CULTURA

Minorias 'devem buscar seus patrocínios', diz Regina Duarte sobre incentivos à cultura

A nova secretária de Cultura do governo Jair Bolsonaro tomou posse na última quarta-feira (4)

Katarina Moraes
Katarina Moraes
Publicado em 09/03/2020 às 7:07
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Foto: TV Globo/Reprodução
A volta de Mantovani ao cargo foi entendida internamente no governo como uma sinalização de que o prazo da atriz na pasta está prestes a vencer - FOTO: Foto: TV Globo/Reprodução
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Dias após ter tomado posse como secretária de Cultura do governo Jair Bolsonaro, a atriz Regina Duarte concedeu entrevista ao Fantástico, da TV Globo, e defendeu que todas as minorias têm espaço para se expressar, mas que devem procurar patrocínios na sociedade civil para isto. O programa foi veiculado nesse domingo (8).

A declaração veio após o repórter Ernesto Paglia questioná-la sobre a existência de um movimento conservador que tentaria coibir determinadas formas de expressão artística, e de que forma sua pasta atuaria nestas situações.

A resposta de Regina foi de que “o dinheiro público deve ser usado de acordo com algumas diretrizes importantes, porque é o que população que elegeu esse governo [Bolsonaro] espera dele.”

Além disso, a dirigente de Cultura complementou que o governo Bolsonaro “governa pra todos” e que “todos estão livres para se expressar”. No entanto, ela acredita que devem ser buscados “patrocínios na sociedade civil”.

“Governa pra todos. E todos estão livres pra se expressar. Contanto que busquem seus patrocínios na sociedade civil. Você não vai fazer filme pra agradar a minoria com dinheiro público.”.
Regina Duarte

A “namoradinha do Brasil” também falou sobre os desafios à frente da pasta, as pressões que sofreu nos últimos dias e as polêmicas entre o governo e a classe artística.

Ditadura

O repórter também questionou a secretária sobre possíveis flertes de Bolsonaro com o período da Ditadura Militar no Brasil, e perguntou se ela sente desconforto com a admiração;

Em resposta, ela diz estar "vivendo a história do país do jeito que ela vem", porque a história anda.

"Não. Eu tô vivendo a história do meu país do jeito que ela vem. Porque a história ela é... Ela anda", defendeu. "Eu acho que pra trás não existe, ninguém vive olhando pro retrovisor. Vamos ficar no presente e vamos olhar pra frente".

Prioridades

Regina afirmou que já existem diversas pautas positivas em prioridade, e que lamenta ter perdido tempo desfazendo intrigas, fake news e acusações.

A atriz acredita que a Lei Rouanet, política de incentivos fiscais que possibilita empresas e cidadãos aplicarem uma parte do Imposto de Renda devido em ações culturais, precisa de mudanças.

"Eu acho que a Lei Rouanet precisa de alguns ajustes e estamos pensando nisso seriamente. Porque eu acho que ela pode ser mais democratizada, o bolo pode ser repartido em fatias mais equilibradas, mais justas, pra todo fazedor de cultura, de arte", defende.

Repercussão

Nas redes sociais, a entrevista com a nova secretária deu o que falar. Cineastas e opositores ao governo Bolsonaro criticaram a posição de Regina sobre os assuntos abordados.

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