INVESTIGAÇÃO

SDS diz que 'não houve morosidade' em relação à exame de homem que ficou cego em protesto no Recife

Daniel Campelo, atingido no olho esquerdo no dia 29 de maio, fará exame de corpo de delito só no dia 28 de junho

Raphael Guerra
Raphael Guerra
Publicado em 23/06/2021 às 9:49
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HUGO MUNIZ / DIVULGAÇÃO
VIOLÊNCIA Daniel Campelo foi atingido no olho durante ação da PM - FOTO: HUGO MUNIZ / DIVULGAÇÃO
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Um dia após a coluna Ronda JC publicar reportagem sobre a demora na realização do exame de corpo de delito no adesivador Daniel Campelo da Silva, de 51 anos, trabalhador atingido no olho e que ficou cego durante ação violenta da Polícia Militar numa manifestação no Recife, a assessoria de imprensa da Secretaria de Defesa Social (SDS) se pronunciou sobre o assunto. Em nota oficial, o órgão alegou que "não houve morosidade'.

"Tão logo foi procurado pelos advogados da parte, na tarde de 21/06, o Instituto de Medicina Legal (IML) agendou a perícia a ser realizada por uma perita médica legista, com formação em Oftalmologia, ofertando atendimento de qualidade e apropriado para uma ocorrência específica de trauma ocular. O IML esteve, desde que manifestantes foram atingidos de forma grave, no dia 29 (de maio), à disposição para a realização das perícias médico-legais".

A nota disse ainda que Daniel "não pode ser periciado no dia do ferimento porque ficou internado. Logo após receber alta médica, foi feito o encaminhamento ao IML. Como a realização das perícias dependeu do quadro de saúde, não houve, como leva a crer a matéria, morosidade ou qualquer limitação por parte dos órgãos de segurança envolvidos no caso". O texto afirmou ainda que Daniel prestou depoimento à polícia no dia 14. 

Como a coluna mostrou nessa terça-feira (22), Daniel só passará por exames no próximo dia 28 de junho, ou seja, 30 dias após ser atingido no olho esquerdo. Ainda não se sabe, inclusive, se o ferimento foi causado por bala de borracha ou fragmento de granada - ambas usados por policiais militares para dispersar o protesto. 

A data do exame no IML foi confirmada pelo advogado de Daniel, Marcellus Ugiette. Segundo ele, a data foi agendada durante um reunião com a direção do instituto. Sobre a demora, Ugiette disse que vai levar o histórico de exames feitos no Hospital da Restauração, onde Daniel chegou a ser internado, para ajudar no laudo do IML.

Em relação ao caso do arrumador de contêiner Jonas Correia de França, 29, que perdeu a visão também, já ficou claro que ele foi atingido por bala de borracha. As filmagens mostram isso. A vítima já passou por exame de corpo de delito e também já prestou depoimento. 

INVESTIGAÇÕES

As investigações sobre a atuação dos policiais militares na manifestação estão sendo conduzidas pela Polícia Civil (no âmbito criminal) e pela Corregedoria da SDS (no âmbito administrativo), mas ainda não há prazo para conclusão. Na corregedoria, há nove procedimentos em andamento. E 16 PMs lotados no Batalhão de Choque e na Radiopatrulha foram afastados das funções, inclusive o suspeito de atirar em Jonas. O policial foi afastado da corporação por 120 dias, por determinação do secretário de Defesa Social.

INDENIZAÇÕES

Em paralelo às investigações, o governo de Pernambuco está em negociação para pagar uma indenização vitalícia às duas vítimas, que não participavam da manifestação. Além disso, durante três meses, o governo vai pagar dois salários mínimos a cada um. A Procuradoria-Geral do Estado (PGE), no Recife, está acompanhando tudo.

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