EMPREENDEDORISMO

Para driblar desemprego, empreendedores abrem negócio próprio na pandemia

Dados do Ministério da Economia mostram que entre 31 de março e 1º de agosto, foram registrados 593.577 microempreendedores individuais (MEI) e 85.036 Micro e Pequenas Empresas

Marcelo Aprígio
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Publicado em 21/08/2020 às 18:16 | Atualizado em 21/08/2020 às 22:02
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Aposta no empreendedorismo para seguir no mercado de trabalho mesmo durante uma pandemia do coronavírus - FOTO: ACERVO PESSOAL
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A crise econômica causada pela pandemia do novo coronavírus extinguiu mais 8,9 milhões de postos de trabalho de abril até junho deste ano, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com isso, a taxa de desemprego chegou a quase 13,3%, atingindo 12,8 milhões de brasileiros.

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Esses dados podem ficar ainda piores. Segundo um estudo recente realizado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas, que estima que uma taxa de desemprego pode chegar a 18,7% até o fim de 2020.

Diante desse cenário adverso, em que empresas suspenderam ou congelaram processos seletivos, há quem decidiu investir no empreendedorismo para seguir no mercado de trabalho mesmo durante uma pandemia do coronavírus. Dados do Ministério da Economia mostram que entre 31 de março e 1º de agosto, foram registrados 593.577 microempreendedores individuais (MEI) e 85.036 Micro e Pequenas Empresas.

Um desses empreendedores dispostos a transformar sufoco em novos negócios é Alexandre Santana, 46 anos. Por quase vinte anos ele atuou vendedor de cosmético e produtos de limpeza. Com a pandemia, entendeu que já não era viável permanecer no setor. Decidiu migrar para o comércio alimentício, e há dois meses é dono de uma soparia, no bairro do Janga, em Paulista, no Grande Recife. “Ninguém deixa de comer. É um mercado que sempre tem procura, desde que você tenha qualidade e preço”, afirma ele, contando que esse sempre foi seu sonho.

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Empreender na pandemia - Alexandre Santana - ACERVO PESSOAL

Quem também decidiu investir em um negócio próprio nesse período foi o estudante universitário Ewerton Medeiros, 24 anos. O jovem teve uma ideia de montar um negócio após a empresa que trabalhava não conseguir manter os contratos devido à crise da pandemia.“Criei uma página para divulgar os meus trabalhos artísticos, que de certa forma conseguiria ter algum tipo de renda sem precisar ficar saindo muito de casa”, disse.

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Empreender na pandemia - Ewerton Medeiros - ACERVO PESSOAL

O negócio dele ainda está em fase de teste e adequação, mas ele se diz otimista com as vendas que têm sido feitas considerando, até mesmo, uma expansão futura. “Tenho boas expectativas. Acredito que a partir dessas vendas eu consiga expandir”, pontuou.

Engana-se quem pensa que empreender durante a pandemia é uma tarefa das mais fáceis. No entanto, para o gerente regional do Sebrae no Grande Recife, Alexandre Alves, algumas dicas simples podem facilitar o processo. A primeira delas é se qualificar para a gestão da empresa. “Normalmente, as pessoas que empreendem em razão do desemprego não se preparam adequadamente e têm sério risco de atravessar problemas na administração do negócio no futuro”, comenta Alexandre. Para essas pessoas, ele lembra que o Sebrae oferece um universo de cursos que podem ser feitos à distância, muitos deles sem nenhum custo. Para ter acesso às capacitações basta acessar o site loja.pe.sebrae.com.br.

Alexandre Alves esclarece ainda que é necessário conhecer a área em que o empreendedor deseja se inserir. “Conheça o seu mercado, é mais fácil empreender dentro daquilo que você sabe fazer. É preciso também se qualificar cada vez mais para ter domínio da área ”, alerta.

Conselho parecido dá o especialista em empreendedorismo Flávio Mikami. Na avaliação dele, independentemente da época, empreender exige dedicação e estudo. “O primeiro passo é analisar o mercado e, depois, entendê-lo. Ter conhecimento sobre o mercado de atuação será o diferencial para fazê-lo dar certo ou não”, aconselha Flávio.

De olho no mercado

Além disso, ele sugere que os novos empreendedores fiquem de olho nas tendências do mercado. Algumas delas já eram observadas antes da pandemia, porém foram aceleradas neste período. “A preocupação com a saúde e o bem-estar era algo que as pessoas já buscavam e isso agora tende a aumentar. Também existe a busca por produtos e serviços sustentáveis, que envolve responsabilidade social”, afirma ele, lembrando que o consumidor está cada vez mais atento às marcas que promovem o chamado consumo verde.

Já para o consultor e especialista em Governança Corporativa da FoxPartners, Marcelo Camorim, é necessário ter a cabeça aberta para enxergar as possibilidades na dificuldade. “Existe oportunidade em todos os momentos. Na pandemia, muitos negócios cresceram, como e-commerce e delivery. A pergunta a ser feita é qual negócio abrir e se o momento é oportuno”, explicou.

Segundo ele planejamento estratégico é outra dica importante para quem deseja empreender, com ele é possível estabelecer quais metas a empresa deve alcançar. “Faz uma grande diferença colocar os pontos que são importantes para o seu negócio em uma folha de papel. Ter um guia e analisar itens como mercado, ambiente, perspectiva, produto e para quem você irá vender”, explica.

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Aposta no empreendedorismo para seguir no mercado de trabalho mesmo durante uma pandemia do coronavírus - FOTO:DIVULGAÇÃO
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ONLINE Ewerton passou a vender seus produtos depois da demissão - FOTO:ACERVO PESSOAL
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Empreender na pandemia - Alexandre Santana - FOTO:ACERVO PESSOAL

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