Áudio Vazado

Entenda a polêmica entre Sérgio Reis, Bolsonaro, o STF e um protesto dos caminhoneiros

Após vazamento de áudio, cantor estaria deprimido com repercussão de suas falas

Marília Banholzer
Marília Banholzer
Publicado em 16/08/2021 às 22:04
Deputado Sérgio Reis. Foto: PRB/Divulgação
Cantor e ex-deputado Sérgio Reis. Foto: PRB/Divulgação - FOTO: Deputado Sérgio Reis. Foto: PRB/Divulgação
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Desde o último fim de semana, o vazamento de áudio do cantor e ex-deputado Sérgio Reis tem gerado uma grande polêmica envolvendo, além do artista, o presidente Jair Bolsonaro, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e a classe caminhoneira do País.

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Nesta segunda-feira (16), segundo a coluna de Mônica Bergamo, na Folha de S. Paulo, a mulher de Sérgio Reis contou que ele ficou deprimido com a má repercussão do áudio. "Ele está muito triste e depressivo porque foi mal interpretado. Ele quer apenas ajudar a população. Está magoado demais", diz a mulher de Reis, Angela Bavini.

A confusão teve início depois que, em um áudio com cerca de 5 minutos, Sérgio Reis afirma que convocou uma paralisação de caminhoneiros para o dia 8 de setembro até que o Senado afastasse os ministros do Supremo Tribunal Federal dos cargos. As falas foram repudiadas por políticos de diferentes orientações ideológicas e os líderes dos caminhoneiros disseram que o cantor não os representa.

No domingo (15), durante entrevista ao influenciador bolsonarista Oswaldo Eustáquio, o cantor chorou, defendeu Jair Bolsonaro e disse que nunca quis agredir ninguém e nem deseja fazer isso agora. No áudio, Reis afirma: "Se em 30 dias não tirarem os caras (ministros do STF) nós vamos invadir, quebrar tudo e tirar os caras na marra. Pronto. É assim que vai ser. E a coisa tá séria."

CONTEÚDO DO ÁUDIO

No áudio, Sérgio Reis conta a um amigo que esteve em Brasília e teria se reunido com o próprio presidente Jair Bolsonaro e com militares "do Exército, da Marinha e da Aeronáutica"para falar sobre seus planos de pressionar pela aprovação do voto impresso e o pedido de impeachment dos ministros do STF. O áudio circulou na cúpula do Judiciário e também entre parlamentares e foi reproduzido pelos principais veículos de notícia.

Sérgio Reis diz ainda que é uma liderança entre os caminhoneiros e que, ao lado dos maiores produtores de soja do País, caso o pleito não fosse atendido pelo Senado em 72h, haveria uma grande greve que pararia o Brasil. Após isso, lideranças dos caminhoneiros desmentiram o cantor e negaram qualquer intenção de realizar greve em um futuro próximo. "Sérgio Reis não representa nem os artistas, quanto mais os caminhoneiros”, disse Plinio Dias, presidente do Conselho Nacional do Transporte Rodoviário de Carga (CNTRC), ao UOL.

FALAS MAL INTERPRETADAS

A esposa de Sérgio Reis afirmou que, por causa da má repercussão do áudio, o cantor teria passado mal e estaria depressivo. "O Sérgio foi induzido por pessoas que dizem estar em um movimento tranquilo. No fim, todo mundo vaza [desaparece], e sobra para ele, que é uma celebridade", diz. Ela diz ainda o caso fez com que o artista  "caísse na real" sobre o resultado de participar diretamente de movimentos como o do 7 de setembro.

Segundo ela, o cantor jamais pensou em invadir o STF e quebrar tudo. "Ele falou no impulso, mas estava conversando com um amigo", afirma Angela, contrariada porque a conversa, informal, foi divulgada nas redes sociais sem o conhecimento de Sérgio Reis.

Angela afirma que o artista se recolheu para descansar e, por orientação médica, não dará mais entrevistas nem falará com amigos, para evitar maiores aborrecimentos. "A diabetes dele subiu que é uma barbaridade", diz ela, creditando a situação ao estresse. "O Sérgio às vezes não tem noção do nome dele, do tamanho dele", segue.

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