TRANSPORTE PÚBLICO

Metrô do Recife segue com lotação nos horários de pico, baixa demanda e pouca receita

Embora a oferta tenha sido ampliada para 100%, a concentração de usuários nos horários de pico continua comprometendo as regras de convivência com a covid-19

Roberta Soares
Roberta Soares
Publicado em 04/09/2020 às 8:00
Notícia
JAILTON JUNIOR/JC IMAGEM
Apesar do aperto nos horários de maior movimento, a demanda aumentou menos de 15% e a situação financeira do metrô só complica. Se antes da pandemia a receita mal conseguia cobrir 20% do custo, agora esse percentual caiu pela metade - FOTO: JAILTON JUNIOR/JC IMAGEM
Leitura:

A retomada da operação total do Metrô do Recife, no dia 24/8, trouxe poucos alívios tanto para o sistema quanto para os passageiros. Embora a oferta tenha sido ampliada para 100%, a concentração de usuários nos horários de pico continua comprometendo as regras de convivência com a covid-19. Ao mesmo tempo, apesar do aperto nos horários de maior movimento, a demanda aumentou menos de 15% e a situação financeira do metrô só complica. Se antes da pandemia a receita mal conseguia cobrir 20% do custo, agora esse percentual caiu pela metade.

Por isso a questão do escalonamento das atividades econômicas é tão importante. Precisamos discutir, levar essa lógica adiante. Principalmente agora, nesse momento de pandemia. Se não pulverizarmos esse pico, distribuindo melhor o uso do sistema em horários escalonados, nunca vamos conseguir impedir a concentração
Carlos Fernando Ferreira, superintendente do Metrô do Recife


CBTU/DIVULGAÇÃO
Novo superintendente do Metrô do Recife, o advogado Carlos Fernando Ferreira - CBTU/DIVULGAÇÃO

O metrô está transportando, diariamente, 181 mil passageiros - 47% a menos do pré-pandemia, quando eram 380 mil pessoas. A Linha Centro, como sempre, responde pelo maior volume: 140 mil pessoas por dia. A Linha Sul está recebendo 40 mil e a Linha Diesel (operada pelo VLT), 1 mil. Mesmo com números tão baixos, o sistema tem sofrido com a superlotação concentrada nos picos.

“Por isso a questão do escalonamento das atividades econômicas é tão importante. Precisamos discutir, levar essa lógica adiante. Principalmente agora, nesse momento de pandemia. Se não pulverizarmos esse pico, distribuindo melhor o uso do sistema em horários escalonados, nunca vamos conseguir impedir a concentração”, defende o superintendente do Metrô do Recife, Carlos Fernando Ferreira. O sistema metropolitano, entretanto, segue com intervalos entre as composições de cinco a oito minutos mesmo no horário de pico. São 17 composições em operação nos ramais elétricos - Linhas Centro e Sul.

WELINGTON LIMA/JC IMAGEM
Desde o dia 24/8, os trens voltaram a circular das 5h às 23h, com quase 50 viagens diárias a mais nas duas linhas - WELINGTON LIMA/JC IMAGEM

Sempre foi assim e não mudou. Nem com a pandemia. O intervalo entre os trens ainda é grande e, por isso, as pessoas têm medo de esperar o próximo e se atrasar. Ando de máscara e com medo
Karla Fernanda Silva, empregada doméstica que todos os dias usa o metrô

Quem precisa usar o metrô no auge do pico da manhã, o mais alto do sistema, sofre. Das 6h às 7h as composições andam lotadas, especialmente as da Linha Centro. “Sempre foi assim e não mudou. Nem com a pandemia. O intervalo entre os trens ainda é grande e, por isso, as pessoas têm medo de esperar o próximo e se atrasar. Ando de máscara e com medo”, diz a empregada doméstica Karla Fernanda Silva, que todos os dias usa o metrô. Já as pessoas que podem chegar mais tarde ao trabalho destacam o menor volume de passageiros. “Está bem melhor de viajar. Mesmo com o recomeço das atividades, ainda é menos gente. Está uma maravilha”, afirma a diarista Nilda Maria, que duas vezes por semana segue de Camaragibe para a Estação Joana Bezerra, de onde pega um ônibus para Boa Viagem. Entra no trabalho entre 8h e 8h30.

Thiago Lucas/ Artes JC
Passageiros Transportados Em Agosto/2020 - Thiago Lucas/ Artes JC

RECEITA
Embora receba subsídios para cobrir 85% dos custos da operação, a situação do Metrô do Recife ficou ainda pior porque a receita está ainda mais baixa. Segundo o superintendente, a arrecadação atual tem coberto apenas 10% dos custos, o que terá efeitos negativos no futuro. “Afeta no momento de disputar orçamento junto ao governo federal”, explica Carlos Fernando Ferreira.

Para quem não sabe, 85% do custo do Metrô do Recife é coberto por recursos do governo federal. Apenas 15%, menos de 20%, vêm da tarifa, mesmo após os reajustes que elevaram a passagem de R$ 1,60 para R$ 4 este ano. Toda a arrecadação do sistema vai para uma conta única da União e cabe às superintendências e à administração central da CBTU, no Rio de Janeiro, solicitar o dinheiro federal.

O orçamento passou de R$ 98 milhões em 2019 (o que representa apenas 35% do que o sistema precisava para operar bem e, por isso, foi requisitado) para R$ 101 milhões em 2020 (o equivalente a 51% do que foi pedido). Ou seja, apenas R$ 3 milhões a mais. E são valores que garantem apenas o custeio do sistema. Investimentos não estão incluídos.

WELINGTON LIMA/JC IMAGEM
O metrô está transportando, diariamente, 181 mil passageiros - 47% a menos do pré-pandemia, quando eram 380 mil pessoas - WELINGTON LIMA/JC IMAGEM

O sistema da Região Metropolitana do Recife é um dos cinco sistemas públicos geridos pela Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) que enfrentam dificuldades em esboçar reação e se tornarem eficientes. Tem uma operação cara precisa de, no mínimo, R$ 120 milhões só para o custeio anual , sem considerar os investimentos fundamentais para a expansão e prestação de um serviço melhor. Transporta, em média, 400 mil passageiros por dia e não teve um único quilômetro de trilhos expandido desde 2009, quando a Linha Sul que liga o Centro do Recife ao Sul da Região Metropolitana pelo litoral entrou totalmente em operação.

Citação

Por isso a questão do escalonamento das atividades econômicas é tão importante. Precisamos discutir, levar essa lógica adiante. Principalmente agora, nesse momento de pandemia. Se não pulverizarmos esse pico, distr

Carlos Fernando Ferreira, superintendente do Metrô do Recife
Citação

Sempre foi assim e não mudou. Nem com a pandemia. O intervalo entre os trens ainda é grande e, por isso, as pessoas têm medo de esperar o próximo e se atrasar. Ando de máscara e com medo

Karla Fernanda Silva, empregada doméstica que todos os dias usa o metrô
WELINGTON LIMA/JC IMAGEM
Desde o dia 24/8, os trens voltaram a circular das 5h às 23h, com quase 50 viagens diárias a mais nas duas linhas - FOTO:WELINGTON LIMA/JC IMAGEM
WELINGTON LIMA/JC IMAGEM
O metrô está transportando, diariamente, 181 mil passageiros - 47% a menos do pré-pandemia, quando eram 380 mil pessoas - FOTO:WELINGTON LIMA/JC IMAGEM
CBTU/DIVULGAÇÃO
Novo superintendente do Metrô do Recife, o advogado Carlos Fernando Ferreira - FOTO:CBTU/DIVULGAÇÃO
Thiago Lucas/ Artes JC
Passageiros Transportados Em Agosto/2020 - FOTO:Thiago Lucas/ Artes JC

Comentários

Últimas notícias