REMARCAÇÃO E CANCELAMENTO

Associação Brasileira de Agências de Viagens em Pernambuco orienta agentes a minimizar custos para passageiros adiarem viagens

A orientação da ABAV é minimizar os custos para os passageiros remarcarem ou cancelarem suas viagens

Mayra Cavalcanti Carolina Fonsêca
Mayra Cavalcanti
Carolina Fonsêca
Publicado em 13/03/2020 às 17:11
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LEO MOTTA/JC IMAGEM
Coronavírus - Agência de turismo tem alto número de cancelamentos e adiamentos de viagens - FOTO: LEO MOTTA/JC IMAGEM
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O setor de viagens tem sofrido impactos por conta da pandemia de coronavírus. No Recife, quem tem viagem marcada para os próximos dias enfrenta uma corrida para adiar ou cancelar voos, reservas de hotéis, passeios. Nesta sexta-feira (13), a reportagem do Jornal do Commercio esteve em três agências de viagens, localizadas nas Zonas Norte e Oeste do Recife, e encontrou clientes refazendo planos de férias e passeios em família.

A Associação Brasileira de Agências de Viagens (ABAV) informa em seu site oficial que participou de um debate promovido pela Comissão de Transparência, Governança, Fiscalização e Controle e Defesa do Consumidor (CTFC) do Senado sobre as políticas de cancelamento e remarcação de viagens aéreas e de cruzeiros em razão da Covid-19. A recomendação da ABAV para as agências de viagem é que "sigam no esforço de fornecer informações claras, precisas e ostensivas sobre as regras de cancelamento e alterações", segundo o texto publicado. A Associação ressalta que não há indicativos de autoridades brasileiras para a restrição de mobilidade e deslocamentos no país.

Em uma das agências, localizada no bairro do Espinheiro, estava a empresária Juliana Nazário, 43 anos, que tentava cancelar a viagem programada para a próxima quarta-feira (19), para Gramado, no Rio Grande do Sul. Ela iria com as duas filhas, marido e sogra.

"O que me chamou atenção foi a recomendação dos médicos para os idosos ficarem em casa. Inicialmente, a gente pensou em cancelar a viagem da minha sogra, porque ela tem mais de 80 anos. Mas depois achamos melhor adiar para todo mundo. Eu não vou arriscar, tenho duas filhas para criar", afirma a empresária. De acordo com Juliana, devido ao destino, ela teve que pagar multas pelo adiamento.

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"O pessoal tem que ver uma maneira de não prejudicar o cliente. O motivo do cancelamento não partiu de mim, está fora do meu controle. Mas, de qualquer forma, vou sair perdendo", acrescentou. Poliana Melo, que é dona de uma agência de viagens que fica no bairro da Madalena, na Zona Oeste do Recife, comenta que acordou nesta sexta-feira com diversas mensagens de cancelamentos dos clientes. Somente nas últimas semanas, a procura por viagens caiu quase 70% na empresa.

Segundo ela, os destinos mais cancelados ou adiados são os países da Europa em geral, como França e Portugal, além dos destinos com maior quantidade de casos, como Itália, China, Coreia do Sul e Israel. "Tinha um grupo que ia viajar em julho e cancelou. Outro que ia em novembro e também cancelou. Tudo para o segundo semestre. Está todo mundo, das duas últimas semanas para cá, nesse pânico de cancelamento. Ninguém quer viajar, todo mundo quer ficar em casa recolhido", explica a empresária.

Poliana conta que o fechamento de aeroportos e de pontos turísticos e a subida do dólar também tem influenciado nas buscas por passeios internacionais. "Isto está ajudando na redução de procura. Viagens eu acho que é a primeira etapa do setor que quebra. Mas está começando a afetar os negócios também. Algumas empresas preferindo teleconferência, adiando convenções e treinamentos", finaliza.

Associação Brasileira de Agências de Viagens em Pernambuco

Segundo o presidente da Associação Brasileira das Agências de Viagens em Pernambuco, Marcelo Waked, a orientação para os agentes de viagem no Estado é tentar com os fornecedores minimizar o custo para o cliente efetuar alterações em viagens. Ele informou ainda que, na próxima terça-feira (17), haverá uma reunião com agentes, o Procon e a vigilância sanitária.

“Haverá uma reunião para esclarecer e informar sobre esse assunto. Estamos conseguindo fazer alterações até sem custo em quase 90% dos casos. Em casos de cancelamentos, pode caber alguma cobrança de taxa administrativa, em torno de 5%, mas até agora pouquíssimas empresas cobraram taxas. A maioria está fazendo alterações e cancelamentos sem custos porque sabem do que está acontecendo no mundo e, por isso, estamos marcando esta reunião. Vamos apresentar todas as possibilidades que os fornecedores estão levando para que possamos passar para os nossos clientes”, disse.

O encontro promovido pela ABRAV, com agentes de viagens, Procon e vigilância sanitária, na terça, será no hotel Marante Executive, às 9h30, em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife.

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