digitais. Nela, 45 professores vão produzir e gravar as aulas virtuais em quatro estúdios - FOTO: MÔNICA OLIVEIRA/PCR
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Atualizada às 19h30

Depois de mais de um ano com aulas remotas por causa da pandemia de covid-19, alunos das escolas municipais de Recife terão internet custeada pela prefeitura. Além de acesso a dados móveis, os estudantes vão receber tablets. As aulas remotas serão por meio de uma nova plataforma digital e com mais tempo de duração. As ações fazem parte do Educa Recife, um novo programa de ensino híbrido para a rede municipal lançado nesta segunda-feira (28) pelo prefeito João Campos. Atualmente, apesar da liberação do governo estadual, os colégios municipais permanecem sem aulas presenciais devido ao novo coronavírus.

A promessa da Secretaria de Educação do Recife é oferecer 42 mil tablets aos alunos do 4º ao 9º ano do ensino fundamental e da educação especial (estudantes com deficiência e transtorno do espectro autista). Os equipamentos começarão a ser disponibilizados para os estudantes no início do segundo semestre letivo, previsto para começar em 22 de julho com adoção do ensino híbrido (aulas remotas e presenciais). O secretário municipal de Educação, Fred Amancio, estima que até o final de agosto a entrega dos tablets seja concluída.

Os discentes da educação infantil e das três primeiras séries do ensino fundamental (1ª, 2ª e 3ª) não vão ganhar equipamentos. "Para os alunos dessa faixa etária não há indicação técnica que passem muito tempo na frente do computador", justifica Fred Amancio. Os professores, segundo o secretário, já dispõem de notebooks e modem para acesso à internet.

 

Ano passado, no começo da pandemia, em abril, a gestão do então prefeito Geraldo Julio tentou comprar smartphones para distribuir inicialmente entre os alunos do 9º ano do ensino fundamental, mas o projeto não vingou. O Tribunal de Contas recomendou que em vez da aquisição ser feita com dispensa de licitação, como queria a prefeitura, houvesse pregão eletrônico. Na época, o então secretário de Educação, Bernardo d'Almeida, disse que seria inviável por causa do valor cobrado no modelo de pregão e desistiu da compra. Lançou então uma campanha de doações de telefones novos e usados.

RODÍZIO

As aulas presenciais nas escolas municipais de Recife foram interrompidas em março de 2020 e só vão retornar no próximo mês, a partir de 22 de julho. O retorno será por etapas, divido em três grupos, começando com 8º e 9º anos do ensino fundamental. Nesta terça-feira (29), os docentes voltarão a dar expediente presencialmente nas unidades de ensino.

Como o protocolo sanitário para reabertura das escolas para o ensino presencial exige, entre outros pontos, o distanciamento mínimo de 1,5 metro entre uma banca e outra nas salas de aula, haverá a necessidade de adotar rodízios nas turmas.

Cada escola municipal terá autonomia para adotar o modelo do rodízio, mas a sugestão da Secretaria Municipal de Educação é que as turmas sejam divididas em grupos que vão intercalar a ida presencial a cada semana. Daí a importância de garantir a conectividade e os equipamentos para os alunos.

“A ampliação do acesso à internet é um dos pontos prioritários do EducaRecife”, ressaltou o secretário de Educação do Recife, Fred Amâncio. "Esses tablets garantirão a aprendizagem dos estudantes fora da sala de aula, pois além do acompanhamento das aulas ao vivo e gravadas, o equipamento disponibilizará diversos aplicativos e conteúdos pedagógicos voltados para os alunos da rede”, afirmou o secretário.

INVESTIMENTO

O EducaRecife terá investimentos na ordem de R$ 55 milhões, sendo R$ 40 milhões para compra dos tablets. Para produção das aulas virtuais foi criada uma nova unidade de ensino, a Escola Municipal para Aulas Digitais, localizada no Centro de Tecnologia da Educação do Recife, na Boa Vista, área central do Recife.

Quatro estúdios foram montados para gravação e transmissão das aulas, que serão ministradas por 45 professores que terão dedicação exclusiva ao programa. Com mais conteúdo, a transmissão diária de aulas, antes restrita a 1h por dia (pela TV Alepe), passará para 14h30 por dia (pela TV Alepe, pela TV Nova e pela plataforma).

"Esses professores foram selecionados por meio de uma seleção interna que realizamos. Eles terão dedicação exclusiva e estão recebendo formação específica para a preparação dos planos de aula e elaboração dos conteúdos que serão transmitidos”, explica Fred Amancio.

 

O programa prevê também uma nova plataforma de internet compatível com celulares, computadores e tablets. A ferramenta disponibilizará para os estudantes, além das aulas ao vivo, que ficarão gravadas para serem assistidas a qualquer momento, conteúdos pedagógicos e diversos canais, incluindo chat para dúvidas e interações com os professores, e-mails do Google e Google Classroom, parceiro do programa, integrados no aplicativo para a sala de aula virtual.

ESTRUTURA

A coordenadora geral do Sindicato dos Professores da Rede Municipal do Recife (Simpere), Cláudia Ribeiro, ressaltou que a oferta de internet e equipamentos para os alunos das escolas municipais da capital é um pleito defendido pela categoria há mais de um ano. Sobre o novo programa, ela diz que "é preciso incorporar melhorias na estrutura física das escolas pois muitas não garantem nem mesmo a realização de atividades híbridas porque não permitem um 1,5 metro distanciamento", observa Cláudia.

"É preciso, também incorporar como investimento na educação como um direito, a garantia do esquema vacinal, com as duas doses, para pelo menos 60% da população que inclui a comunidade escolar. Sem isso, qualquer anúncio em melhoria da educação pública não passará de propaganda publicitária", diz a coordenadora do Simpere.

 

 

 

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