INFORMAL

'Não dá para esperar, temos de comer hoje', diz informal sobre coronavoucher

Auxílio emergencial para os informais aprovado pelo Congresso poderá beneficiar até 36,4 milhões de famílias, o equivalente a 55% da população brasileira

Agência Estado
Agência Estado
Publicado em 02/04/2020 às 7:28
Notícia
BOBBY FABISAK/JC IMAGEM
Segundo o Banco Mundial, alta informalidade significa limitar os recursos disponíveis para os Estados - FOTO: BOBBY FABISAK/JC IMAGEM
Leitura:

Há duas semanas, quando Kauê Mafra, de 31 anos, chegava para vender quentinhas a funcionários de um call center em São Paulo na hora do almoço, ele se preparava para entregar mais de 45 pratos prontos por dia. Com clientes fiéis, ele e o tio conseguiriam ganhar o suficiente para pagar as contas do mês.

Desde que a pandemia do novo coronavírus atingiu o País, no entanto, tudo mudou. Metade da clientela de atendentes de telemarketing passou a trabalhar de casa. Com a restrição de circulação, imposta para tentar conter o avanço da covid-19, os funcionários do comércio vizinho também deixaram de comprar o almoço com eles. A renda, que já era apertada, praticamente sumiu. "Queria ficar em casa, mas ainda não posso."

Quando pensa no auxílio emergencial de R$ 600, destinado a proteger os trabalhadores informais afetados pela quarentena, Mafra tenta não criar expectativas. "Seria mais do que bem-vindo, mas não dá para ficar esperando. O aluguel continua vencendo, a gente precisa comer hoje."

De acordo com pesquisadores do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, o auxílio emergencial para os informais aprovado pelo Congresso poderá beneficiar até 36,4 milhões de famílias, o equivalente a 55% da população brasileira.

Pelos critérios de elegibilidade que o governo estabeleceu, 59,2 milhões de brasileiros estariam aptos a receber o benefício, sendo que mais de 80% deles já fazem parte do Cadastro Único - registro de famílias de baixa renda - e 30% do total seriam beneficiários do Bolsa Família.

Uma delas é a família do carregador Mauro Santos, de 58 anos. Dono de um carrinho que usa tanto para transportar entulho quanto para recolher material reciclável pelas ruas da cidade, ele viu o cotidiano de São Paulo mudar nos últimos dias - e sua renda cair para um terço do que era antes da pandemia. "O trânsito era tão pesado, que eu tinha de tomar cuidado para desviar dos carros. Agora, dá pena de ver tudo vazio. Só me arrisco a ficar doente porque preciso."

Perto dali, a diarista Marilza Salles, de 60 anos, espera a sua vez na fila de um restaurante popular. Os almoços a R$ 1 viraram parte da rotina, agora que o trabalho foi reduzido. "Alguns patrões para quem trabalho há mais tempo continuaram me pagando, mesmo sem poder limpar as casas. Mas o dinheiro não dá. Dizem que o governo vai dar essa ajuda aí, mas é tanta gente informal, que eles não devem conhecer nem metade das famílias que precisam "

A falta de dados dos informais também preocupa os economistas. Ainda de acordo com o Ipea, a eficiência do benefício vai depender da forma como ele for implementado e uma das principais dificuldades vai ser cadastrar informais que não são inscritos no Cadastro Único, cerca de 11 milhões de pessoas - ou 18% dos potenciais beneficiários.

O engraxate José Leite, de 44 anos, não faz parte do Cadastro Único. Sem clientes para atender, ele joga cartas com um colega, enquanto espera que as coisas voltem a melhorar. "Não acho que as pessoas devam trabalhar enquanto esse vírus estiver por aí, mas o governo precisa se entender com a barriga dos meus filhos "

Assine a nova newsletter do JC e fique bem informado sobre o coronavírus

Todos os dias, de domingo a domingo, sempre às 20h, o Jornal do Commercio divulga uma nova newsletter diretamente para o seu email sobre os assuntos mais atualizados do coronavírus em Pernambuco, no Brasil e no mundo. E como faço para receber? É simples. Os interessados podem assinar esta e outras newsletters através do link jc.com.br/newsletter ou no box localizado no final das matérias.

O que é coronavírus?

Coronavírus é uma família de vírus que causam infecções respiratórias. O novo agente do coronavírus foi descoberto em 31/12/19 após casos registrados na China.Os primeiros coronavírus humanos foram isolados pela primeira vez em 1937. No entanto, foi em 1965 que o vírus foi descrito como coronavírus, em decorrência do perfil na microscopia, parecendo uma coroa.

A maioria das pessoas se infecta com os coronavírus comuns ao longo da vida, sendo as crianças pequenas mais propensas a se infectarem com o tipo mais comum do vírus. Os coronavírus mais comuns que infectam humanos são o alpha coronavírus 229E e NL63 e beta coronavírus OC43, HKU1.

Como prevenir o coronavírus?

O Ministério da Saúde orienta cuidados básicos para reduzir o risco geral de contrair ou transmitir infecções respiratórias agudas, incluindo o coronavírus. Entre as medidas estão:

  • Lavar as mãos frequentemente com água e sabonete por pelo menos 20 segundos, respeitando os 5 momentos de higienização. Se não houver água e sabonete, usar um desinfetante para as mãos à base de álcool.
  • Evitar tocar nos olhos, nariz e boca com as mãos não lavadas.
  • Evitar contato próximo com pessoas doentes.
  • Ficar em casa quando estiver doente.
  • Cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar com um lenço de papel e jogar no lixo.
  • Limpar e desinfetar objetos e superfícies tocados com freqüência.
  • Profissionais de saúde devem utilizar medidas de precaução padrão, de contato e de gotículas (mascára cirúrgica, luvas, avental não estéril e óculos de proteção).

Para a realização de procedimentos que gerem aerossolização de secreções respiratórias como intubação, aspiração de vias aéreas ou indução de escarro, deverá ser utilizado precaução por aerossóis, com uso de máscara N95.

Confira o passo a passo de como lavar as mãos de forma adequada

 

Comentários

Últimas notícias