SÉRIE JC NAS ESTRADAS

Estrada da Curcurana, no Grande Recife, é desafio diário, principalmente para ciclistas

As bicicletas se multiplicam na rodovia que liga o litoral de Jaboatão dos Guararapes ao município do Cabo de Santo Agostinho, mas são expostas ao perigo

Roberta Soares
Roberta Soares
Publicado em 04/05/2021 às 17:27
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A Coluna Mobilidade está percorrendo alguns dos principais eixos rodoviários da Região Metropolitana do Recife na série de reportagens JC nas Estradas - FOTO: FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM
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JC nas Estradas

A Coluna Mobilidade está percorrendo alguns dos principais eixos rodoviários da Região Metropolitana do Recife na série de reportagens JC nas Estradas. A proposta é mostrar os gargalos viários, o impacto da transformação de muitas dessas estradas em avenidas urbanas para a população, e dentro do possível, fazer sugestões que possam melhorar a infraestrutura.

Confira a série de reportagens JC NAS ESTRADAS

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Para validar as visitas, conta com a parceria de engenheiros do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-PE). Na Estrada da Curcurana, a participação foi do vice-presidente do Crea-PE, Stênio Cuentro, e do consultor em pavimentação e professor do Instituto Federal da Paraíba (IFPB), Sidiclei Magalhães.

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Para validar as visitas, conta com a parceria de engenheiros do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-PE) - FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM

ESTREITA, SEM SEGURANÇA E COM CONFLITOS CONSTANTES

Quem conhece a história da Estrada da Curcurana, em Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife, há de concordar que ela já foi muito, muito pior do que está atualmente. Os trabalhos de recapeamento e drenagem que a Prefeitura de Jaboatão finalizou ainda no fim de 2020, de fato, melhoraram a situação da via, mas ela segue perigosa e necessitando de um projeto que minimize os conflitos entre os veículos e os ciclistas. Protagonista em toda a extensão da Curcurana, a bicicleta é o lado mais frágil do trânsito local.

 

Andamos com muito, muito medo. Precisamos usar a bicicleta porque o custo é menor e porque para circular no bairro ela é fundamental. Mas é arriscado demais. A via é muito estreita e os carros não aliviam para a gente”,
relata a vendedora autônoma Kelly Santana, que desafia a Curcurana diariamente pedalando e ainda levando a filha na cadeirinha.

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Vendedora autônoma Kelly Santana, na Estrada da Curcurana - FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM

Os ciclistas se multiplicam na rodovia que liga o litoral de Jaboatão ao município do Cabo de Santo Agostinho, com acesso à “antiga” BR-101 Sul, em Pontezinha. Só que não contam com nenhum tipo de infraestrutura própria que lhes dê ao menos um metro de tráfego seguro. Ao contrário, são constantemente espremidos e assustados pelo tráfego de veículos que usam a via. São 10 mil veículos diariamente. Muitos são caminhões que usam a rota para evitar o pagamento da via pedagiada que também conecta as duas cidades pelo litoral. O tráfego pesado expõe ainda mais quem usa a bicicleta.

Confira o especial multimídia DESCAMINHOS

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Pedestres também ficam expostos - FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM
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Lixo e desordenamento também fazem parte da estrada - FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM
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Pedestres também sofrem para circular - FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM
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São 10 mil veículos diariamente. Muitos são caminhões que usam a rota para evitar o pagamento da via pedagiada que também conecta as duas cidades pelo litoral - FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM
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Curcurana segue como uma via simples, com uma largura que nem lhe permite ser definida como rodovia - tem duas faixas com menos de três metros, quando o mínimo para a classificação são 3,5 metros por faixa - FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM

E, entre as pessoas que têm na Estrada da Curcurana o principal eixo para ir e vir, a bicicleta é opção de muitos. Seja pela pouca oferta de transporte público, pelo valor da passagem, pelo desemprego da pandemia ou por opção mesmo. Mas o poder público parece não ver esse público e a Curcurana segue como uma via simples, com uma largura que nem lhe permite ser definida como rodovia - tem duas faixas com menos de três metros, quando o mínimo para a classificação são 3,5 metros por faixa - e com a insegurança viária extremamente alta.

O preocupante é que a rodovia tem um volume de tráfego alto para as características que possui, inclusive de acaminhões. A largura inadequada, por exemplo, faz com que apenas 70% de sua capacidade seja utilizada. Há muitas interferências no tráfego também. Não existe, sequer, acostamento ou área de refúgio. A via corta muitas comunidades pobres, que naturalmente usam ainda mais as bicicletas, e falta espaço para essa circulação. É uma rodovia muito perigosa”,
critica o engenheiro Sidiclei Magalhães, consultor em pavimentação e professor do Instituto Federal da Paraíba (IFPB)

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Engenheiro Sidiclei Magalhães, consultor em pavimentação e professor do Instituto Federal da Paraíba (IFPB) - FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM

AÇÕES RECENTES
Pelo menos sob o aspecto do pavimento, a situação da Estrada da Curcurana não é pior porque em outubro de 2020 a Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes concluiu o recapeamento e a drenagem da via. Segundo a Secretaria de Serviços Urbanos do município, os dois quilômetros da estrada foram melhorados, num investimento de R$ 2,3 milhões. Mas, pelo menos por enquanto, não há qualquer estudo para alterar a circulação da via ou duplicá-la.

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