IMUNIZAÇÃO

Covid-19: Por que a vacina da AstraZeneca causa reações? Existe algum risco? Entenda

Testes realizados no Brasil mostraram que o imunizante em questão garante 79% de eficácia em casos sintomáticos da doença que já matou, até esta quinta-feira (3), mais de 468 mil pessoas no país, mas pode, como qualquer outro, trazer efeitos adversos

JC
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Publicado em 03/06/2021 às 12:18
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TOMAZ SILVA/AGÊNCIA BRASIL
Vacina de Oxford/AstraZeneca, da Fiocruz, é feita com vetor viral vivo que não tem capacidade de se multiplicar no hospedeiro - FOTO: TOMAZ SILVA/AGÊNCIA BRASIL
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Nas redes sociais, são constantes os relatos bem humorados de pessoas que tiveram efeitos colaterais leves após terem tomado a vacina contra a covid-19, principalmente a fabricada pela Astrazeneca/Oxford. Testes realizados no Brasil mostraram que o imunizante em questão garante 79% de eficácia em casos sintomáticos da doença que já matou, até esta quinta-feira (3), mais de 468 mil pessoas só no país, mas pode, como qualquer outro, trazer efeitos adversos, segundo a infectologista Vera Magalhães.

“É muito comum que os vacinados tenham efeitos adversos leves, como dor no local da aplicação, febre, calafrio e diarreia, que ocorrem nas primeiras 24h após a aplicação”, disse a especialista, que esclareceu: "quando a gente indica a vacina, sempre fazemos avaliação do risco benefício, e nesse caso o benefício suplanta em muito o risco”.

Foi o caso de diversos internautas que relataram reações à vacina. Confira alguns comentários:

Segundo a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a vacina de Oxford/AstraZeneca, da Fiocruz, é feita com vetor viral vivo que não tem capacidade de se multiplicar no hospedeiro. "O que acontece é o seguinte: quando uma pessoa é imunizada, o vetor viral entra nas células e se comporta como vírus vivo, causa uma infecção, mas não completa o ciclo viral, portanto ele é considerado não replicativo. Ao entrar nas células e provocar uma infecção viral, ele expressa as proteínas que são dele, um adenovírus, e um gene recombinante que codifica a proteína S do Sars–CoV–2".

Em abril, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) publicou um relatório que confirma uma relação entre a vacina Vaxzevria, de AstraZeneca e Universidade de Oxford, e o risco de trombose. A descoberta causou burburinho, mas, segundo dados da própria instituição, houve apenas 222 notificações de trombose no cérebro ou no abdômen num universo de 34 milhões de pessoas vacinadas. O que significa, portanto, que 0,0006% dos imunizados tiveram o efeito colateral.

Vera Magalhães esclareceu que a covid-19 é uma doença que por si só pode causar a trombose, e que a baixa frequência de casos em imunizados é semelhante, inclusive, à de jovens mulheres que tomam anticoncepcional. “O que temos que analisar é a gravidade da covid. É melhor tomar a vacina mesmo com o risco raríssimo de desenvolver um efeito adverso mais grave”, disse.

Os raros fenômenos tromboembólicos podem acontecer, segundo a infectologista, no 7º ou 8º dia após a imunização. “Se sentir efeitos adversos graves, dor de cabeça muito forte ou dor abdominal, deve-se procurar um hospital”, orientou.

A Secretaria de Saúde do Governo de Pernambuco (SES-PE) orientou que todos os eventos, sejam graves ou não, bem como os erros de imunizações, devem ser notificados através do e-SUS Notifica, no link https://notifica.saude.gov.br/login. No último mês, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) voltou a alertar para a importância de profissionais de saúde e cidadãos comunicarem eventuais reações a medicamentos ou vacinas através do VigiMed, sistema gratuito de informações que pode ser acessado a partir da página da Anvisa, na internet.

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