Opinião

Eleitores brasileiros desenvolveram Síndrome de Estocolmo por seus políticos de estimação

O estado psicológico dos reféns que protegiam os bandidos da polícia, percebido pela primeira vez na Suécia, passou a ser estudado por especialistas do mundo todo

Romoaldo de Souza
Romoaldo de Souza
Publicado em 16/04/2021 às 9:27
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ANTONIO AUGUSTO/ASCOM/TSE
Luís Roberto Barroso vê semipresidencialismo como um antídoto às recorrentes crises do sistema político brasileiro - FOTO: ANTONIO AUGUSTO/ASCOM/TSE
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Em agosto de 1973, a cidade de Estocolmo, na Suécia, ficou paralisada por horas a fio enquanto se desenrolava um conflito entre a tropa de choque da capital do país e uma dupla de assaltantes que recém tinha invadido uma agência bancária. Cessado o tiroteio, a polícia foi forçada a recuar porque os bandidos tinham transformado em reféns, clientes e funcionários do banco.

A surpresa se deu quando os policiais deram início à estratégia para libertar os reféns que logo recusaram a ajuda. Ao contrário passaram a usar o próprio corpo como escudos para proteger os assaltantes. Um dos reféns, após a libertação chegou a criar um fundo para ajudar os assaltantes nas despesas judiciais.

Esse estado psicológico dos reféns que protegiam os bandidos da polícia passou a ser estudado por especialistas do mundo todo como “Síndrome de Estocolmo - Estado psicológico em que o agredido passar a ter empatia, e até sentimento de amizade pelo agressor”.

Do ponto de vista da política, o Brasil está repleto dessa síndrome. Os eleitores acabam por desenvolver um sentimento de proteção de seus políticos de estimação. É como se, deliberadamente, passassem uma borracha nos mal feitos de quem durante anos dilapidou o patrimônio do cidadão, contribuiu para saquear empresas públicas.

Ao contrário daqueles que afirmam que o Brasil padece da síndrome de vira-lata, os especialistas deveriam se debruçar na Síndrome de Estocolmo que assola a consciência dos eleitores brasileiros.

Pense nisso!

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