Segurança pública

Com suposto "toque recolher" no Cabo de Santo Agostinho, PM deve reforçar segurança na cidade

Clima é de medo por causa de guerra entre facções rivais no município

Raphael Guerra
Raphael Guerra
Publicado em 28/10/2021 às 8:07
TV JORNAL/REPRODUÇÃO
INSEGURANÇA Grupos criminosos que atuam no município estão assustando os moradores, que cobram mais policiamento nas ruas - FOTO: TV JORNAL/REPRODUÇÃO
Leitura:

Mensagens compartilhadas nas redes sociais, sugerindo que algumas localidades do município do Cabo de Santo Agostinho, na Região Metropolitana do Recife (RMR), estão passando por "toque de recolher" à noite, por causa da guerra entre facções rivais, levaram Polícia Militar de Pernambuco a anunciar, na quarta-feira (27), reforço de policiamento na região. Já a Secretaria de Defesa Social da cidade promete um novo plano para ampliar a segurança dos moradores.

O clima de insegurança no Cabo, provocado pelo aumento de homicídios desde setembro, se intensificou ainda mais após o corpo do cantor de brega-funk pernambucano João Victor da Silva Amorim, 23 anos, conhecido como MC Pittbull da Firma, morto no último domingo, ter sido desenterrado e queimado no cemitério por criminosos, no dia seguinte. Eles ainda compartilharam um vídeo com o cadáver em chamas.

"Atenção Gaibu, vamos entrar em guerra. A maior chacina vai acontecer por esses dias na cidade do Cabo. Vocês não viram morte ainda, como vão ver nestes dias. Pitbull, não vai ficar assim. Já sabemos quem fez tudo. Todos que estão envolvidos vão pagar (...) O bonde vai te fazer uma visita, assinado: morte", diz o trecho de uma das mensagens que circulam em grupos de WhatsApp.

Além disso, o suposto toque de recolher está sendo divulgado pelo Instagram, orientando os moradores dos bairros de Gaibu, Garapu e São Francisco a não saírem de casa das 18h às 5h. "Por causa de um, todos pagam", afirma outra mensagem.

 

REPRODUÇÃO/INSTAGRAM
CRUELDADE Corpo do MC Pitbull foi retirado de túmulo e queimado - REPRODUÇÃO/INSTAGRAM

Assustados, os moradores contaram à reportagem da TV Jornal que têm evitado sair de casa à noite. "Estamos com muito medo. Precisamos da polícia, para que aumente o policiamento para nos proteger. As coisas estão difíceis. É preciso um socorro para Gaibu", disse uma moradora que não quis se identificar.

O comércio no local também está sendo afetado pela insegurança. "O medo é grande, mas a gente tem que vir trabalhar", destacou um comerciante. Ele ressaltou a necessidade de um núcleo de polícia. "Quando tinha o núcleo havia morte, mas poucas. Agora está demais", completou.

Uma outra comerciante, que também não se identificou, disse que a insegurança vem afastando os turistas. "Muitas pessoas ficam com medo. O sonho é ter a guarita da polícia restaurada para ter segurança de policiamento 24 horas em Gaibu", disse.

Em nota, a Polícia Militar informou que "diante da denúncia, o comandante do batalhão está intensificando o policiamento e monitorando a região". Destacou, ainda que "foram feitas diversas prisões e apreensões recentes na cidade".

No mês passado, o Cabo de Santo Agostinho registrou 23 assassinatos. Esse foi o maior número em um único mês desde abril de 2008. Entre o último domingo e a segunda-feira, ao menos quatro pessoas foram mortas (incluindo o MC).

PLANO

O secretário municipal de Defesa Social, Pablo de Carvalho, anunciou que o trabalho da Rondas Ostensiva Municipal (Romu) foram intensificadas em pontos mais críticos da cidade. Um plano de enfrentamento também está em tramitação para que a gestão solicite ao Estado ações que gerem mais segurança. Na próxima semana, a prefeitura também deve anunciar um número de telefone para que a população faça denúncias - algo similar a um Disque-Denúncia.

Comentários

Últimas notícias