SEGURANÇA

Quem é Humberto Freire, novo secretário de Defesa Social de Pernambuco

Delegado federal assume a SDS após exoneração de Antônio de Pádua

Raphael Guerra
Raphael Guerra
Publicado em 04/06/2021 às 18:46
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SDS/DIVULGAÇÃO
SUBSTITUTO Humberto Freire comandará interinamente a SDS - FOTO: SDS/DIVULGAÇÃO
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O delegado federal Humberto Freire, secretário executivo da Secretaria de Defesa Social (SDS) desde julho de 2017, assume a titularidade interinamente da pasta. O anúncio foi feito pelo governo de Pernambuco após a exoneração do também delegado federal Antônio de Pádua. A mudança ocorre seis dias após o ato desastroso praticado pela Polícia Militar de Pernambuco contra manifestantes na área central do Recife. O então comandante geral da PM, Vanildo Maranhão, também foi exonerado.

Humberto Freire já atuou como chefe de vários departamentos da Polícia Federal em Pernambuco e no Amapá. Em 2013, o delegado federal chegou a ser cedido ao Ministério da Justiça, para exercer o cargo de coordenador de Execução Operacional da Secretaria Extraordinária de Segurança para Grandes Eventos.

Um dos casos de maior repercussão investigados por ele aqui no Estado foi o que resultou na Operação Narke, com indiciamento de 55 pessoas, entre elas 28 médicos pernambucanos, que estariam envolvidas em um esquema de compra, venda e aplicação de toxina botulínica (botox) falsa em pacientes que buscavam tratamento para rejuvenescer. O esquema, que ficou popularmente conhecido como Máfia do Botox, foi desarticulado em abril de 2012.

Freire é graduado em direito pela Universidade Católica de Pernambuco. Como delegado de Polícia Federal, já exerceu as funções de chefe da Delegacia de Controle de Segurança Privada na Superintendência da Polícia Federal no Amapá e chefe substituto na Delegacia de Polícia Federal em Imperatriz (MA). Em 2004, veio para a Superintendência da Polícia Federal em Pernambuco, onde chefiou a Delegacia de Repressão a Entorpecentes, a Delegacia de Repressão aos Crimes Contra o Patrimônio, a Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários, a Coordenação Regional de Segurança de Grandes Eventos e a Representação Regional da Interpol. Também foi chefe da Delegacia de Polícia Federal em Caruaru.

OS DEPOIMENTOS DOS POLICIAIS

Depoimentos de policiais militares na Corregedoria Geral da Secretaria de Defesa Social (SDS) revelam que a ordem para dispersar os manifestantes que fizeram ato, no Recife, contra o governo Bolsonaro, no sábado (29),foi dada ainda enquanto eles estavam no quartel. Um tenente repassou o recado. Os militares do Batalhão de Choque seguiram, em ônibus, até o bairro do Derby, na área central, onde foi marcada a concentração. A ordem era impedir que o grupo saíssem em caminhada pelas ruas. No local, os PMs chegaram a se perfilar, mas os manifestantes já estavam saindo a caminho da Avenida Conde da Boa Vista. A nova ordem recebida: os PMs deveriam voltar ao ônibus. De lá, foram levados para a Ponte Duarte Coelho. Lá, começou a ação violenta e desastrosa.

Segundo os relatos dos policiais, ouvidos em depoimento, um capitão do Batalhão de Choque recebia ordens pelo celular. E repassava aos demais. Quem estava do outro lado da linha, no entanto, é uma incógnita para os PMs. O que eles perceberam é que a pessoa que falava com o capitão acompanhava em tempo real o que acontecia na ponte. O objetivo era claro: dispersar, de vez, a manifestação.

O conteúdo de alguns dos depoimentos dos PMs foi revelado por fontes da SDS à coluna Ronda JC.

O resultado já sabemos: manifestantes feridos e dois trabalhadores, que sequer participavam do ato, foram atingidos nos olhos por bala de borracha e acabaram perdendo a visão. Um deles, inclusive, ainda pediu socorro para policiais que estavam numa viatura. Mas não foi levado para uma unidade de saúde.

MONITORAMENTO

Pouco antes do meio-dia do sábado (29), imagens do Batalhão de Choque avançando contra manifestantes no Centro do Recife começaram a inundar as redes sociais e grupos de WhatsApp. No mesmo horário, o secretário de Defesa Social de Pernambuco, Antônio de Pádua, e o executivo, Humberto Freire, estavam no Centro Integrado de Comando e Controle Regional (CICCR) com comandantes da Polícia Militar. Todos acompanhavam, em tempo real, as câmeras da SDS.

Minutos depois, um vídeo de poucos segundos publicado no Instagram oficial da SDS mostrava a cúpula reunida numa mesa em frente ao telão onde é possível visualizar os principais pontos do Recife - inclusive a área central. Às 12h31, quando várias cenas de violência policial eram publicadas na internet e criticadas, Pádua, ainda no CICCR, concedia entrevista à TV Globo. Tranquilo, mostrava imagens de câmeras da Zona Sul do Recife. "É isso. Todo monitoramento de câmeras da cidade da cidade são feitas aqui (sic). Daqui, observamos o que está acontecendo", declarou o secretário, ao vivo, à repórter Bianka Carvalho. Nenhuma menção foi feita à ação policial no Centro do Recife.

Três dias após o episódio, o governo de Pernambuco exonerou o coronel Vanildo Maranhão, comandante geral da Polícia Militar desde fevereiro de 2017. Ele foi substituído por José Roberto Santana, que exercia até então a posição de diretor de Planejamento Operacional da PMPE.

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