VIOLÊNCIA POLICIAL

SDS define delegados para apurar agressões em protesto, mas não responde sobre ação desastrosa no Recife

Principal pergunta persiste: Quem deu a ordem ao Batalhão de Choque para avançar e atirar contra os manifestantes?

Raphael Guerra
Raphael Guerra
Publicado em 31/05/2021 às 22:48
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BRUNO CAMPOS/JC IMAGEM
A manifestação ocorreu no último dia 29 de maio - FOTO: BRUNO CAMPOS/JC IMAGEM
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Dois dias após a ação violenta e desastrosa da Polícia Militar de Pernambuco, durante manifestação contra o governo Bolsonaro, na área central do Recife, quase nada foi esclarecido pelo governo do Estado. Secretários de Defesa Social (SDS) permanecem em silêncio e nem a assessoria de comunicação da pasta responde aos questionamentos da imprensa. A principal pergunta persiste: Quem deu a ordem ao Batalhão de Choque para avançar e atirar contra os manifestantes e outras pessoas que circulavam na Ponte Duarte Coelho?

Nesta segunda-feira (31), dois delegados foram designados pela Chefia da Polícia Civil para investigarem os inquéritos instaurados em relação às agressões praticadas contra os manifestantes. Os delegados também vão conduzir as investigações dos dois trabalhadores atingidos com balas de borracha nos olhos no momento em que passavam pela ponte. "Os delegados Breno Maia e Kelly Luna conduzirão as investigações e, com a conclusão dos trabalhos, farão os devidos esclarecimentos à sociedade. Os fatos serão apurados com rigor e de forma isenta", informou nota oficial divulgada pelo governo do Estado.

Em paralelo, a Corregedoria da SDS está conduzindo um procedimento administrativo em desfavor dos PMs. No sábado, o governador Paulo Câmara determinou o afastamento das ruas do oficial que comandou a operação e também dos PMs que atiraram nas vítimas e que jogaram spray de pimenta no rosto da vereadora do Recife Liana Cirne (PT). A agressão à parlamentar ocorreu no momento em que ela tentava dialogar com policiais da Radiopatrulha que estavam dentro da viatura. Depois de ser atingida, ela chegou a cair no chão - como mostrou filmagem feita pelos manifestantes.

Ainda no sábado, o oficial e os quatro PMs da Radiopatrulha prestaram depoimento foram afastados. Ficarão apenas em atividades administrativas até a conclusão do procedimento, que pode acarretar em punições como a exclusão deles da corporação.

Os policiais do Batalhão de Choque que atiraram nos olhos do adesivador Daniel Campelo da Silva, 51, e no arrumador de contêiner Jonas Correia de França, 29, ainda não foram afastados. Segundo informações apuradas pela coluna Ronda JC, o PM que atirou no primeiro teria sido identificado nesta segunda. Já o segundo ainda não.

A manifestação seguia pacífica por toda a manhã do sábado. Foi pouco antes do meio-dia, quando se preparava para concluir o ato, que o grupo foi surpreendido pelos tiros de borracha do Batalhão de Choque. Naquele momento, o secretário da SDS, Antônio de Pádua, e o executivo, Humberto Freire, estavam na Centro Integrado de Comando e Controle Regional (CICCR),onde é possível acompanhar as imagens de todas as câmeras de segurança. Eles estavam lá justamente para monitorar o cumprimento do decreto estadual que proibiu o funcionamento de algumas atividades econômicas no fim de semana para conter a aceleração da covid-19. Pádua, no entanto, não veio a público esclarecer o que fez ao observar a ação violenta dos policiais.

INQUERITO CIVIL

O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) instaurou, ontem, o inquérito civil para apurar os excessos praticados pelos militares, flagrados em diversas imagens que inundaram as redes sociais e causaram indignação pelo País. "O MPPE ressalta que repugna qualquer ato de violência contra manifestações democráticas e não admite qualquer atitude arbitrária dos agentes públicos responsáveis pela garantia da segurança do povo pernambucano", diz nota.

O inquérito será coordenado pelo promotor Westei Conde, da Promotoria de Defesa dos Direitos Humanos e Controle Externo da Atividade Policial.

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