OPINIÃO

A educação brasileira é um verdadeiro "delay"

O ministro da Educação Milton Ribeiro chamou de "delay" a demora do MEC em mandar providenciar internet para estudantes carentes

Romoaldo de Souza
Romoaldo de Souza
Publicado em 18/08/2020 às 6:20
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ISAC NÓBREGA/PR
"Houve um ‘delay’, foi um pouquinho tarde para tomarmos essa iniciativa. Mas vocês têm que concordar conosco que o percurso administrativo que as coisas públicas possuem, e toda a nossa burocracia interna, ela nos torna um pouco mais lentos, e isso naturalmente foi uma das causas pelas quais a gente demorou um pouquinho mais do que aparentemente seria o razoável para poder oferecer isso que nós vamos oferecer", disse o ministro - FOTO: ISAC NÓBREGA/PR
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Na transmissão de áudio e imagem ocorre um fenômeno técnico conhecido como “delay”, que é, assim na linguagem popular, um atraso. É a diferença do tempo entre o envio e o recebimento de uma informação, nos sistemas de comunicação, no rádio, na TV, pelo satélite, na internet.

Não sei se você já acompanhou um jogo de futebol, por exemplo, pela internet, e o seu vizinho assiste a aquela mesma partida pelo rádio. Certamente, o seu vizinho vai comemorar o gol antes que você. Esse é um dos exemplos dessa demorava do grito de gol entre o momento em que Aroldo Costa solta o vozeirão e quando o seu aplicativo reproduz “o maior gol do mundo”. É pequena diferença, mas ela existe. Isso é “delay”.

Pois você acredita que o ministro da Educação Milton Ribeiro chamou de “delay” a demora do MEC em mandar providenciar internet para estudantes carentes, nesses tempos de pandemia?

“Houve um ‘delay’, foi um pouquinho tarde para tomarmos essa iniciativa. Mas vocês têm que concordar conosco que o percurso administrativo que as coisas públicas possuem, e toda a nossa burocracia interna, ela nos torna um pouco mais lentos, e isso naturalmente foi uma das causas pelas quais a gente demorou um pouquinho mais do que aparentemente seria o razoável para poder oferecer isso que nós vamos oferecer”.

Com as aulas suspensas desde março, alunos carentes enfrentam dificuldade para acompanhar aulas remotas, muitos não conseguem ter acesso ao conteúdo para estudo, e alguns sequer têm equipamento para esses procedimentos. Aí, vem o ministro e diz que o MEC “chegou um pouquinho tarde”.

O Ministério da Educação chegou tarde até de mais. Mesmo tendo recebido reclamações de estudantes informando que enfrentavam problemas de conexão à internet, equipamentos ultrapassados, falta de ambiente adequado para o estudo. Tudo isso, fez parte de um documento que a área técnica da Educação concluiu e entregou a Milton Ribeiro logo após sua posse, como um dos principais entraves para as aulas virtuais. Como sempre, a educação brasileira é um verdadeiro delay.

Pense nisso!

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