CRIMINALIDADE

Goiana, na Mata Norte de Pernambuco, tem mês mais violento dos últimos 14 anos

Polícia diz que grupos criminosos de outros Estados, a exemplo da Paraíba, estão tentando se instalar em Goiana

Raphael Guerra
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Raphael Guerra
Publicado em 18/04/2022 às 18:16 | Atualizado em 18/04/2022 às 18:33
WELINGTON LIMA/JC IMAGEM
O município de Goiana fica a 63 quilômetros do Recife - FOTO: WELINGTON LIMA/JC IMAGEM
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O crescimento da violência no município de Goiana, na Mata Norte de Pernambuco, está preocupando os moradores e desafiando a polícia. No último mês de março, nove pessoas foram assassinadas. É o pior resultado desde janeiro de 2008, quando dez homicídios foram contabilizados pela Secretaria de Defesa Social (SDS). 

Para se ter uma ideia, em fevereiro deste ano não houve registro de mortes em Goiana. Já no mês seguinte, houve o salto para nove casos. No total, somados os três primeiros meses de 2022, a cidade registrou 14 mortes violentas. Já no mesmo período de 2021, foram 13. 

Uma das vítimas da violência foi um homem de 24 anos, que foi morto a tiros em um bar na praia de Ponta de Pedras, em 20 de março deste ano. De acordo com a polícia, o rapaz estava bebendo quando criminosos se aproximaram e atiraram contra ele. A vítima ainda tentou fugir, mas acabou atingida e morreu na areia da praia. 

A SDS afirma que os homicídios em março de 2022 têm relação com tráfico de drogas e a disputa desses grupos criminosos por territórios.

"É importante esclarecer que líderes do tráfico em Goiana foram presos e quadrilhas foram desarticuladas. O enfraquecimento de grupos gerou uma oportunidade para traficantes de outros Estados, principalmente da Paraíba, que estão tentando se instalar na área, confrontando criminosos locais que restaram em algumas comunidades", explica, em nota, a SDS. 

COMBATE AOS CRIMES

Também em nota, a SDS diz que as forças de segurança em Goiana, território de atuação da 16ª Delegacia de Homicídios e da 3ª Companhia da PMPE, estão desenvolvendo ações para fazer os homicídios voltarem a cair na cidade. 

"A Polícia Civil está trabalhando em duas frentes: a celeridade na resolução dos casos e prisões de homicidas. Todos os homicídios estão sendo investigados com rigor, com oito inquéritos já concluídos, com indicação de autoria, e os outros devem ser esclarecidos nos próximos dias".

Em relação ao reforço de policiamento, tão cobrado pela população, a SDS afirma que a 3ª CIPM efetivou um planejamento focado em áreas aquecidas. Na região litorânea de Goiana, principalmente no distrito de Ponta de Pedras, lançamentos extras foram feitos.

"A cidade também passou a ser recoberta tanto pelo Gati e por equipes do Bepi, BPRV, Lei Seca e Cipoma. Esse trabalho resultou na recuperação de armas de fogo, o que colaborou para a retomada da retomada da normalidade e esfriamento da área", conclui a nota. 

VIOLÊNCIA CRESCE EM PERNAMBUCO

Somente nos três primeiros meses de 2022, Pernambuco já acumula 965 homicídios. Isso significa que, em média, 10,7 pessoas foram mortas por dia. Os dados, divulgados pela SDS, são ainda mais preocupantes porque revelam aumento de 16,5% em relação ao mesmo período de 2021, quando 828 assassinatos foram confirmados.

No último mês de março, Pernambuco somou 346 homicídios. É o pior resultado desde maio de 2020, quando 351 pessoas foram mortas. Em comparação com março de 2021, o aumento foi de 26,7%. Foram 73 assassinatos a mais.

Uma das vítimas da violência foi a menina Heloysa Gabrielly, de 6 anos, que foi baleada durante perseguição de policiais militares do Batalhão de Operações Especiais (Bope) a um suspeito que estava numa moto na comunidade de Salinas, em Porto de Galinhas, Litoral Sul de Pernambuco. A morte ocorreu na tarde do dia 30 de março. A Polícia Civil ainda não esclareceu quem atirou na menina.

Por meio de nota, a Secretaria de Defesa Social (SDS) comentou o crescimento dos homicídios.

"Mapeamos as áreas que apresentaram aquecimento das manchas criminais no 1º trimestre, intensificamos a atuação nesses focos e já percebemos uma reversão de cenário em diversas Áreas Integradas de Segurança, a exemplo da AIS-10 (Cabo de Santo Agostinho e Ipojuca), onde mantemos a Operação Porto Seguro, responsável pela garantia da tranquilidade nessa importante região do Litoral Sul. Vamos manter o combate às facções criminosas. Mais de 80% dos homicídios têm como motivação o tráfico de drogas, e manteremos forte o trabalho de desarticulação e descapitalização desses grupos."

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