Cenário econômico em Pernambuco, no Brasil e no Mundo, por Fernando Castilho

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Por Fernando Castilho
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Warren Buffett. O vovô de 90 anos que já doou US$ 37 bilhões e ainda tem US$ 100 bilhões

Regra número 1 de Warren Buffett é "não perca dinheiro", já a regra número 2 é "não esqueça a regra número 1"

Fernando Castilho
Fernando Castilho
Publicado em 16/03/2021 às 17:00
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Foto: Getty Images
Esta semana a fortuna de Warren Buffett passou dos US$ 100 bilhões - FOTO: Foto: Getty Images
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Talvez você nunca tenha ouvido falar num sujeito chamado Warren Buffett, um velhinho simpático de 90 anos, completados em 30 de agosto do ano passado e que adora comer hambúrguer com Coca-Cola, bolo de biscoito Óreo e não faz nenhum tipo de exercício. Mas esta semana a sua fortuna passou do US$ 100 bilhões.

O curioso é que esse americano, sócio de dezenas de empresas, entre elas Coca Cola e Burger King, já fez doações de parte de sua fortuna que somam o valor total de US$ 37 bilhões. Essa dinheirama, se ainda estivessem com ele, o faria ter uma fortuna de US$ 192 bilhões.

Mas ele pensa diferente. Em 2006, Buffett criou uma organização para incentivar a filantropia, a Giving Pledge. E ele foi reunindo bilionários dispostos a fazerem doações de parte de suas fortunas, como o fundador da Microsoft, Bill Gates, num grupo chamado de Omaha, nome da cidade onde Warren Buffet mora.

Vale destacar que o bilionário continua ativo nos negócios. No ano passado, em plena pandemia, ele comprou 25% de Cove Point LNG, uma empresa que conta com 7 milhões de clientes em 20 estados americanos e é avaliada em US$ 70 bilhões. Comprou também ações da Chevron Corporation e da empresa de entretenimento Verizon Communications.

Mas ele é muito cuidadoso com o seu dinheiro. Numa entrevista ao Wall Street Journal, Buffett comentou que sua receita seguia algo que chamava de "a técnica Matusalém", buscando não só investir bem, como investir bem durante um longo período de tempo”.

Outra coisa interessante nesse velhinho, que é chamado de oráculo pelos investidores, é que ele não aposta um solar no bitcoin. Ele diz que “não se pode ter um negócio em que as pessoas podem inventar uma moeda a partir do nada e achar que as pessoas que a estão comprando são realmente inteligentes”. E completa: "Posso dizer quase com certeza que as moedas virtuais terão um fim ruim”.

Parece claro que o vovô Buffett gosta de coisas mais seguras. Ao Wall Street Journal, ele disse que, desde jovem, percebeu que gerar riqueza depende não só de quanto o dinheiro rende, mas de quanto tempo isso leva. Lendo um livro sobre como ganhar mil dólares, entendeu quanto isso iria gerar em cinco ou dez anos a uma taxa de crescimento de 10%. E, calculando, concluiu que, em cinco décadas, amealharia mais de US$ 117 mil. "É aí que o dinheiro está", pensou.

O problema é que em 50 anos ele juntou mais U$ 100 bilhões. Mas, na verdade, a trajetória de Buffett mostrou também o valor da flexibilidade ao investir. Ele conseguiu seus maiores retornos décadas atrás comprando as menores e mais baratas ações que pôde encontrar, de empresas pequenas.

Ele tem algumas coisas curiosas, por exemplo, "será que realmente quero gastar US $ 300 mil neste corte de cabelo?", disse certa vez. 

O bilionário revelou, certa vez, numa entrevista: "Como igual a uma criança de seis anos de idade". Ah, e ele adora Coca-Cola e diz tomar, pelo menos, cinco latas da bebida por dia. "Bebo três durante o dia e duas à noite." Bom, que qualquer forma Buffet detém 9% das ações da Coca-Cola

Segundo reportagem da Bloomberg News reproduzida nesta quarta-feira pelo Jornal O Globo, a fortuna do presidente da Berkshire Hathaway Inc saltou na semana passada para US$ 100,4 bilhões, de acordo com o Índice de Bilionários da Bloomberg. Isso tornou Buffett o sexto membro do clube de US$ 100 bilhões, onde também estão Jeff Bezos, Elon Musk e seu amigo Bill Gates.

Buffet é sócio e diz que está satisfeito com a parceria com a empresa brasileira de investimentos 3G Capital e afirmou ser “concebível” que atuem juntos novamente em algo que surja. A 3G Capital tem entre seus fundadores os bilionários brasileiros Jorge Paulo Lemann, Carlos Alberto Sicupira e Marcel Telles, todos amigos do bilionário americano.

A Berkshire e a 3G Capital se aliaram em 2015 para combinar os negócios da empresa de alimentos Kraft Foods com os da H.J. Heinz. O grupo controla cerca de metade da companhia Kraft Heinz, com a Berkshire tendo participação de 26,7%. E, como vários bilionários, ele também ganhou dinheiro na pandemia.

A valorização dessas companhias deixou alguns bilionários ainda mais ricos. É o caso, por exemplo, de Eric Yuan, CEO da plataforma de teleconferência Zoom, cuja ação subiu 145% na bolsa de valores Nasdaq desde janeiro.

Outro bilionário que tem ganhado muito dinheiro nesse período é o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg. Nos últimos meses, ele ganhou bilhões com a valorização do Facebook e chegou a ficar no terceiro lugar no ranking de bilionários da Bloomberg, com uma fortuna maior que Warren Buffett.

Mas o "vovô" Buffet tem algumas lições bem interessantes que vale pena serem guardadas, uma delas é "tenha autocontrole": “Você não precisa ser um cientista de foguetes. Investir não é um jogo que a pessoa com um Q.I. de 160 ganha da pessoa com Q.I. de 130”.

Warren Buffett também diz ''tenha consciência entre Valor x Preço''. “Preço é o que você paga. Valor é o que você ganha. Outro conselho de Buffett Para fazer negócios excelentes é "dê tempo". “O tempo é amigo dos negócios excelentes e inimigo dos negócios medíocres". Outra dica é "seja conservador": “Regra número 1: não perca dinheiro. Regra número 2: não esqueça a regra número 1.”

Finalmente, "pense no longo prazo": “Alguém está sentado nas sombras hoje pois alguém plantou uma árvore muito tempo atrás.

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