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Empresários agora elogiam plano de flexibilização do Estado

Governo de Pernambuco ouviu o apelo do empresariado local e antecipou algumas datas do cronograma de reabertura da economia

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Publicado em 06/06/2020 às 1:38
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Também foi definida a volta, na quarta (10), dos atendimentos em clínicas e consultórios médicos, odontológicos, veterinários, de fisioterapia e de psicologia - FOTO: Foto: Arnaldo Carvalho/JC Imagem
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O governo de Pernambuco ouviu o apelo do empresariado local e antecipou algumas datas do cronograma de reabertura da economia. Diferentemente da segunda-feira (1º), quando o plano de convivência com a covid-19 foi apresentado e desagradou o setor produtivo e de serviços, a alteração desta sexta (6) foi bem recebida. Entre as principais mudanças está a definição da data de reabertura do comércio varejista de Centro, para o dia 15 de junho, para lojas com até 200 metros quadrados. Na primeira versão do plano, não havia uma data específica. Também foi definida a volta, na quarta (10), dos atendimentos em clínicas e consultórios médicos, odontológicos, veterinários, de fisioterapia e de psicologia. Os shoppings centers poderão dar início às vendas com coleta dos produtos nos estacionamentos e com drive thru nesta segunda-feira (8).

>> Veja as etapas do plano de reabertura do governo do Estado

>> Movimento Pró-Pernambuco quer contribuir para a retomada das atividades econômicas

 

“Durante toda essa semana continuamos a dialogar com o setor produtivo na intenção de encontrar a melhor forma de implementar nosso plano, sempre levando em consideração os eixos da entrada dos setores referentes aos impactos na saúde e também o reflexo na economia. Dessa forma, fizemos ajustes”, disse o secretário de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco, Bruno Schwambach.

“O plano do governo era científico, mas precisava do catalizador para dar fluidez e equilíbrio ao processo. Houve diálogo. Dizem que é a situação de crise que faz a humanidade evoluir. Foi isso que aconteceu, o setor privado se aproximou do setor público. Corresponsabilidade é a palavra que define o dia de hoje”, resumiu o empresário Avelar Loureiro, do setor de construção civil e que se tornou o interlocutor do Movimento o Pró-Pernambuco. O grupo reúne 40 entidades empresariais, sindicatos, incluindo a OAB representando a sociedade civil. “Quem vai retomar a economia é a demanda. Para isso, precisa reativar o comércio, o serviço, onde Pernambuco é diferenciado”, disse o empresário. Ele destacou a importância de se liberar também o serviço médico, para tirar do represamento no tratamento de saúde, “que poderia gerar pressão no curto prazo.”

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Estado também aceitou uma demanda do setor de construção civil, que poderá voltar com o horário tradicional de trabalho, de 7h às 17h, e não mais das 9h às 18h, como o governo havia divulgado anteriormente - Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil

Os empresários enfatizam que empresas estão empenhadas em cumprir as determinações e protocolos de convivência com o vírus. “Agora vai caber a todos os empresários respeitarem as normas. Vamos fazer a nossa parte, porque o governo fez a parte dele e enfrentou pressão. Alguns achavam que não deveria fazer, mas o Estado foi compreensivo, vai evitar um grande número de demissões”, disse Bernardo Peixoto, presidente do Sistema Fecomércio de Pernambuco.

O Estado também aceitou uma demanda do setor de construção civil, que poderá voltar com o horário tradicional de trabalho, de 7h às 17h, e não mais das 9h às 18h, como o governo havia divulgado anteriormente. “Nesta segunda-feira estamos flexibilizando a volta da construção civil, com 50% da carga, mas liberando o horário dessa atividades. As entidades conseguiram nos demonstrar que apenas 30% dos seus funcionário usam o sistema de transporte público. O impacto não seria tão relevante”, disse Schwambach.

Agora vai caber a todos os empresários respeitarem as normas. Vamos fazer a nossa parte, porque o governo fez a parte dele e enfrentou pressão. Alguns achavam que não deveria fazer, mas o Estado foi compreensivo, vai evitar um grande número de demissões”, disse
Bernardo Peixoto, presidente do Sistema Fecomércio de Pernambuco

No caso do comércio, os shoppings vão poder os serviços de retirada e drive thru uma semana antes do previsto, inclusive para alimentação. Já atuando com delivery, os malls podem atender os clientes no novo formato a partir desta segunda.

Nada mudou para o comércio atacadista, que vai abrir nesta segunda das 9h às 18h. Para o varejo, o governo resolveu extinguir a diferenciação entre lojas do subúrbio e do Centro. Agora, todo o comércio varejista de até 200 m² poderá retomar as atividades a partir do próximo dia 15, assim como as concessionárias, locadoras e vistoria de veículos, com 50% dos trabalhadores. “Vamos continuar o diálogo com todos os setores”, disse Shcwambach, ressaltando que a flexibilização gradual depende de análise semanal sobre a demanda no sistema de saúde e registro de número de novos casos.

SHOPPINGS

As alterações no cronograma de convivência com o coronavírus não conseguiu agradar a todos os setores. Os lojistas de shopping ainda estão preocupados com a falta de previsão para a reabertura ao público dos centros de compras. “O drive thru não muda pra alimentação, que já fazia entregas. Serve para os outros segmentos mas, mesmo assim, é insuficiente. Estamos há 90 dias parados e esse tipo de operação não sustenta uma loja”, diz o presidente da Associação dos Lojistas do RioMar, Aziz Calife Júnior.
“O que nos preocupa é que parece que estamos no meio de uma guerra política”, diz.

ALEXANDRE GONDIM/JC IMAGEM
Nos shoppings, loja realiza a venda e marca um horário junto ao cliente para a retirada dos produtos. Tudo é feito sem precisar sair do carro. - ALEXANDRE GONDIM/JC IMAGEM
 

Aziz argumenta que o benefício do governo federal, que bancou a folha de funcionários até este mês de junho, para evitar desemprego, não tem previsão de ser prorrogado “para forçar os governos estaduais a flexibilizarem”. “Esse benefício foi um tiro no pé. Se eu soubesse que o auxílio não cumpriria o prazo de fechamento, teria demitido para depois recontratar”. Ele diz que vai ser difícil pagar salários com pouco faturamento e que muitas lojas podem “não conseguir voltar”.

Para o empresário, há um contrassenso no plano do governo estadual. “Não existe nenhum grupo mais organizado que um shopping para abrir, melhor que armazém e feira livre. Os shoppings têm condição de organizar e obedecer todos os protocolos de segurança. Estão prontos para isso.”

Apesar da preocupação dos lojistas, para a administração dos shoppings, no entanto, a reabertura gradual é positiva por permitir que as operações comecem antes de duas datas importantes do varejo: o Dia dos Namorados e o São João. O superintendente do RioMar Recife, Henrique Medeiros festejou a flexibilização anunciada pelo governo. “É realmente algo a se comemorar porque vamos conseguir atuar com as vendas para o Dia dos Namorados, uma das grandes datas do varejo. Estamos com a equipe preparada e toda dinâmica de funcionamento com as especificações e cuidados visando a saúde de todos, tanto colaboradores quanto clientes”, comentou.

No sistema de coleta, a loja realiza a venda e marca um horário junto ao cliente para a retirada dos produtos. Tudo é feito sem que o cliente precise sair do carro.

Além dos shoppings que cumprem o protocolo de segurança do governo, e possuem seu próprio conjunto de regras para o convívio com o vírus, os comerciantes de rua também já dispõem de sua própria etiqueta de atendimento ao público em tempos de covid-19. “A Confederação Nacional do Comércio (CNC) tem um protocolo nacional. Além disso, a gente vai respeitar as determinações do Estado. As concessionárias de veículos vão ser abertas e seguirão um protocolo internacional. Todo o comércio já está preparado para voltar”, diz o presidente da Fecomércio, Bernardo Peixoto.

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Entre as principais mudanças está a definição da data de reabertura do comércio varejista de Centro, para o dia 15 de junho, para lojas com até 200 metros quadrados - BRUNO CAMPOS/JC IMAGEM

O presidente do Sindicato da Indústria de Construção (Sinduscon), Erico Furtado, também destaca o preparo do setor com os novos protocolos de convívio social. “Vamos voltar com 50% nesta segunda, mas já temos 30% de nossas atividades que não pararam. Pelo decreto do dia 22 de março, continuaram as obras públicas e particulares para o combate à pandemia (hospitais) e para indústria produtora de insumos de saúde e concessionárias de serviços (água, luz, telefonia...). Temos total controle sobre 23 mil trabalhadores em atividade. Agora, com os 50%, virão mais 21 mil pais de família produzir e gerar riqueza.”

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Entre as principais mudanças está a definição da data de reabertura do comércio varejista de Centro, para o dia 15 de junho, para lojas com até 200 metros quadrados - FOTO: BRUNO CAMPOS/JC IMAGEM
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Nos shoppings, loja realiza a venda e marca um horário junto ao cliente para a retirada dos produtos. Tudo é feito sem precisar sair do carro. - FOTO:ALEXANDRE GONDIM/JC IMAGEM

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