Cenário econômico em Pernambuco, no Brasil e no Mundo, por Fernando Castilho

JC Negócios

Por Fernando Castilho
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Showbiz terá que se preparar para apanhar muito nas redes sociais por fazer shows com aglomeração

Artistas, que lutam para aparecer nas mídias sociais com notícias positivas, devem se preparar para apanhar muito todas as vezes que aglomerarem

Fernando Castilho
Fernando Castilho
Publicado em 29/11/2021 às 6:00
Foto: Reprodução/Instagram
A cantora Claudia Leitte foi um dos mais comentados da internet, com críticas de internautas após a apresentação da artista para uma multidão. - FOTO: Foto: Reprodução/Instagram
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Contratada para um show no estacionamento do Espaço das Américas, na Zona Oeste de São Paulo, no último sábado (27), a cantora Claudia Leitte recebeu um grande volume de críticas por estar promovendo aglomeração quando o mundo, assustado, não sabe como será o Natal e o Réveillon depois da ocorrência do surgimento da variante ômicron, que está deixando autoridades sanitárias em alerta.

Como se sabe, a variante foi detectada na África do Sul e já chegou a Israel, Bélgica e Hong Kong. Ainda não se sabe se ela é mais transmissível ou mais letal. No Brasil, um passageiro de um voo internacional vindo da África do Sul testou positivo e está em observação.

Claudia Leitte e todos os artistas que aceitarem o desafio de realizar shows, daqui para frente, devem se acostumar com a ideia de uma tempestade de críticas, inclusive de autoridades, quando as fotos de suas apresentações forem publicadas na internet.

O Palmeiras, que fez aglomeração também neste sábado, recebeu uma série de críticas por não cuidar minimamente do distanciamento nas comemorações do título da Libertadores da América.

Vai ser assim e muita gente vai reagir fortemente nas redes sociais e na Imprensa contra as apresentações, enquanto as autoridades patinam na busca de uma solução para o que vai acontecer em dezembro, janeiro e fevereiro diante de um cenário minimamente imprevisível.

O Brasil e o mundo vão para o seu segundo Natal, Réveillon e Carnaval sem que o Governo e as autoridades saibam exatamente como se comportar a despeito da razoável performance da vacinação no país.

Artistas, que lutam para que nas mídias sociais apareçam sempre com notícias positivas, devem se preparar para apanhar muito todas as vezes que aglomerarem.

Terão quer decidir se vale a pena correr o risco de sua imagem ser associada à propagação do vírus da covid-19 nos seus shows.

E não vai adiantar muito sua assessoria dizer que tomou providências, pediu cartões de vacinação, limitou o público e que colocou álcool gel para as pessoas higienizarem as mãos.

Não funciona. E vai haver aglomeração mesmo. Até porque o público que compra o ingresso está muito pouco interessado em cuidar do distanciamento. Portanto, é bom ir se acostumando a levar pancada e críticas.

O problema é que depois de 20 meses sem trabalho, a cadeia produtiva do showbiz está desesperada por algum dinheiro. E mesmo as festas contratadas estão sendo definidas com altíssimo risco de serem canceladas pelas autoridades.

Para completar, a classe política não ajuda. Prefeitos e governadores entraram numa onda de brigar para liberar o uso de máscaras em ambientes públicos quando isso não ajuda em nada.

É uma tremenda leseira governadores como, por exemplo, João Dória (SP) e Flávio Dino (MA), e outros prefeitos correrem para anunciar que vão liberar as máscaras nas ruas quando nos ambientes fechados elas continuam obrigatórias.

A pergunta é: o que ganha a cidade ou o Estado liberando seus cidadãos de usar a máscara em lugares públicos?

Primeiro, porque quem já usa máscara vai continuar usando. Imagina se alguém razoavelmente informado vai tomar a decisão de deixar de usar máscara caso, aqui no Recife, por exemplo, João Campos, nas suas redes sociais, comunicar a decisão de abolir o uso delas?

Mas tem muito assessor idiota que acha legal e que o prefeito ou o governador podem se dar bem liberando máscaras primeiros que os outros. Fazer o que? Tem sempre alguém achando que voltamos ao normal.

Não voltamos. E mesmo fazendo show, o artista deve medir as consequências para sua carreira. Acabou o tempo de só ter notícia boa. O tribunal da internet “cancela” na hora.

Mas não sejamos cegos. A cadeia do showbiz precisa comer e pagar as contas. Os gestores não estarão preocupados com eles se os casos voltarem a subir. Vão cancelar as autorizações e já se sabe que poucas cidades terão mesmo Carnaval.

Recife, Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo vivem o drama de autorizar sob condições sabendo que o risco é do promotor da festa. Toda uma engrenagem desse negócio bilionário está, literalmente, pendurada na seringa.

O surgimento da variante ômicron foi a pior noticia que o mundo poderia ter. E no Brasil mais ainda, pelo seu verão. Temos o risco, de fato, de inviabilizar todo o planejamento de festas e desfiles.

A única certeza que o mundo tem, o Brasil no meio, é que não temos mais certeza de nada.

As reações a aglomeração de Claudia Leitte dão apenas uma ideia do desafio que vamos enfrentar daqui para frente.

E nesse estresse global já se vão 20 meses.

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