SAÚDE

Predominância de casos leves do novo coronavírus em Pernambuco inquieta os especialistas

A maior fatia dos casos confirmados para a covid-19 em Pernambuco nos últimos três dias é registrada como pessoas com sintomas leves

Cinthya Leite
Cinthya Leite
Publicado em 19/06/2020 às 7:51
Entrevista
BERNARDO PORTELLA/FIOCRUZ
A partir de amostras coletadas no início da pandemia no estado, a pesquisa identificou pelo menos duas introduções de linhagens europeias - FOTO: BERNARDO PORTELLA/FIOCRUZ
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Indicadores de avaliação da epidemia de covid-19 em Pernambuco sugerem uma tendência de queda nas mortes e uma estabilidade de casos. O acumulado dos últimos três dias, contudo, traz a confirmação de 3.119 pessoas que tiveram resultado laboratorial positivo para a infecção. A maior fatia desses casos é registrada como pessoas com sintomas leves, mas não devemos nos acostumar com essas estatísticas e deixar de lado a dimensão das confirmações que não são de quadros graves. A predominância dos casos leves, dia após dia, também inquieta os especialistas. Entre esses registros, na terça-feira (16), foram 761 pessoas com teste positivo, mais 858 na quarta-feira (17) e outras 1.028 nessa quinta-feira (18).

Esses casos leves também podem interferir no controle da curva epidêmica. “São pessoas que consideramos agentes transmissores do coronavírus. Além disso, ficamos preocupados porque essa aparente estabilização que estamos vendo, com diminuição da demanda por ambulâncias, além da redução de caso e óbitos, pode ser apenas um degrau da curva que a gente alcançou e não necessariamente vai deixar de subir”, ressalta o epidemiologista Rafael Moreira, pesquisador da Fiocruz Pernambuco e professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Ele frisa que, mesmo nesse cenário de retomada das atividades socioeconômicas, previstas no plano de convivência com a covid-19 do Estado, a população deve manter as normas de distanciamento social.

Para Rafael, a preocupação com os casos leves de covid-19 é legítima. “Eles não deixam de ser agentes de transmissão para a população que possui comorbidades (doenças preexistentes, como hipertensão, diabetes e problema renal, apenas para citar alguns exemplos). Ou seja, é um grupo que tem maior chance de, ao se infectar, evoluir com gravidade. Por mais que existam vagas em unidade de terapia intensiva (UTI), a chance de salvação do paciente internado não é de 100%. É uma condição acompanhada de um risco de óbito.”

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Com esse depoimento, ele chama a atenção da sociedade para algo que tem sido bastante difundido: a queda na taxa de ocupação dos leitos de UTI dia após dia em Pernambuco. “O fato de ter essas vagas não representa que está tudo em paz. O leito disponível é um bom indicador de resposta à pandemia, mas não representa um bom indicador para baixar a guarda ou suspender medidas de isolamento social, controle e prevenção”, complementa Rafael.

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