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Pernambuco tem menor índice de atividades turísticas do Brasil em agosto

Ceará e Bahia despontaram no Nordeste

Mona Lisa Dourado
Mona Lisa Dourado
Publicado em 14/10/2020 às 12:57
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BOBBY FABISAK/JC IMAGEM
LAZER Taxa negativa é pressionada, também, pela queda na receita de empresas do ramo hoteleiro - FOTO: BOBBY FABISAK/JC IMAGEM
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Pernambuco teve o menor índice de atividades turísticas em agosto entre as 12 unidades da Federação pesquisadas pelo IBGE no Brasil. 

Apesar do processo de retomada do setor, em especial nas praias e destinos que privilegiam natureza, o índice teve alta de apenas 12,7% em agosto, contra 19,3% da média nacional. Os dados são da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), divulgada nesta quarta-feira (14).

Quando se compara a outros Estados do Nordeste, a diferença é ainda maior. No Ceará, que registrou o melhor desempenho do País, o crescimento foi de 85,4%, enquanto na Bahia atingiu 48,4%. 

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Mesmo abaixo das outras unidades da federação, o número de agosto foi o segundo melhor desde o início da série histórica, iniciada em janeiro de 2011, atrás apenas de julho (22,2%), quando Pernambuco foi a localidade com maior aumento na atividade turística. 

De qualquer forma, a retomada do turismo no Estado - que teve início em  julho, com a reabertura dos grandes hotéis - parece ter tido uma arrancada menos intensa que a dos Estados vizinhos. Ceará e Bahia só começaram a reabrir a economia depois de Pernambuco, o que está refletido nos percentuais de agosto. 

Assim como ocorre com os demais segmentos de serviços, a PMS revela que o turismo pernambucano ainda está distante de repor as perdas sofridas ao longo da pandemia da covid-19.

Na avaliação do desempenho de Pernambuco entre agosto de 2020 e o mesmo mês do ano passado, a queda é de 54,5%. No Brasil, a redução é menos intensa: -44,5%. “O setor é pressionado principalmente pelas restrições em restaurantes, hotéis e agências de viagens”, pontua a gerente de planejamento e gestão do IBGE em Pernambuco, Fernanda Estelita.

A diferença é menor no que se refere às variações acumuladas no ano e em 12 meses. Enquanto a primeira teve uma retração de 43,2% em Pernambuco, a média nacional foi de -38,8%. Nos últimos 12 meses, a variação foi de -29,4% no Estado e de -24,4% no País.

SERVIÇOS EM GERAL

O volume de serviços em geral cresceu 3,5% em agosto em Pernambuco, na comparação com o mês anterior, quarto mês seguido de alta desde o início da pandemia. No entanto, esse aumento foi menor do que o registrado em junho (5,7%) e julho (4,7%). Assim, o resultado não foi suficiente para recuperar as perdas: em agosto, o setor de serviços esteve 13,3% abaixo do patamar de fevereiro. 

Com os números da PMS de agosto, Pernambuco fica em 11º lugar nacional no aumento do volume de serviços, atrás de outros estados do Nordeste, como Paraíba, Piauí, Maranhão e Ceará. Mesmo com a desaceleração da recuperação do setor frente aos dois meses anteriores, o estado conseguiu ter índices superiores à média brasileira, que foi de 2,9%.

A lentidão na recuperação do setor de serviços é expressa no confronto entre os índices de agosto de 2020 e o mesmo período do ano passado, com retração de -16,4%, a sexta queda seguida e o oitavo pior desempenho do país. A redução também foi maior do que a média nacional, de -10%. Esta também é a sexta taxa negativa seguida desde fevereiro, último mês em que os índices pernambucanos foram positivos (0,8%). A esse resultado, se seguiram quedas também nos meses de março (-5,4%), abril (-27,1%), maio (-29%), junho (-23%) e julho (-18,8%), além de agosto.

No acumulado do ano, a PMS também detectou uma redução no volume de serviços mais acentuada do que a média nacional. O segmento, em Pernambuco, teve retração de -14,4%, enquanto, no Brasil, a queda foi de -9%. O mesmo ocorreu no acumulado dos últimos 12 meses, em que o índice marcou – 9,8% em PE, o sexto mais baixo do país, contra -5,3% a nível nacional.

No mês de agosto, o segmento Outros serviços (-4,2%), como compra, venda e aluguel de imóveis, atividades de apoio à agricultura, à pecuária e gestão de resíduos sólidos registrou um aumento de 14,3% em relação ao mesmo período do ano passado. É a primeira vez desde o início das medidas de distanciamento social, em março, que uma das cinco atividade de serviços pesquisadas pelo IBGE apresenta números positivos em Pernambuco. Este também é o primeiro aumento do setor no ano.

Assim como ocorreu nos outros meses do ano, os serviços prestados às famílias tiveram o pior desempenho em agosto, chegando a -58,5% de redução em comparação ao mesmo mês de 2019. Essa atividade, que inclui 23 tipos de serviços, como hotéis, bares, restaurantes, salões de beleza, espetáculos de artes cênicas e atividades esportivas em geral, já havia amargado retrações significativas em abril (-74,9%), maio (-71%), junho (-69%) e julho (-66,2%). O setor também têm os índices mais desfavoráveis tanto na variação acumulado do ano (-48,9%) quando na variação acumulada dos últimos 12 meses (-35,9%).

A segunda redução mais expressiva, de -16,4% entre agosto deste ano e o mesmo mês do ano passado, ocorreu no setor de serviços profissionais, administrativos e complementares, que incluem, por exemplo, seleção de mão de obra, atividades jurídicas e alugueis não imobiliários, como locação de veículos. Transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio vêm em seguida, com –11,7%, acompanhado pelos serviços de informação e comunicação (-6,7%), que englobam serviços de telecomunicações e de tecnologia da informação.

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Número ainda não reflete movimentação dos feriados de 7 de Setembro e 12 de Outubro - FOTO:BOBBY FABISAK/JC IMAGEM

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