Música

1 ano de 'Nossa História': Os bastidores da estreia de Sandy e Junior no Recife

O JC conta o que aconteceu por trás do início da turnê comemorativa dos irmãos em 2019, que começou na capital pernambucana

Robson Gomes
Robson Gomes
Publicado em 12/07/2020 às 7:12
BRENDA ALCÂNTARA/JC IMAGEM
Recife foi a primeira cidade a receber o show 'Nossa História'. Turnê se tornou a segunda mais lucrativa do mundo em 2019. - FOTO: BRENDA ALCÂNTARA/JC IMAGEM
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O dia 12 de junho de 2019 foi uma data especial para cerca de 12 mil pessoas que lotaram o Classic Hall, em Olinda. Há um ano, Pernambuco presenciou o nascimento da turnê Nossa História, da dupla Sandy e Junior. Era o primeiro dos 18 shows que circularam o Brasil e ainda, dois países mundo afora, até novembro do ano passado, e que faria história na música brasileira. Mas antes mesmo das luzes da casa de shows se apagarem às 21h37 daquele dia para dar o início ao espetáculo que finalizava uma espera de 12 anos pela "volta temporária" dos irmãos de Campinas aos palcos, muita coisa tinha acontecido nos bastidores dias, meses e até poucos anos atrás.

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Segundo registros mostrados na série documental Sandy e Junior - A História, lançada na última sexta-feira (10) na plataforma de streaming Globoplay - e que terá exibido neste domingo (12), na TV Globo, seu primeiro episódio após o Tamanho Família - a "turnê comemorativa de 30 anos" de 2019 foi acertada no ano anterior. Um movimento, inclusive, que estava sendo articulado anos atrás, de acordo com o baixista da turnê Nossa História, Dudinha Lima.

Grande amigo de Junior Lima, Dudinha tocou na Banda Sandy e Junior nas três últimas turnês da dupla, que se separou em 2007. "O Juninho me convidou quando ia ter a turnê de 25 anos, quando chegaram a cogitar, e aí virou a turnê de 30 anos de carreira. Eu já estava dentro há bastante tempo a convite dele", conta o músico ao Jornal do Commercio.

Quando a série de shows foi definida em 2018, começaram as negociações para os locais da turnê. Não demorou para que Recife fosse cogitada como um dos locais de Nossa História, quando ainda nem tinha formato definido. "Soubemos pouco depois da primeira ideia do projeto e logo surgiu a conversa da produção dos artistas com a Luan Promoções. No passado, a Luan Promoções era responsável por cuidar da agenda de shows da dupla em várias cidades do Nordeste. Então, devido ao entrosamento e ao histórico de sucesso dos eventos realizados anteriormente, a negociação fluiu com facilidade", conta Thiago Nóbrega, diretor do Classic Hall e da Luan Promoções.

Com tudo sendo articulado e negociado sob forte esquema de confidencialidade, as primeiras informações sobre um possível reencontro da dupla começaram a "vazar" no final de janeiro de 2019. Mas os irmãos marcaram uma "conversa" com o público dois meses depois, em março. Nesse meio tempo, o burburinho chegou aos ouvidos do guitarrista Gui Fonseca, outro amigo de Junior, que tocou com a dupla antes da separação, e hoje mora em Houston, nos Estados Unidos.

"Um dia mandei um WhatsApp para o Junior perguntando sobre a volta da dupla, porque todo mundo estava me ligando, perguntando se eles iam voltar e se eu ia participar. Falei direto com ele para perguntar o que estava acontecendo. Ele confirmou, disse que era super sigiloso por causa dos contratantes e patrocinadores. Mas falou que haveria uma turnê curta, comemorativa, e me explicou tudo. Falou que queria muito trazer o time que fez parte da 'nossa história'. Ele perguntou se eu queria passar três meses no Brasil - que acabou sendo seis - prometendo ser uma coisa curta, com hora para começar e para acabar. Aí minha vida pirou", relembrou Gui.

Na banda de seis músicos que acompanhou Sandy e Junior no Nossa História, também estava o guitarrista Edu Tedeschi, que era integrante da banda de Sandy na carreira solo. Ele também relembra a chegada ao projeto: "O Lucas [Lima, diretor musical do show e marido de Sandy] foi me avisando conforme as coisas avançavam. Primeiro fui chamado para a banda que tocou na primeira aparição dos dois, num evento fechado, e no Caldeirão do Huck. Depois fizemos o especial no Altas Horas. Quando ele me "convocou" oficialmente pra turnê, a sensação foi tipo convocação de seleção mesmo, bem emocionante! Tive a sorte de fazer parte de todas as etapas".

Banda formada, os músicos se reuniram no Santo Som Estúdios, em Campinas, com Lucas Lima para passar o repertório, escolhido a dedo por Sandy, Junior e a equipe, além de pesquisas feitas com fãs. Em junho, uma estrutura completa do show - dirigido por Raoni Carneiro - foi montada em uma fazenda dos irmãos em Jaguariúna, também no interior de São Paulo, para fazerem os ensaios gerais. A estrutura no Recife começou a ser montada no Classic Hall seis dias antes da estreia.

"As curiosidades não se resumem ao dia 12 e sim a toda a semana do evento. Tínhamos uma operação do dia a ser montada enquanto acontecia a Fenearte [no Centro de Convenções], que demandou muito estudo de logística. No dia 11, teve o grande ensaio geral, quando realmente caiu a ficha que tinha chegado a hora para toda a equipe de Sandy e Junior. Podíamos ver uma nova dupla, que antes eram ícones jovens e agora estavam novamente no palco, mas com os filhos correndo na estrutura", recorda Thiago Nóbrega.

Horas antes da estreia no Classic Hall, o staff da dupla passou por um susto. "Estávamos no final da passagem de som quando deu um problema na mesa de som. Foi surreal porque estava tudo pronto e nos minutos finais deu essa bronca. Começou uma correria porque tinha que trocar equipamento, um super problema faltando três, quatro horas pro show. Mas os caras fizeram um milagre e conseguiram fazer funcionar a mesa. De Recife ainda teve essa adrenalina extra antes de começar", relatou Dudinha Lima.

Passada a euforia do primeiro show, que terminou por volta das 23h45, teve festa nos bastidores, mais precisamente, no camarim dos músicos. "Quando saímos daquela estreia, felizes, eufóricos, fomos para o nosso camarim. Cada um abriu uma cerveja, pôs um som numa caixinha e dançamos ali como se fosse uma boate, uma danceteria. O camarim dos músicos era o mais feliz do backstage! O Junior, o Lucas, a Monica [Benini, esposa do Junior], o ballet inteiro, foi ao nosso camarim e ficamos lá conversando, curtindo, tomando uma cervejinha, curtindo com calma, com aquele certo torpor depois daquele furacão todo", completou Gui Fonseca.

PARA REVIVER A MAGIA

Olhando para 1 ano atrás, Recife foi o início daquela que seria uma das maiores turnês da música brasileira, e a segunda mais lucrativa de 2019 no mundo, perdendo apenas para Elton John, segundo ranking do jornal Washington Post. E quem quiser relembrar o Nossa História, no dia 17, a apresentação feita nos dias 12 e 13 de Outubro, no Allianz Parque, em São Paulo - com flashes dos outros shows - será lançada na íntegra na plataforma Globoplay e, posteriormente, em CD e DVD pela Universal Music. Um primeiro single deste disco ao vivo de 29 faixas, Quando Você Passa (Turu Turu), foi lançado neste domingo (12), de surpresa, nas plataformas digitais. Sem dúvida, selando uma história de orgulho para quem viveu este momento.

"Foi a realização de um sonho. Tocar em grandes estádios, para muita gente, tocar fora do País, a sensação de entregar a melhor experiência junto com a equipe, ver de perto o que é a relação dos fãs com artistas tão especiais quanto a Sandy e o Junior... Fazer parte disso foi um marco na minha carreira. Diante do que estamos passando hoje, com o distanciamento social, as lembranças ficam mais surreais. Dificilmente alguma outra turnê vai superar a Nossa História como a maior da história da música brasileira", define Edu Tedeschi.

BRENDA ALCÂNTARA/JC IMAGEM
DETALHES Para os ensaios gerais, os irmãos reproduziram a estrutura completa do show em uma de suas fazendas. Escolha dos músicos foi como a convocação de um time - FOTO:BRENDA ALCÂNTARA/JC IMAGEM

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