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Covid-19: em Pernambuco, secretário critica recuo na vacinação de adolescentes sem comorbidades e diz que Estado continua a imunizá-los

André Longo destaca que, até o momento, não há manifestação contrária da Anvisa sobre a aplicação da Pfizer em adolescentes

Cinthya Leite
Cinthya Leite
Publicado em 16/09/2021 às 16:51
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HEUDES REGIS/SEI
Secretário de Saúde de Pernambuco, André Longo, participa de entrevista coletiva nesta quinta-feira (16) - FOTO: HEUDES REGIS/SEI
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Em coletiva de imprensa na tarde desta quinta-feira (16), o secretário de Saúde de Pernambuco, André Longo, declara que o Estado continuará a vacinar contra covid-19 adolescentes entre 12 e 17 anos com Pfizer. O depoimento de Longo vem logo após o Ministério da Saúde ter recuado e tirado essa faixa etária (sem comorbidades) da lista de imunização contra a doença. Em vários momentos da coletiva, o secretário criticou a postura do ministério, que pegou os municípios e Estados de surpresa ao anunciar a suspensão da vacinação desse grupo. 

Leia também: Anvisa diz que não há evidências para alterar recomendações de uso da Pfizer em adolescentes

O ministério mencionou que os benefícios da vacinação em adolescentes sem comorbidades ainda não estão claramente definidos e que a Organização Mundial de Saúde (OMS) não recomenda imunização de adolescentes com ou sem comorbidades. A OMS, entretanto, não chegou a afirmar que a vacinação dessa faixa etária não deveria ser realizada. Em junho, a entidade apenas salientou que, neste momento, a vacinação de adolescentes entre 12 e 17 anos não é prioritária, já que seria necessário imunizar completamente todos os adultos, antes de baixar a idade. 

"Pernambuco e vários outros Estados vão continuar com o processo de vacinação. Vamos reunir o nosso comitê técnico de imunizações e aguardar a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que foi provocada pelo Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde) e Conasems (Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde). E essa atitude, de solicitar a posição da Anvisa, deveria ter sido tomada pelo próprio Ministério da Saúde", frisou André Longo. Ele lamentou o fato de a pasta ter feito a suspensão da vacinação dos adolescentes sem comorbidades de forma apressada. "Isso gera intranquilidade. Vários Estados estão até revoltados com esta postura inicial, levada a público hoje, pelo ministério."

Para o secretário, a pasta deveria ter discutido o tema em reunião tripartite e ouvido a câmara técnica do Programa Nacional de Imunizações (PNI) e submeter as informações sobre a vacinação à Anvisa, órgão que autorizou, no Brasil, o uso de Pfizer no público de 12 a 17 anos, sem e com comorbidades. "Caso a Anvisa se manifeste contrária a essa posição (de vacinar adolescentes sem doenças preexistentes), nós vamos ter uma referência técnica para seguir. Mas até agora, como não há manifestação da Anvisa, Pernambuco e outros Estados continuam com a imunização)", frisou Longo. 

Atualmente, apenas a vacina da Pfizer tem autorização da Anvisa para uso em adolescentes a partir de 12 anos. No Estado, 185.137 moradores de 12 a 17 anos já receberam aplicação da primeira dose, o que corresponde a 17% das 1.087.269 pessoas dessa faixa etária em Pernambuco. Até o momento, segundo a Secretaria Estadual de Saúde, não há relatos de efeitos adversos graves, provocados pela imunização contra covid-19, nesse grupo. 

Ainda durante a coletiva de imprensa, o médico Eduardo Jorge da Fonseca Lima, integrante dos comitês de vacinação contra o coronavírus no Recife e em Pernambuco, assegurou que a vacina da Pfizer é segura e necessária para todos os adolescentes. "A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e a Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim) continuam a recomendar a aplicação de Pfizer a essa faixa etária, nos cenários em que houver dose disponível, sem prejudicar a finalização dos esquemas vacinais em adultos e a aplicação da terceira dose em idosos neste momento", esclareceu Eduardo Jorge. 

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