Cenário econômico em Pernambuco, no Brasil e no Mundo, por Fernando Castilho

JC Negócios

Por Fernando Castilho
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Coluna JC Negócios

Brasileiro adota cerveja Premium e bebe mais vinho. Indústrias sentem falta de garrafa de vidro; entenda

Com demanda acima de 14 bilhões de litros, fabricantes de garrafas prometem regularizar oferta em 2023

Fernando Castilho
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Publicado em 14/04/2022 às 12:00 | Atualizado em 14/04/2022 às 12:54
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O acordo da AB InBev e a SABMiller cria uma gigante responsável por uma em cada três cervejas consumidas no mundo - FOTO: Foto: Divulgação/Ambev
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Nos últimos meses, quem percorreu as gôndolas de supermercados nas seções de cerveja e de vinhos observou que a variedade de embalagens dos produtos nos supermercados caiu. E que praticamente não existem novos formatos de garrafas, especialmente no segmento de vinhos, onde a apresentação pode ser determinante.

Também deve ter observado que produtos como maionese e molhos estão disponíveis em potes e garrafas de plástico. E que aquelas garrafas estilosas das cervejas artesanais estão bem menores.

Entretanto, não se trata de um problema da indústria de bebidas ou alimentos. É da indústria de vidros no Brasil, que só deve melhorar no segundo semestre do ano que vem.

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“Há um problema estrutural. Sempre que o ritmo de produção de cerveja passa dos 14 bilhões de litros por ano, falta vidro”, diz o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Cerveja (Cervbrasil), Paulo Petroni.

A embalagem de vidro é a mais sustentável do planeta, por ser a única que pode ser reutilizada, retornada, reciclada e transformada em uma nova sem nenhuma perda de matéria-prima e, ainda, gerando menor consumo de energia com menor emissão de resíduos e partículas de CO2.

Por outro lado, atualmente no Brasil, apenas 47% das embalagens de vidro são recicladas, de acordo com a Abividro (Associação Brasileira das Indústrias de Vidro).

É isso que está acontecendo em 2022 e que começou em 2021. Uma pressão tão forte que fez a gigante americana OI anunciar um pacote de investimentos global, onde 1/3 do investimento - mais especificamente R$ 990 milhões - ocorrerá no Brasil, fazendo com que novas capacidades sejam adicionais a partir do segundo semestre de 2023.

Segundo a companhia, que em 2010 comprou a pernambucana CIV, do Grupo Cornélio Brennand, na Várzea, grande parte dos volumes de embalagens de vidro que não são atendidos pela produção nacional precisaram ser importados para as regiões Sul e Sudeste.

Segundo Daniel Jekl, gerente de Marketing Americas South da Owens Illinois, de fato, o mercado de embalagens de vidro no Brasil cresce a taxas bastante elevadas, principalmente impulsionado pela “premiunização” (marcas de puro malte envasadas em garrafas long-neck) das cervejas e pela adoção de hábitos mais saudáveis, o que inclui o consumo de alimentos e bebidas de maior qualidade, naturalmente envasados em vidro.

E como resultado dessas movimentações, os mercados mais afetados no que se refere a abastecimento de embalagens são, respectivamente, o mercado de vinhos e cervejas, ambos com grande concentração de suas produções nas duas regiões.

 

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A situação chegou a um nível que a falta de garrafas de vidro está impedindo que grande parte das vinícolas cumpra suas entregas e até mesmo consigam envasar bebidas que estão prontas para o varejo.

Num movimento surpreendente, a União Brasileira de Vitivinicultura (Uvibra) tem atuado na busca de investidores com a intenção de trazer para o Rio Grande do Sul, onde se concentra 90% da produção nacional, uma nova fábrica de vasilhames.

O interesse da entidade é que uma nova fábrica seja instalada na Serra Gaúcha, pela existência de dutos de gás na região e da facilidade logística por estar junto ao maior polo de produção vitivinícola do Brasil.

Felizmente, segundo a OI, a falta de embalagens de vidro não está relacionada a déficit de matéria-prima, e sim ao crescimento do mercado consumidor em taxas elevadas. As características operacionais da indústria vidreira como um todo fazem com que sejam necessários alguns anos para que novas capacidades produtivas sejam instaladas.

O presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Vidro (Abividro), Lucien Belmonte, confirma e reclama que a produção de vidros para a indústria cervejeira vem abaixo da demanda há cerca de dois anos. “Há grandes aumentos de oferta programados para 2022, mas ainda não resolve. Para 2023, a oferta fica mais acertada”, diz.

O problema é que com a migração do consumidor para a cerveja Premium, que essencialmente usa a garrafa de vidro, veio o aumento da demanda por vinho, que subiu quase 20% no ano passado. Pela primeira vez, o consumo per capita da bebida no Brasil passou dos 2 litros. A escassez de embalagens de papelão afeta também outros segmentos das indústrias de alimentos e bebidas.

Daniel Jekl, da OI, afirma que como líderes de mercado, a empresa monitora de perto a dinâmica entre as distintas regiões do País: "entendemos que o desequilíbrio momentâneo que atualmente é abastecido através de importações, ou até mesmo através da transferência de embalagens entre as regiões Nordeste e Sudeste será consideravelmente estabilizado assim que as novas unidades produtivas da O-I forem instaladas no País".

 

BOBBY FABISAK /JC IMAGEM
Vinhos - BOBBY FABISAK /JC IMAGEM

 

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