Transporte por ônibus perde 12,5 milhões de passageiros em um ano

Roberta Soares
Roberta Soares
Publicado em 21/08/2019 às 9:39
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[caption id="attachment_13085" align="aligncenter" width="748"]"" Cenário para o transporte coletivo público do País é um dos piores nos últimos anos. Fotos: Sérgio Bernardo/JC JC Imagem[/caption] O cenário para o transporte público por ônibus só piora no Brasil. Em um ano, entre abril de 2018 e abril de 2019, o setor perdeu 12,5 milhões de passageiros. E os culpados por essa queda não são apenas o crescimento do uso dos aplicativos de transporte privado de passageiros e a crise econômica nacional. A perda se deve, principalmente, à falta de políticas públicas de financiamento do transporte público e à histórica ausência de infraestrutura para a circulação dos ônibus no sistema viário do País. É um dos piores momentos vividos pelo setor.A situação preocupante foi apresentada durante o Seminário Nacional de Transporte Público, promovido esta semana em Brasília, pela Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU). Os números fazem parte do anuário elaborado pela entidade e revelam a omissão do País em relação à mobilidade urbana. Um exemplo é a constatação de que os investimentos na área foram irrisórios nos últimos dez anos. Apenas 9,4% do que era previsto foi executado. O transporte público, que responde por 80% dos deslocamentos no País, levando e trazendo 280 milhões de passageiros por mês, recebeu R$ 14,2 bilhões, quando o prometido pelos gestores públicos e políticos era de R$ 151,7 bilhões. "" Os dados têm como base nove capitais brasileiras, o Recife entre elas. São números obtidos nas cidades de Belo Horizonte (MG), Curitiba (PR), Fortaleza (CE), Goiânia (GO), Porto Alegre (RS), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA) e São Paulo (SP), além, da capital pernambucana. No Seminário Nacional, a constatação foi de que o transporte público o ônibus ainda mais do que o metrô segue menosprezado no Brasil. A importância dele está no discurso de todos, mas na prática pouco é executado. O desânimo dos números apresentados pela NTU são reflexo da ausência de metas do governo federal para a mobilidade urbana brasileira. O que se comprovou na curta declaração do representante da Casa Civil da Presidência da República Martin Ramos Cavalcanti. Os investimentos na área de mobilidade urbana terão que ser feitos via financiamento ou empréstimo das cidades e estados. O governo federal não tem dinheiro para gastar em projetos inviáveis, como foi feito nas gestões passadas. E não vai viabilizar power-points. Os gestores públicos e o setor empresarial terão que ter projetos de verdade para conseguir recursos, afirmou.LEIA MAISNina Mobile: criamos, mas não temosAlém de não haver perspectiva de que a mobilidade urbana brasileira venha a receber grandes incentivos do governo federal, muito pouco foi feito por ela nos últimos anos. Com relação à evolução dos empreendimentos previstos, o estudo mostra que no ciclo 2018-2019 somente três projetos de priorização do transporte público iniciaram operação no Brasil - um sistema de BRT e uma faixa exclusiva em Niterói (RJ), e outra faixa exclusiva em Curitiba (PR). "" "Temos que correr contra o tempo. Precisamos avançar na infraestrutura e nas políticas públicas a favor do transporte. No mundo todo as pessoas pagam, de alguma forma, pelo transporte público coletivo nas suas cidades. Passageiros ou não do sistema. Só no Brasil que isso não acontece. Todo o transporte é financiado pela tarifa, inclusive as gratuidades, como o estudante e o idoso. O Brasil faz cortesia e é a pessoa mais pobre, que ganha menos e paga a passagem inteira, quem banca. Se faz demagogia e quem paga é o pobre. Precisamos avançar nas discussões de taxar o transporte individual, aí incluídos também os aplicativos de transporte privado de passageiros, para que ele financia o transporte urbano coletivo", afirmou o presidente executivo da NTU, Otávio Vieira da Cunha.O levantamento da NTU apontou que entre 1994 e 2012 a redução de demanda foi de 24,4% e, entre 2013 e 2017, a diminuição foi ainda maior, da ordem de 25,9%. Entre 2017 e 2018 houve uma estabilidade que chegou a animar o setor de transporte público, mas que não significou uma interrupção na redução de passageiros, como a queda verificada em abril deste ano.TODOS PELO TRANSPORTE PÚBLICOPara tentar reverter o cenário de desolação do setor de transporte público, foi lançado durante o Seminário Nacional o documento Construindo hoje o amanhã - propostas para o transporte público e a mobilidade urbana sustentável no Brasil. O documento reúne cinco programas e metas que podem ser referência na área de mobilidade urbana para gestores públicos, operadores e técnicos da área. Defende ações e intervenções que envolvem o setor privado e os diferentes níveis da gestão pública para reduzir o preço da passagem, dar transparência e oferecer infraestrutura para qualificar o serviço. [caption id="attachment_13073" align="aligncenter" width="748"]"" Foto: Diego Nigro/Arquivo JC Imagem[/caption] AS PERDAS DO SETORRedução de passageirosComparação com os meses de abril2013 - 381,1 milhões2014 - 363,8 milhões2015 - 340 milhões2016 - 323,6 milhões2017 - 275 milhões2018 - 293,4 milhões2019 - 280,9 milhõesInvestimento em projetos de transporte pararam no tempoO estudo da NTU mostra que de 2018 para 2019 somente três projetos de priorização do transporte público iniciaram operação no Brasil:1 Sistema de BRT em Niterói (RJ)1 Faixa exclusiva em Niterói (RJ)1 Faixa exclusiva em Curitiba (PR)Embora 248 empreendimentos de prioridade ao transporte público tenham sido iniciados, entre sistemas de BRT, corredores e faixas exclusivasSituação em 2019 dos empreendimentos de priorização do transporte público por ônibusFase de projetosBRT - 45Corredor de ônibus - 88Faixa exclusiva - 20Em obrasBRT - 24Corredor de ônibus - 57Faixa exclusiva - 14Em operaçãoBRT - 26Corredor de ônibus - 52Faixa exclusiva - 136TotalBRT - 95Corredor de ônibus - 197Faixa exclusiva - 1709 cidades como referênciaBelo Horizonte (MG), Curitiba (PR), Fortaleza (CE), Goiânia (GO), Porto Alegre (RS), RECIFE (PE), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA) e São Paulo (SP)Fonte: NTU

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