VIOLÊNCIA

SDS demora 30 anos para punir PMs que agrediram garoto, que ficou paraplégico, no Recife

Policiais militares foram excluídos da corporação por crime cometido em 1991. Decisão só foi publicada nesta quarta-feira (02)

Raphael Guerra
Raphael Guerra
Publicado em 02/06/2021 às 15:27
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NE10
Decisão pela punição dos policiais foi assinada pelo secretário de Defesa Social, Antônio de Pádua - FOTO: NE10
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No momento em que se questiona quanto tempo pode demorar para a Secretaria de Defesa Social (SDS) punir com rigor os policiais militares que agiram com violência contra manifestantes que participavam de um ato pacífico, no último sábado (28), na área central do Recife, uma decisão publicada nesta quarta-feira (02) é uma prova de morosidade. Dois cabos da Polícia Militar de Pernambuco - um deles lotado na Radiopatrulha - foram punidos com a exclusão da corporação 30 anos depois de cometeram um crime contra um adolescente de 16 anos no Recife.

De acordo com as investigações, o adolescente andava pela rua quando os policiais fizeram a abordagem e pediram o dinheiro que, supostamente, ele teria roubado de um mercadinho. O garoto disse que não tinha nada, foi revistado, agredido com chutes e levado na viatura. Tempo depois, ele foi tirado do veículo e novamente agredido. Também atingido por tiros. No dia seguinte, quase morto, foi encontrado e socorrido por outros militares que passavam no local. O caso foi em 28 de dezembro de 1991. Em razão da gravidade, a vítima ficou paraplégica. 

Os policiais foram condenados pela Justiça a dez anos de reclusão. A sentença transitou em julgado em 2019. 

No âmbito administrativo, a Corregedoria da SDS opinou pela exclusão dos policiais da corporação. O secretário Antônio de Pádua acolheu e decidiu pela punição. A portaria foi assinada e publicada no Diário Oficial desta quarta-feira (02). 

 

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