NORDESTE

Repente agora é Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil, define Iphan

Com a decisão, Pernambuco agora soma 13 bens registrados no Livro de Registro das Formas de Expressão

Emannuel Bento
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Emannuel Bento
Publicado em 11/11/2021 às 16:32 | Atualizado em 11/11/2021 às 16:54
JAN RIBEIRO/SECUL-PE
INSTRUMENTO Mocinha de Passira, patrimônio Vivo de Pernambuco titulada graças ao concurso de 2014. - FOTO: JAN RIBEIRO/SECUL-PE
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Referência da cultura nordestina, o repetente foi registrado como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil durante a 98ª reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, vinculado ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), nesta quinta-feira (11). Os 22 conselheiros aprovaram por unanimidade o registro da manifestação cultural.

Com a decisão, Pernambuco agora soma 13 bens registrados no Livro de Registro das Formas de Expressão: Baianas de Acarajé, Feira de Caruaru, Frevo, Roda de Capoeira, Mestres de Capoeira, Maracatu Nação, Maracatu de Baque Solto, Cavalo Marinho, Teatro de Bonecos Popular do Nordeste – Mamulengos, Caboclinho, Literatura de Cordel e Ciranda do Nordeste.

Também conhecida como Cantoria, a manifestação reúne verso, rima e oração - consideradas como os pilares do repente. Os cantadores e cantadoras distribuem-se nas capitais e no interior dos estados do Nordeste e, também, nas regiões para onde houve migrações da população nordestina.

JAN RIBEIRO/SECULT-PE
Mocinha de Passira, Patrimônio Vivo de Pernambuco titulada graças ao concurso de 2014. - JAN RIBEIRO/SECULT-PE
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Mocinha de Passira, Patrimônio Vivo de Pernambuco titulada graças ao concurso de 2014. - JAN RIBEIRO/SECULT-PE
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Repentista Mocinha de Passira - JAN RIBEIRO/SECULT-PE

"Em Pernambuco, temos como uma das representantes do Repente nossa Patrimônio Vivo Mocinha de Passira. Vale destacar também que, em dezembro deste ano, o Conselho Consultivo do Iphan avaliará o pedido de registro das Matrizes do Forró, o que significa que Pernambuco pode encerrar o ano com 14 bens registrados, mostrando a força da cultura do nosso Estado", ressaltou Marcelo Canuto, presidente da Fundarpe.

"A poesia, o canto, a musicalidade, a profissão dos cantadores compõem o Repente, agora salvaguardados pelo Iphan, que terá o apoio da Secult-PE e Fundarpe na preservação deste bem cultural", destacou Gilberto Freyre Neto, secretário Estadual de Cultura.

Solicitação contou com dossiê

O pedido de registro do Repente foi formalizado no ano de 2013 pela Associação dos Cantadores Repentistas e Escritores Populares do DF e Entorno. Desde então, o Iphan, autarquia federal vinculada à Secretaria Especial da Cultura e ao Ministério do Turismo, iniciou o processo de registro, que culminou no dossiê de registro, produzido em parceria com o Departamento de Antropologia da Universidade de Brasília (UNB).

O dossiê elaborado também documenta mais de 50 modalidades de repente, dentre as quais estão os versos heptassílabos, cuja acentuação tônica obrigatória está na sétima sílaba, e decassílabos, em que o acento obrigatório está na terceira, sexta e décima sílabas de cada verso.

Ritmo de grande história

Há registros da prática do Repente desde meados do século 19 nos Estados de Pernambuco e Paraíba, conforme fontes históricas. As ocorrências mais antigas têm origem na Serra do Teixeira, na Paraíba. No início do século passado, a manifestação teve importante papel na difusão do rádio na região. Até então, a maior parte dos repentistas tinha origem rural, vivendo no interior e cantando para plateias camponesas.

Uma realidade que se transformou na década de 1950, com os cantadores se fixando nas cidades à procura de ferramentas que auxiliassem a atuação do repentista, especialmente o rádio e o correio. Aos programas radiofônicos, no decorrer das décadas de 1980 e 1990, se somaram a gravação de discos e a realização de festivais – mantendo a origem rural dos poetas. Mais recentemente, a internet se tornou mais uma ferramenta para a divulgação de cantorias e festivais.

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