Cenário econômico em Pernambuco, no Brasil e no Mundo, por Fernando Castilho

JC Negócios

Por Fernando Castilho
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Coluna JC Negócios

Reginaldo Veloso foi o maior representante do "Povo de Deus" na Arquidiocese de Olinda e Recife

Talvez a melhor definição para o trabalho dele seja mesmo essa: o de "se fazer estrada" com sua atuação no Morro da Conceição

Fernando Castilho
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Fernando Castilho
Publicado em 20/05/2022 às 11:06 | Atualizado em 20/05/2022 às 12:01
REPRODUÇÃO/TV UNIVERSITÁRIA RECIFE
Padre Reginaldo Veloso foi pároco do Morro da Conceição - FOTO: REPRODUÇÃO/TV UNIVERSITÁRIA RECIFE
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O Padre Zezinho não tinha gravado a música “O Povo de Deus” quando o Padre Reginaldo Veloso, na década de 70, puxava o coro da multidão da procissão de Nossa Senhora da Conceição, com Dom Hélder Câmara liderando o cortejo.

Emocionava muito. E era uma mostra do prestígio que Veloso havia conquistado no Recife, dando uma nova importância à Festa do Morro, que anteriormente tinha mais a ver com a chamada "Festa Profana" das barracas, quermesses, vendas de escapulário e imagens de “Cecinha”, como o pessoal de Casa Amarela se refere a Nossa Senhora da Conceição.

Reginaldo Veloso não proibiu a festa profana. Mas, com sua ação social, deu um novo sentido à festa e ajudou a que a sociedade atentasse para as dificuldades que “o povo de Deus” na área Norte do Recife sofria, com as dificuldades de moradia e construção nos bairros ao seu redor.

Todo político gostava de, no dia 8 de dezembro, visitar a ladeira que leva ao santuário, mas Veloso aproveitava essas presenças para cobrar atenção. Nem sempre o prefeito ou o governador dava, mas Padre Reginaldo fazia sua parte.

É importante observar que a atenção e o respeito que o recifense tem hoje com “Cecinha” têm a ver com ação pastoral do padre que nos deixou nessa quinta-feira (19).

Narciso Lins
Padre Reginaldo Veloso recebendo Ariano Suassuna da Igreja de Casa Amarela - Narciso Lins

 

O que diferenciava a atuação de Padre Reginaldo era o seu comprometimento com aquilo que diz a música que entoava na festa de Nossa Senhora da Conceição: “O povo de Deus no deserto andava” e “Só tinha a esperança e o pó da estrada.”

Claro que com o prestígio que Dom Helder Câmara lhe dava, era mais fácil. Mas Veloso tinha uma personalidade tão marcante que estava presente 24 horas por dia e 7 dias por semana cuidando do "povo de Deus" da Zona Norte do Recife.

Por isso, foi muito duro quando depois do embate com Dom José Cardoso Sobrinho, o padre Reginaldo deixou a paróquia e as obrigações religiosas. Ele quase que foi expulso pelo Arcebispo a serviço do cardeal Joseph Aloisius Ratzinger (que depois viria a se tornar o Papa Bento XVI), quando foi nomeado prefeito da Congregação Pela Doutrina da Fé, pelo Papa João Paulo II.

Mas Veloso era de uma fé tão inquebrantável que decidiu ficar na comunidade e continuar a ajudá-la, ainda que sem as funções sacerdotais, num ato de resistência não violenta.

ASRQUIVO PESSOAL
REGINALDO VELOSO DEPOIS QUE PERDUE AS FUNÇÕES SACERDOTAIS - ASRQUIVO PESSOAL

Sua morte deixa um enorme vazio no coração das pessoas que o conheceram de perto, viram sua retidão nas atitudes e consistência na defesa daquilo que dizia a canção - inicialmente propagada no Brasil pela comunidade Luterana - e que mais tarde seria sucesso na voz do Padre Zezinho.

Especialmente quando ele cantava: “Também sou Teu povo, Senhor/E estou nessa estrada”

Talvez a melhor definição para o trabalho dele seja mesmo essa: o de “se fazer estrada” com sua atuação no Morro da Conceição.

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