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Covid-19: variante gama é predominante em Caruaru, no Agreste de Pernambuco; monitoramento segue em busca de novas cepas

Resultados de primeiro relatório sobre sequenciamento genômico do novo coronavírus na cidade do Agreste pernambucano revela que maioria das amostras apresentam mutações características da variante gama

Cinthya Leite
Cinthya Leite
Publicado em 07/06/2021 às 20:18
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RODRIGO BUENDIA/AFP
Vacina Versamune está com a fase de testes autorizada pela Anvisa - FOTO: RODRIGO BUENDIA/AFP
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O aumento do número de casos da covid-19 no Agreste pernambucano fez a Prefeitura de Caruaru assinar um convênio com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) para a realização de um monitoramento epidemiológico de variantes do novo coronavírus para melhor controle da pandemia. Até o momento, foram enviadas, ao Núcleo de Pesquisa em Inovação Terapêutica – Suely Galdino (NUPIT-SG), 48 amostras de pessoas de Caruaru (47) e Toritama (1), todos com sintomas da covid-19. Os pacientes estavam internados em hospitais das cidades. Desses, 29 amostras foram selecionadas para a realização do sequenciamento, com apoio de pesquisadores do Instituto Aggeu Magalhães.

Foi possível sequenciar 27 amostras. Dessas, 26 apresentaram mutações características da variante gama, originária de Manaus e também conhecida como P.1. “A predominância da variante P.1 do SARS-CoV-2 (novo coronavírus) na região do Agreste de Pernambuco é preocupante, em função da presença de mutações que resultam na maior transmissibilidade. Essa variante geralmente provoca quadros mais graves, o que justifica o seu predomínio nos casos avaliados de Caruaru, onde todos os pacientes tinham alterações respiratórias, com demanda de oxigênio”, explicou a professora Michelly Pereira, pesquisadora do Núcleo de Pesquisa em Inovação Terapêutica – Suely Galdino (NUPIT-SG). 

Para o reitor da UFPE, Alfredo Gomes, "a parceria busca evidências científicas para responder à emergência em saúde pública, e no seu enfrentamento. Resultados como estes reiteram a relevância da UFPE para o nosso estado e a vida das pessoas, demonstrando mais uma vez o papel das universidades públicas no servir à sociedade".

De acordo com a prefeita de Caruaru, Raquel Lyra, investigar o comportamento do vírus pode ajudar nas estratégias para a contenção da doença. “A partir do momento que a gente tem esse detalhamento, entendemos melhor o comportamento do vírus, sua transmissibilidade e mudança de comportamento sintomático que pode causar nas pessoas infectadas. Quanto mais a gente entende a doença, mais poderemos ter caminhos para evitá-la ou tratá-la”, pontuou.

Ainda de acordo com o relatório, estudos indicam uma alta taxa de mortalidade relacionada à infecção da variante P.1, especialmente devido à superlotação das unidades de terapia intensiva, o que confirma a gravidade da situação dos municípios da região. Em Caruaru, há uma elevação permanente no número de reinfecções, especialmente nos últimos 90 dias, o que pode ser um forte indicativo da presença de outras variantes. “É de extrema urgência a ampliação da cobertura de imunização para a região do Agreste para tentar conter o avanço dos casos de contaminação e salvar vidas”, disse o professor Valdir Balbino, pesquisador do Laboratório de Bioinformática e Biologia Evolutiva (Labbe).

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