Cenário econômico em Pernambuco, no Brasil e no Mundo, por Fernando Castilho

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Por Fernando Castilho
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Num Brasil com raiva da covid-19, a morte de Paulo Gustavo faz o país chorar

Quem estava mais interessado na final do Big Brother? Quem estava mais interessado no que amanhã vai se falar na CPI da Covid?

Fernando Castilho
Fernando Castilho
Publicado em 04/05/2021 às 23:45
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Como Dona Hermínia, inspirada em sua mãe, Paulo Gustavo arrastou mais de 30 milhões de pessoas aos cinemas - FOTO: DIVULGAÇÃO
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Esqueça o depoimento de Luiz Henrique Mandetta na CPI da covid-19. Esqueça a decisão de Arthur Lira, extinguindo a Reforma Tributária. Esqueça a final do BBB 21. O assunto do Brasil, desde as 22 horas, desta terça-feira (4), é a morte do ator e humorista Paulo Gustavo.

Era um fato aguardado devido aos 53 dias de sofrimento. Mas o impacto da notícia mobilizou todas as redes sociais e desmontou a programação de todas a emissoras de TV e de rádio numa catarse poucas vezes vistas no showbiz brasileiro.

Não fosse a covid-19, o seu enterro seria um fato de altíssima concentração dos fãs. Mas a covid-19 que o matou privará o público de lhe dar um adeus e prantear esse artista tão especial.

Mas fica a pergunta: Por que o Brasil chora, com tanta intensidade, a morte de um ator que se confundia com um personagem que criou a partir de um personagem real? Aliás, a sua própria mãe? Por que o Brasil, que há mais de um ano enterra seus ídolos e seus parentes sem ao menos o direito de se despedir, revela-se capaz de chorar?

Talvez porque no fundo, o brasileiro - depois de 410 mil mortes - descobriu que ainda é possível chorar por alguém que não seja da família. Talvez porque Dona Hermínia tenha mesmo alguma coisa parecida com a nossa mãe, nossa tia ou uma parente. Talvez porque daqui a quatro dias seja o Dia das Mães.

Mas talvez essa comoção esteja ligada a uma enorme raiva contida que o cidadão brasileiro foi acumulando em relação ao comportamento do presidente Jair Bolsonaro. No fundo, talvez o brasileiro esteja mesmo com muita raiva de como o Brasil através do governo gerencia uma pandemia e onde as mortes não bem tendo qualquer sentimento de empatia dos representantes do governo.

No fundo, depois de um ano, o brasileiro diante de tantas agressões perpetrada todos os dias por essa indiferença do Governo, estivesse mesmo precisando de chorar o choro contido por tantos que se foram.

Parece claro que as pessoas que foram contanto um, dois, vinte, trinta, trezentas, 3 mil mortes num só dia, viram brotar as lágrimas contidas por tanta gente. 

Talvez porque, no fundo, Paulo Gustavo tenha colocado no ar e nos palcos, a família e a mãe que todos temos. E caricaturado os personagens que temos dentro de nossos lares e que tanto amamos.

Isso explica por que tantos choram a morte de Paulo Gustavo. Mesmo depois de uma sofrida preparação, a qual as pessoas foram se acostumando a ver sair da porta do hospital.

Esse choro contido, com raiva, indignado com tanta agressão aos nossos sentimentos vistos na TV pela indiferença como o Governo trata nossas mortes de covid-19, parece ter encontrado o gatilho para brotar desde a noite desta terça-feira.

Quem estava mais interessado na final do Big Brother? Quem estava mais interessado no que amanhã vai se falar na CPI da Covid?

Talvez a melhor explicação para essa tristeza em todos os milhões de fãs de Paulo Gustavo tenha sido resumida pelo Padre Fábio de Melo, ele mesmo um dos que viram alguém de perto partir vítima da covid-19.

Hoje, Paulo Gustavo, foi “a primeira vez em que você nos fez chorar”.

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