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Reabertura econômica: Governo de Pernambuco diz estar aberto a discutir ''ajustes necessários''

Empresários do movimento Pró-Pernambuco esperam discutir mudanças no plano de convivência até esta sexta-feira (5)

JC
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Publicado em 03/06/2020 às 21:03
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 BRUNO CAMPOS/JC IMAGEM
FOTO: BRUNO CAMPOS/JC IMAGEM DATA: 02.06.2020 ASSUNTO: Movimentação comércio centro do Recife - pandemia coronavírus. Comércio no centro do Recife durante a pandemia do Coronavírus - FOTO: BRUNO CAMPOS/JC IMAGEM
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Atualizada às 23h51

Representantes de 26 entidades dos mais diversos setores econômicos de Pernambuco esperam que o governo do Estado retome ainda nesta semana o diálogo para a implementação de mudanças no plano de convivência com a covid-19. Divulgado na segunda-feira (1º), o projeto, que prevê a retomada gradual das atividades econômicas em 11 etapas, foi alvo de críticas por não atender demandas levadas pelos empresários aos secretários da Fazenda, Planejamento, Desenvolvimento Econômico e Casa Civil. Através do movimento Pró-Pernambuco, essas entidades aguardam por uma reunião até esta sexta-feira (5). O governo, embora não admita a possibilidade de mudanças no plano, diz manter o diálogo “permanentemente aberto” para que ajustes possam ser feitos. Veja no fim desta matéria o cronograma detalhado de flexibilização das atividades econômicas apresentadas pelo governo de Pernambuco.

>> Conheça as 11 etapas do plano para reabertura de 100% das atividades econômicas de Pernambuco

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Resumo do plano de reabertura econômica em Pernambuco - REPRODUÇÃO

A grande preocupação dos empresários diz respeito aos prazos definidos para retomada de cada atividade. Com o escalonamento, algumas cadeias produtivas acabaram não tendo suas complementaridades respeitadas, a exemplo da indústria retomar as atividades sem que o comércio esteja aberto, demandando a produção.

“Ontem (segunda-feira) fizemos uma reunião para avaliar o plano de convivência e a frustração que ele causou no meio do setor produtivo. Os prazos são muito dilatados. Vários elos precisam ser retomados com segurança e cada setor apresentou seus protocolos com segurança ao governo do Estado, mas muitos não foram atendidos. Nossa preocupação é com desemprego, ele está crescente. A ajuda que o governo federal está dando daqui a pouco se acaba. Empresas estão falindo, muitas nem reabrirão. A questão do desemprego é seríssima. Claro, precisa pensar em cuidar da saúde das pessoa, mas também é preciso cuidar da saúde financeira, no desempregado sem dinheiro”, se queixa o presidente da Associação Pernambucana de Shoppings (Apesce) e representante do movimento Pró-Pernambuco Paulo Carneiro.

Embora admita que o governo não tem se oposto ao diálogo, Carneiro diz não entender o porquê do “descompasso” do plano, já que ele vinha sendo debatido com a colaboração do setor produtivo desde o mês de abril, mas acabou não saindo como o esperado. “Temos confiança agora de que o governo vai ter esse diálogo e poderemos aperfeiçoar o plano”, complementa Carneiro.

De acordo com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (Sdec), o plano de convivência foi produzido ao longo dos últimos dois meses pelo Comitê Socioeconômico de Enfrentamento ao coronavírus e acolheu as propostas feitas pelas categorias. “O material foi construído em diálogo constante com federações e representações empresariais, além da Consultoria Deloitte, que utilizou pesquisas de referências mundial e nacional para elaboração do plano apresentado na última segunda-feira”, afirma a secretaria em nota.

Questionada sobre alguma proposta formal de mudança no plano, a Sdec não deu uma resposta concreta, mas disse que “o diálogo segue permanentemente aberto, para que os ajustes necessários possam ser feitos durante a sua implantação.”

Plano de convivência

O plano de convivência já está em vigor mantendo em funcionamento, além dos serviços essenciais, atividades que já estavam liberadas antes do isolamento mais rígido (lockdown), findado no último dia 31. As próximas etapas preveem retomada com 50% da capacidade da construção civil e do comércio atacadista, no dia 8 de junho.

Num segundo momento, dia 15 de junho, passam a funcionar com novos protocolos serviços de beleza, shoppings - apenas com serviços de retirada de compra - e lojas de pequeno porte localizadas nos bairros. Ao todo, o plano contempla 32 atividades econômicas e depende da evolução da curva de casos da covid-19 para cumprir um cronograma que se estende até o mês de agosto.

O que muda a partir de agora?

Desta segunda-feira (1º) até o dia 8 de junho, o que já era considerado atividade essencial continua a funcionar normalmente, com avanços em alguns segmentos, por conta das restrições que haviam sido impostas durante o lockdown.

Hoje, Pernambuco está no nível 4 do plano de reabertura, introduzindo a etapa 4.1. Nela estão permitidos, além dos serviços essenciais: varejo de bairro; varejo de centro;shoppings; centros comerciais e praças de alimentação e comércio atacadista no sistema de delivery. As lojas de material de construção avançam do delivery para abertura normal da loja, seguindo protocolo de higienização e distanciamento entre os clientes.

Reabertura a partir do dia 8 de junho

Se tudo ocorrer conforme o esperado pelo governo, em relação ao avanço da doença, no dia 8 de junho, o Estado entra na etapa 4.2, liberando a construção civil e o comércio atacadista. No caso da construção, fica restrita a capacidade de operar com até 50% da capacidade no horário de 9h às 18h. O interior do Estado, segue a regra de horário, sem limitação da capacidade. No caso do comércio atacadista, segue apenas a mesma regra de horário, implantando também protocolos de higiene e distanciamento.

Reabertura no dia 15 de junho

Na etapa 4.3, no dia 15 de junho, a expectativa é liberar o funcionamento de lojas de varejo com até 200 m² em bairros e distritos. Contemplando também salões de beleza e serviços de estética, que deverão se adaptar para atender um cliente por vez, com agendamento e medidas de higienização. Nessa etapa, os shoppings centers, centros comerciais e praças de alimentação também poderão passar a oferecer serviços de retirada, além do delivery, com horário de funcionamento das 12h às 18h. Treinos de equipes de futebol também poderão ser retomados.

O que vem depois

O dia 15 de junho, é a última previsão com data estabelecida. A partir da etapa 4.4, o governo já não tem, ou pelo menos não divulgou, a previsibilidade periódica de cada segmento. Nessa etapa, serviços médicos, odontológicos e veterinários passam a poder funcionar no mesmo esquema de salões de beleza, citado anteriormente. O varejo, independentemente do tamanho da loja, poderá abrir das 9h às 18h nos bairros, e a construção civil poderá voltar à carga máxima de funcionários. Concessionárias e locadoras também ficam liberadas, seguindo novos protocolos de funcionamento.

O nível três do plano de reabertura está dividido em três etapas. Na primeira (3.1), Feira e Polo de confecção voltam às atividades com novos protocolos de funcionamento. Varejo do Centro começa a ser liberado (lojas 200m²), assim como os shoppings centers e atividades esportivas (com novos protocolos).

O governo passa então para a fase 3.2, com serviço público e serviços de escritórios com 1/3 da mão de obra. Academias voltam a abrir também nessa fase apenas piscinas e locais com prática de esportes sem contato.

Na fase 3.3, serviço público e escritórios avançam para 50% da capacidade. Varejo do Centro amplia a abertura para todas as lojas, com novos protocolos. Bares, restaurantes e lanchonetes ficam liberados a funcionar com 50% da capacidade.

Cinemas e academias

Com o fim da fase 3, o governo, também ser previsão de data, chega a fase 2. Nesse caso, fica permitida a capacidade máxima nos escritórios e serviço público. As academias operam em 50%, e teatros, cinemas e museus começa a abrir com 1/3 da capacidade.

Por fim, no nível 1, o governo passa a liberar o funcionamento de todos os setores, com novos protocolos. Ficam restritos ainda eventos esportivos, que só passam a funcionar em plena capacidade na fase 1.2.

Até lá, o Estado terá cumprido cinco fases e 11 etapas do plano de reabertura e convivência da atividade econômica com a covid-19. O governo promete estabelecer a ampliação de testagem RT-PCR e reforço no monitoramento dos casos, além da utilização de um aplicativo de tracing - Dycovid - que permitirá monitorar casos infectados e orientar população sobre riscos de contágio por proximidade. Tudo isso, como já dito, fica a depender do nosso comportamento social e da evolução da doença no Estado.

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Resumo do plano de reabertura econômica em Pernambuco - FOTO:REPRODUÇÃO

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