PANDEMIA

OMS busca maneira de construir um mundo pós-covid

Chefes de Estado e de Governo se reúnem de forma virtual na 74ª Assembleia Mundial da Saúde, para apresentar suas ideias para conter a covid-19

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Publicado em 24/05/2021 às 11:41
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"Estamos em guerra contra um vírus. Precisamos da lógica e da urgência de uma economia de guerra para aumentar a capacidade das nossas armas", afirmou o secretário-geral da ONU, António Guterres. - FOTO: FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM
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Chefes de Estado e de Governo, a ONU e a OMS apresentaram nesta segunda-feira (24) suas ideias para conter a covid-19 e preparar a resposta para as próximas pandemias, no início da 74ª Assembleia Mundial da Saúde, em Genebra.

Esta Assembleia, de 24 de maio a 1º de junho, é realizada virtualmente, enquanto a comunidade internacional tenta acelerar a vacinação em países pobres, para acabar com uma pandemia que continua causando grande devastação.

"Estamos em guerra contra um vírus. Precisamos da lógica e da urgência de uma economia de guerra para aumentar a capacidade das nossas armas", afirmou o secretário-geral da ONU, António Guterres, no início da reunião.

O principal desafio da assembleia, "o mais importante da história da OMS" - segundo o chefe da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus - é a reforma da agência e a sua capacidade de coordenar respostas às crises globais de saúde.

Vários países, especialmente da Europa, estão clamando por uma organização mais poderosa, com a capacidade de realizar investigações independentes e com melhor dotação financeira. Apenas 16% de seu orçamento vem de contribuições obrigatórias dos Estados.

A OMS "deve ser o coração, a bússola de nossa saúde global", disse o presidente francês Emmanuel Macron à Assembleia.

A chanceler alemã, Angela Merkel, enfatizou que "a prioridade é permitir que o mundo responda às ameaças pandêmicas o mais rápido possível" e apoiou a ideia de criar um Conselho Mundial de Ameaças à Saúde para melhorar a prevenção e as respostas.

Vários relatórios de especialistas, encomendados pela OMS, apelam a amplas reformas do sistema de alerta e prevenção para evitar outro fiasco sanitário.

Também pedem que a OMS possa investigar por conta própria em caso de crise, sem ter que esperar a autorização dos países, embora essa proposta possa ser contida pela suscetibilidade de alguns Estados.

A OMS não pode realizar investigações por conta própria em um país. Foram meses de negociações com a China para que uma equipe de cientistas independentes, enviada por esta agência da ONU, pudesse viajar para estudar a origem da covid-19 no centro do gigante asiático.

 


Um dos relatórios pede que a autoridade do diretor-geral da OMS seja reforçada por um único mandato de sete anos (contra um mandato de cinco anos renovável), sem possibilidade de reeleição, para evitar pressões políticas.

O texto também pede que o chefe da OMS faça propostas para melhorar o sistema de alerta por meio de um possível dispositivo regional.

Durante a assembleia, os 194 membros da OMS terão que decidir se iniciam negociações para estabelecer um tratado sobre pandemias, voltado para melhor enfrentar as crises futuras e evitar que cada um aja de sua própria maneira diante de uma epidemia.

Longe de ter gerado uma onda de solidariedade, a crise da covid-19 aumentou as tensões.

A desigualdade em relação a vacinação e a questão do acesso a medicamentos também serão temas debatidos esta semana.

"Com o apoio ativo da OMC (Organização Mundial do Comércio) será necessário eliminar todos os obstáculos que impedem a produção de vacinas", destacou, nesse sentido, o chefe de Governo espanhol, Pedro Sanchez.

 

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