RETOMADA

Sindicato da Construção Civil em Pernambuco diz que retorno com 50% da mão de obra é inviável

Sinduscon-PE criticou formato adotado pelo Governo do Estado para retorno das atividades do setor na próxima segunda-feira (8) com redução de pessoal e horário de trabalho diferenciado

Edilson Vieira
Edilson Vieira
Publicado em 01/06/2020 às 22:15
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Antônio Cruz/Agência Brasil
Canteiros de obras no Estado estão parados desde 23 de março afetando cerca de 40 mil trabalhadores - FOTO: Antônio Cruz/Agência Brasil
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O setor da construção civil reagiu com alívio e estranheza ao anúncio de que os canteiros de obras poderão retornar as atividades a partir da próxima segunda-feira (8). Apesar da volta às atividades serem uma reivindicação da categoria há quase dois meses, as condições impostas pelo Governo do Estado limitando em 50% o número de funcionários e com horário de trabalho restrito, entre 9h e 18h, foram consideradas inviáveis pelo segmento.

Para Érico Furtado Filho, presidente do Sinduscon-PE, a solução proposta pelo governo se mostrou inviável social e economicamente. As empresas de construção, que estão inativas desde o dia 23 de março, não teriam como manter 50% do efetivo em casa, sendo certa a demissão de cerca de 25 mil funcionários até o final do ano. “Este formato colocado pelo governo foi infeliz porque gera uma série de incertezas. Por exemplo, uma empresa que precisa de 100 homens para concluir uma obra no prazo, terá que contratar os 100 e deixar metade em casa? Ou contrata apenas 50 e quando chegar a fiscalização vai ter que demitir 25 pessoas?” Érico diz também que o horário proposto para a retomada vai de encontro a toda lógica do setor. “O trabalhador chegava às 6h30 da manhã, fora do horário de pico, tinha café da manhã fornecido pela empresa e largava às 17h, também fora do pico de demanda pelo transporte público. Agora ele vai ter que chegar bem mais tarde ao emprego, começar a trabalhar com sol forte e largar às 18h, junto com outras categorias profissionais”, questiona Érico.

O Sinduscon diz ainda que para os colaboradores que ficarão em casa, a notícia também não é boa: perderão por mais tempo os valores pagos a título de produtividade, uma vez que o salário custeado pelo Governo Federal é bem mais baixo do que eles receberiam, estando nos canteiros. Sem falar na possibilidade permanente de demissão diante do cenário. Cerca de 40 mil trabalhadores estavam empregados na construção civil no Estado antes da quarentena. Segundo o presidente do Sinduscon, só no mês de março aconteceram cerca de 3 mil demissões no setor. “Sempre houve diálogo com o governo, mas a nossa frustração é que nos escutaram mas não nos atenderam”, resumiu Érico Furtado, informando que nesta terça-feira (2) haverá uma reunião com as empresas do setor de construção e do segmento imobiliário na sede do Sinduscon para analisar a forma de retomada da atividade anunciada pelo Governo do Estado.

IMPACTO

Ricardo Essinger, presidente da Federação da Industrias de Pernambuco também fez duras críticas ao formato definido para a reabertura da construção civil no Estado. “A construção civil faz parte de uma cadeia produtiva que envolve pelo menos outros 11 setores da indústria em Pernambuco. Se a construção civil voltar com tantas restrições, esses segmentos continuarão inativos parcial ou totalmente”, diz Essinger. Um exemplo é o polo gesseiro de Araripina, no Sertão do Estado, cuja produção foi reduzida em 80%. “No Brasil inteiro a construção civil está trabalhando normalmente, com exceção do Ceará, Piauí e Pernambuco. E não tem tido problemas porque, se houvesse, os outros estados já teriam suspenso as atividades, inclusive São Paulo”, argumentou Ricardo Essinger.

Para Alexandre Valença, presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico do Estado de Pernambuco (Simmepe) a volta da obras civis irão impactar positivamente em outros setores da indústria mas não resolve outras questões. “Sem dúvida, a metalurgia que produz ferragens, indústria elétrica de componentes para a construção civil e de pisos e cerâmicas irão se beneficiar desse retorno mas o mercado ainda está bem longe da normalidade. Para que a economia volte de verdade é preciso investimento, tanto do setor privado quanto do público e nós não estamos vendo isso”. Valença também questiona como ficará o mercado com o consumo das famílias em queda. “Se as atividades não voltarem plenamente não haverá nem dinheiro nem confiança por parte dos empresários e dos consumidores”, resume.

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