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Com a covid-19, cresce quantidade de pets órfãos após perderem tutores; saiba como adotar

Organizações não governamentais e protetores viram crescer o número de pets que necessitam de adoção após a morte dos tutores desde o último ano, principalmente pelo novo coronavírus. Confira alguns em Pernambuco que precisam de novo lar

Katarina Moraes
Katarina Moraes
Publicado em 12/06/2021 às 7:30
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BOBBY FABISAK/JC IMAGEM
SOLIDÃO Belinha mora sozinha há três meses, porque o tutor faleceu. Vizinhos tentam encontrar alguém que a leve para um novo lar - FOTO: BOBBY FABISAK/JC IMAGEM
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Há três meses, a cadela Belinha mora sozinha na casa onde costumava viver com seu dono e dois outros irmãos de quatro patas. Desde que o tutor faleceu, como uma das 16 mil vítimas de complicações da covid-19 em Pernambuco, ela vive sob os cuidados da família dele, que fornece água, alimento e a leva para passear todos os dias. O caso dela é um entre vários. Organizações não governamentais e protetores do Estado dizem ter visto crescer o número de animais que necessitam de adoção após a morte dos tutores desde o último ano.

“Antes, a gente tinha pouca publicação de animais de pessoas que faleceram, era mais de pessoas que acharam nas ruas, ou que souberam de alguns que foram abandonados. Agora, estão aparecendo muitos que perderam o tutor para covid. Cresceu muito o número de animais órfãos”, conta a professora Mariana Bezerra, de 37 anos, que administra os grupos Adoção Animal Recife e SOS Adoção Recife no Facebook.

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Ela faz o intermédio entre o adotante e o cuidador temporário do animal, explicando como é feito o processo de adoção e sobre a importância da castração e dos cuidados médicos. Uma das pessoas atendidas pelo movimento é a cuidadora de idosos Edilene Vieira, de 58 anos, que atualmente cuida de Belinha. Ela adotou os outros dois irmãos da cadela por terem problemas de saúde e serem idosos, mas conta que não tem mais espaço para acolher também a vira-lata.

CORTESIA
Dono de cão faleceu por complicações da covid-19. Interessados devem entrar em contato com Tereza, pelo número (81) 99920-1295 - CORTESIA
CORTESIA
Lili, Emília, Flávio e Xuxa precisam de novo tutor após perderem o seu para a covid-19. Interessados devem entrar em contato pelo (81) 98640-7820 ou pelo (81) 98867-7771 - CORTESIA
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Lili, Emília, Flávio e Xuxa precisam de novo tutor após perderem o seu para a covid-19. Interessados devem entrar em contato pelo (81) 98640-7820 ou pelo (81) 98867-7771 - CORTESIA
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Lili, Emília, Flávio e Xuxa precisam de novo tutor após perderem o seu para a covid-19. Interessados devem entrar em contato pelo (81) 98640-7820 ou pelo (81) 98867-7771 - CORTESIA
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Lili, Emília, Flávio e Xuxa precisam de novo tutor após perderem o seu para a covid-19. Interessados devem entrar em contato pelo (81) 98640-7820 ou pelo (81) 98867-7771 - CORTESIA
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Cadela foi resgatada por dono, que morreu por complicações da covid-19. Interessados devem entrar em contato pelo (81) 99606-1043 - CORTESIA

“Belinha está sentindo muito [a falta do dono], porque está na casa onde não tem ninguém morando. Todos os dias vamos, botamos comida e a levamos para dar uma volta para ela se animar”, conta Edilene. Quem se interessar na adoção, pode entrar em contato pelo número (81) 8677-8228.

O crescimento de pets 'órfãos' pela covid também foi notado pela ativista e consultora imobiliária Juliana Neves, 43. “Teve um aumento muito grande de [publicações com animais de] pessoas que morreram, e de pessoas internadas e intubadas sem previsão de alta, que a família já está doando os animais porque não tem como dar assistência”, relata. Além disso, ela também chamou atenção para a problemática do abandono durante a pandemia, que se tornou mais um facilitador para a prática do crime. "É uma prática absurdamente comum, as pessoas abandonam por qualquer motivo. Então o vírus pode ter se tornado mais uma desculpa."

Um levantamento da Ampara Animal, associação de mulheres que ajuda abrigos e protetores independentes, feito em pelo menos 530 pontos espalhados pelo Brasil deu conta de que o crime de abandono cresceu cerca de 70% no país em 2020. O delito é previsto na lei federal 9.605/98, endurecida no ano passado. Os atos de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar cães e gatos passaram a ter pena de reclusão de dois a cinco anos, multa e proibição de guarda. Tais crimes podem ser denunciados pelo número de telefone 190.

Essa é uma situação com a qual o cuidador Elpídio Araújo, de 55 anos, precisa lidar diariamente. Ele é o fundador da organização não governamental (ONG) Eu Amo Animais, que abriga 88 pets em uma casa que hoje está em péssimas condições estruturais. O ativista diz que passou a receber diariamente ligações e mensagens de familiares de pessoas que morreram pelo novo coronavírus e deixaram seus animais.

"Se a gente começar a ter consciência de que os animais são como entes familiares, o abandono acaba. Nesses casos de morte, acredito que quem tem que assumir os animais são os familiares, porque se fosse uma pessoa, ela não seria deixada na rua", afirma. Quem quiser ajudar o abrigo do ativista, pode doar através do Pix 81 984748533 ou da conta na Caixa AG. 1028 OP. 013 C/C 549-2.

Os gatinhos Lili, Emília, Flávio e Xuxa, que têm entre aproximadamente um e dois anos, foram vítimas do crime de abandono. Segundo relatos nas redes sociais, os quatro foram deixados nas ruas após a dona morrer de covid-19. A cuidadora Fabiana Fagundes os resgatou, mas, por já ter 48 gatos, não pode cuidar deles.

“Por favor, alguém que realmente ame gatos, que more em apartamento com telas para eles não irem para as ruas, adote para que eles não sofram mais do que já sofreram com a morte da dona deles e com o abandono”, apela uma internauta. Interessados podem ligar para Fabiane pelo número (81) 98640-7820 ou para Leila pelo (81) 98867-7771.

Segundo a especialista em comportamento animal pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) Roseana Diniz, a falta do tutor também pode ser manifestada de várias formas no pet, como excitação, depressão, inquietação, vocalização excessiva, apatia, inapetência alimentar, visitas frequentes ao cômodo do finado, reações de busca/exploração quando citam o nome do finado, comportamento usual de quando chega a hora em que o animal tinha atividade junto ao finado, carência e medo de ficar sozinho.

A especialista explica que o processo costuma ser mais leve para os cães, por terem uma "mentalidade de grupo". Já os gatos domiciliados, ou seja, que não convivem fora de casa, "são matriarcais e fraternais, não possuem mentalidade de grupo, mas hierarquia horizontal", o que os torna "mais sensíveis a mudanças de humor e a emoções" do que os cães. Por isso, a adaptação pode demorar um pouco mais, até que o felino comece a encarar o novo tutor como um "parceiro".

De acordo com o psicólogo canino Nahum Anselmo, ainda que o cão tenha convivido muitos anos com o dono que terminou por falecer, ele poderá ter uma vida emocionalmente saudável e equilibrada desde que a nova família promova a atenção, cuidados e atividades de lazer necessárias. Isso acontece porque, segundo ele, o sentimento da saudade não faz parte da natureza dos cães. "O maior exemplo são das mães. Em certo momento, as cadelas se desprendem dos próprios filhotes, e depois não sofrem quando eles são doados ou vendidos", explica.

 

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