PROGRAMAS SOCIAIS

Mourão afirma que alta no arroz também é provocada por Auxílio Emergencial

Segundo o IBGE, as famílias voltaram a gastar mais com alimentos no mês de agosto

JC Estadão Conteúdo
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Publicado em 09/09/2020 às 13:49
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O vice-presidente disse ainda que as pessoas estão "se alimentando melhor e melhorando suas casas, essas são duas áreas onde está havendo bastante gasto". - FOTO: Reuters/Adriano Machado/Direitos Reservados
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Segundo o vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB), a elevação dos preços de alimentos da cesta básica como o arroz "é uma questão da lei da oferta e da procura" e provocada pelo dinheiro que o governo federal injetou na economia com programas sociais, como o Auxílio Emergencial, implementado por causa da pandemia do novo coronavírus.

As famílias voltaram a gastar mais com alimentos no mês de agosto. O grupo Alimentação e Bebidas saiu de um ligeiro avanço de 0,01% em julho para uma elevação de 0,78% em agosto, dentro do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O grupo contribuiu com 0,15 ponto porcentual para a taxa de 0,24% do IPCA no mês. Os alimentos para consumo no domicílio passaram de aumento de 0,14% em julho para um avanço de 1,15% em agosto.

"Uma porção de gente comprando porque o dinheiro que o governo injetou na economia foi muito acima do que as pessoas estavam acostumadas, tanto que está havendo grande compra de alimentos e de material de construção", disse Mourão, nesta quarta-feira (9), em Brasília.

O vice-presidente disse ainda que as pessoas estão "se alimentando melhor e melhorando suas casas, essas são duas áreas onde está havendo bastante gasto", acrescentou.

Mourão também foi na contramão do que apontam alguns economistas, que preveem uma tendência de continuidade de alta dos preços. Ele disse acreditar numa normalização dos preços em breve. "É um momento sazonal, daqui a pouco volta tudo ao normal", afirmou.

Exportação

A exportação de arroz também foi destacada pelo vice-presidente em suas falas. Intensificadas nos últimos meses por causa do aumento do dólar, a venda para outros países tornou-se mais atrativa para alguns produtores do que o mercado interno.

"Também estamos vendendo bastante para o mercado externo. A safra de arroz nos últimos anos, a área plantada diminuiu porque os arrozeiros tiveram muito prejuízo, o cara muda de ramo, agora eles estão replantando", disse.

Alta nos alimentos é puxada por mais exportações, câmbio e demanda, diz IBGE

 

Segundo Pedro Kislanov, gerente do Sistema Nacional de Índices de Preços do IBGE, os alimentos estão mais caros no varejo por causa do aumento nas exportações brasileiras e da alta do dólar ante o real, mas também por uma pressão da demanda doméstica, aquecida pelo pagamento do auxílio emergencial.

A alimentação para consumo no domicílio acumula um aumento de 11,39% nos 12 meses encerrados em agosto.

"Alguns alimentos estão em alta, outros estão em queda, como alho, cebola, batata. O consumidor acaba percebendo muito mais as altas que as quedas. E sua percepção de inflação depende muito da sua cesta de consumo individual. Se você é vegetariano vai sentir menos preço das carnes", disse Kislanov.

Embora o Brasil esteja colhendo uma safra recorde de grãos em 2020, alguns itens estão mais caros para o consumidor doméstico. Segundo Kislanov, o câmbio mais alto estimula as exportações e reduz a oferta de produtos no mercado doméstico.

"Essa alta nos alimentícios tem a ver com vários fatores, um deles é demanda externa, principalmente chinesa. Outro é câmbio, porque com dólar alto é interessante para o produtor exportar. E o auxílio emergencial ajudou a sustentar preços de alimentos, especialmente arroz e feijão, produtos mais básicos. Aumenta demanda também de laticínios. Mas tem alguns alimentos que estão caindo. Não é como se todos os alimentos estivessem subindo conjuntamente", justificou Kislanov. "O auxílio emergencial foi importante para sustentar a demanda por alguns produtos da cesta mais básica, e pode continuar sustentando nos próximos meses", completou.

No mês de agosto, houve pressão dos preços do tomate (12,98%), leite longa vida (4,84%), frutas (3,37%), carnes (3,33%), óleo de soja (9,48%) e arroz (3,08%). O arroz acumula uma alta de 19,25% no ano de 2020.

Por outro lado, ficaram mais baratos a cebola (-17,18%), alho (-14,16%), batata-inglesa (-12,40%) e feijão-carioca (-5,85%).

A alimentação fora do domicílio passou de uma queda de 0,29% em julho para um recuo de 0,11% em agosto. A refeição fora de casa saiu de -0,06% em julho para -0,56% em agosto, enquanto o lanche passou de -0,86% para uma alta de 0,78%.

 

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