VINGANÇA

"Vamos entrar em guerra": após morte de MC, mensagens nas redes sociais prometem chacina no Cabo de Santo Agostinho

João Victor, conhecido como MC Pitt Bull da Firma, foi morto na madrugada do último domingo (24) e seu corpo, que havia sido sepultado, foi desenterrado e incendiado na segunda-feira (26)

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Publicado em 27/10/2021 às 10:03
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INVESTIGAÇÃO Corpo do MC Pitbull da Firma foi retirado de túmulo e queimado em cemitério na segunda-feira - FOTO: REPRODUÇÃO/INSTAGRAM
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Atualizada às 18h15

Após o assassinato do cantor de brega-funk pernambucano João Victor da Silva Amorim, 23 anos, conhecido como MC Pitt Bull da Firma, na madrugada do último domingo (24), mensagens com promessas de vingança e chacinas em bairros do município de Cabo de Santo Agostinho, no Grande Recife, estão circulando nas redes sociais. O crime aconteceu próximo à Avenida Laura Cavalcante em Gaibu, e um dia depois, o corpo do rapaz, que havia sido sepultado no Cemitério São José, foi desenterrado e incendiado.

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"Atenção Gaibu, vamos entrar em guerra. A maior chacina vai acontecer por esses dias na cidade do Cabo. Vocês não viram morte ainda, como vão ver nestes dias. Pitbull, não vai ficar assim. Já sabemos quem fez tudo. Todos que estão envolvidos vão pagar (...) O bonde vai te fazer uma visita, assinado: morte", diz trecho de uma das mensagens.

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As mensagens vêm circulando nas redes sociais - Divulgação

De acordo com os recados, os alvos desta suposta chacina seriam apenas os responsáveis pela morte do MC. Apesar disso, as mensagens enfatizam que se a polícia tentar intervir, também será alvo da violência. "Polícia, se bater de frente, vai levar também! Vamos fazer o mesmo que fizeram com o Pitbull". 

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Além disso, um suposto toque de recolher está sendo divulgado pelo Instagram, orientando os moradores dos bairros de Gaibu, Garapu e São Francisco a não saírem de casa das 18h às 5h. "Por causa de um, todos pagam".

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As mensagens vêm circulando nas redes sociais - Divulgação

Assustados, os moradores dos bairros citados contaram à reportagem da TV Jornal que têm evitado sair de casa nos horários informados pelas mensagens. "Estamos com muito medo e precisamos da polícia, para que aumente o policiamento para nos proteger. As coisas estão difíceis, é preciso um socorro para Gaibu", disse uma moradora que não quis se identificar.

A reivindicação, agora, é que a Polícia Militar reative um núcleo de policiamento que há anos está sem funcionar. "Aqui, o que mais está precisando é de segurança. O posto policial de antes ajudava muito os moradores, porque ter policiamento 24h é diferente de só contar com rondas. Todos os moradores e pessoas que vêm para a praia de Gaibu só quer segurança", desabafou uma outra residente do bairro, que também não quis ser identificada.

O comércio no local também está sendo afetado pela insegurança. Trabalhadores comentaram o clima. "O medo é grande, mas a gente tem que vir trabalhar", destacou um comerciante. Ele ressaltou a necessidade do núcleo de polícia. "Quando tinha o núcleo havia morte, mas poucas. Agora está demais", completou.

Uma outra comerciante, que também preferiu não se identificar, disse que as a insegurança vem afastando os turistas. "Muitas pessoas ficam com medo, pois não tem segurança, afasta o turista e pessoas que moram aqui estão se mudando. O sonho é ter a guarita da polícia restaurada para ter segurança de policiamento 24 horas em Gaibu", disse.

Questionada a respeito, a PM informou, por meio de nota do 18ºBPM, que não existe confirmação do suposto toque de recolher na área. Entretanto, a polícia afirma que, diante da denúncia, o comandante do batalhão vai intensificar o policiamento e monitoramento na região.

"Inclusive, foram feitas diversas prisões e apreensões recentes na cidade. Policiais militares do 18º BPM prenderam, na tarde de ontem (26), no bairro de Sapulcaia, um homem de 24 anos suspeito de ter participado da vilipendia de um cadáver no cemitério do Cabo. No momento da prisão, ele estava com tornozeleira eletrônica e foi encaminhado para a Delegacia do Cabo para serem tomadas as medidas necessárias. Além disso, na manhã desta quarta(27), na zona rural do Cabo de Santo Agostinho, um suposto homicida de alta periculosidade também foi capturado e levado para a DP da localidade. Só nesse mês de outubro, nove armas foram apreendidas e houve uma redução de 9% nos índices de Crimes Violentos Contra o Patrimônio e dos Crimes Violentos Letais e Intencionais, em relação ao mesmo período do ano passado", dia a polícia na nota.

A Polícia Civil de Pernambuco (PC-PE) não se pronunciou. Apenas informou, em nota, que investiga a morte de João Victor e a abertura de seu túmulo. "Polícia Civil de Pernambuco, por meio da 14a Delegacia de Polícia de Homicídios, segue investigando o homicídio de um homem de 23 anos, registrado na madrugada do último domingo (24), em Gaibu, no Cabo de Santo Agostinho. Também está em investigação o fato do túmulo da vítima ter sido aberto. Mais detalhes não podem ser fornecidos no momento para não comprometer o andamento das diligências", escreveu a corporação. 

O caso

João Victor, mais conhecido como MC Pitbull, foi morto no último domingo. De acordo com testemunhas, seis disparos foram ouvidos na noite do crime. A vítima vinha sofrendo ameaças pelas redes sociais, segundo ele, por ser confundido com outro rapaz envolvido em um homicídio. O MC chegou a fazer uma corrente para pedir ajuda de seus fãs e amigos.

Após o crime, o corpo do cantor de brega-funk foi velado por familiares e amigos no Cemitério São José, no Cabo de Santo Agostinho. No entanto, o túmulo foi violado e o corpo queimado na segunda-feira (25).

Procurada pelo JC, a assessoria do MC preferiu não comentar sobre o caso, apenas afirmou que a família está em choque com a morte do rapaz. O artista tinha um show marcado para o próximo dia 6 de novembro.

Questionada pela TV Jornal, a Secretaria de Defesa Social do Cabo disse que rondas diárias são realizadas pela Guarda Municipal e Polícia Militar no cemitério e que será instaurado procedimento interno para averiguar o caso.

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