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Coronavírus: "O pico da pediatria ainda está por vir", diz vice-presidente do Cremepe

Para Fernando OIiveira, o momento mais delicado para crianças ainda vai ocorrer, especialmente se o retorno às aulas presenciais não seguir um protocolo rígido

Cinthya Leite
Cinthya Leite
Publicado em 27/08/2020 às 0:09
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Para Fernando Oliveira, o aumento da demanda por leitos pediátricos é reflexo da maior exposição das crianças ao vírus - FOTO: DIVULGAÇÃO
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Para o pediatra Fernando Oliveira, 2º vice-presidente do Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe), o aumento da demanda por leitos pediátricos é reflexo da maior exposição das crianças ao vírus, devido à retomada das atividades durante o atual processo de reabertura socioeconômica. "Basta perceber que, no fim de semana, as praias, o Bairro do Recife e outros locais aparecem com muitas pessoas se aglomerando. As crianças, que estavam em casa nos primeiros meses da pandemia, voltam a sair com seus pais. Mas o pico da pediatria ainda está por vir, especialmente se o retorno às aulas presenciais não seguir um protocolo rígido", alerta Fernando.

O médico acrescenta que a reunião, nesta sexta-feira (28), com o secretário de Saúde de Pernambuco, André Longo, será essencial para discutir e definir o que o Estado deve ter como prioridade, neste momento, para os pacientes da pediatria. "Nos últimos anos, não tivemos abertura de leitos para esse público. O Estado precisa garantir as novas dez vagas de terapia intensiva (UTI) que foram previstas no Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc). Além disso, as crianças que adoecem precisam ser logo testadas (para se ter certeza do diagnóstico e fazer o encaminhamento para o leito adequado). E vamos precisar de médicos pediatras intensivistas, o que é difícil", ressalta.

Na terça-feira (25), em coletiva de imprensa transmitida pela internet, André Longo informou que há mais de 100 leitos, sendo 37 de UTI, voltados para criancas e bebês com quadros respiratórios em Pernambuco. "Atualmente a ocupação média dessas vagas está em 64%, e estamos avaliando a possibilidade de ampliação de novos leitos nos serviços de referência para covid-19."

O secretário também frisou que ninguém está imune à infecção pelo novo coronavírus. "Todos podem se tornar vitimas da doença, até mesmo as crianças. Por isso, devemos seguir as regras de educação sanitária, como a lavagem das mãos, o distanciamento social e o uso de máscaras", destacou. O secretário ainda acrescentou que, nos nove casos notificados no Estado da síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica decorrente da covid-19, estão a menina que foi a óbito, sete crianças que tiveram alta hospitalar e uma que permanece internada. No dia 6 deste mês, o Estado divulgou os dois primeiros casos da síndrome, que tem como sintomas febre persistente, pressão baixa, conjuntivite, manchas no corpo, diarreia, dor abdominal, náuseas, vômitos e comprometimento respiratório entre outros sinais.

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