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Bolsonaro desiste de criar o Renda Brasil; Bolsa Família seguirá

Presidente gravou vídeo em que fala ser proibido falar do Renda Brasil durante seu governo

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Publicado em 15/09/2020 às 10:28
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MARCELLO CASAL JR/AGÊNCIA BRASIL
Bolsonaro ainda afirmou que jamais irá congelar aposentadorias - FOTO: MARCELLO CASAL JR/AGÊNCIA BRASIL
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O presidente Jair Bolsonaro, sem partido, gravou um vídeo na manhã desta terça-feira (15) em que cravou a desistência de se criar o programa Renda Brasil, que garantiria uma renda mínima para pessoas de baixa renda em projeto similar ao auxílio emergencial - com um valor menor. Segundo ele, está "proibido" falar do assunto no governo dele até 2022. Ainda de acordo com o presidente, o programa Bolsa Família será mantido.

"Até 2022, no meu governo, está proibido falar sobre Renda Brasil. Vamos continuar com Bolsa Família e ponto final", disse Bolsonaro no vídeo gravado.

O presidente disse ter ficado "surpreendido" ao ler as manchetes dos jornais desta terça-feira sobre as medidas em estudo pela equipe econômica para abrir espaço no Orçamento de 2021 para bancar o novo programa assistencial, entre elas o congelamento das aposentadorias e pensões por dois anos.

A intenção era aproveitar a experiência do auxílio emergencial, que acaba no fim do ano, e criar um programa que aumentasse o valor do benefício do Bolsa Família.

Bolsonaro e a equipe econômica, porém, não conseguiram chegar a um acordo sobre os cortes em gastos do governo que deveriam ser feitos para financiar o novo programa, o que vinha deixando suspensa a criação do novo programa.

"Eu já disse, há poucas semanas, que eu jamais vou tirar dinheiro dos pobres para dar para os paupérrimos. Quem porventura vier propor para mim uma medida como essa, eu só posso dar um cartão vermelho. É gente que não tem o mínimo de coração, o mínimo de entendimento de como vivem os aposentados do Brasil", disse o presidente.

A ideia de congelar os benefícios previdenciários (aposentadorias, pensões, auxílio doença e salário-família) por dois anos foi confirmada pelo secretário especial de Fazenda do Ministério da Economia, Waldery Rodrigues. A medida atingiria tanto quem ganha um salário mínimo (hoje, em RR$ 1.045), como quem recebe acima disso e permitiria, inclusive, benefícios menores que o piso - o que é proibido atualmente.

"A desindexação que apoiamos diretamente é a dos benefícios previdenciários para quem ganha um salário mínimo e acima de um salário mínimo, não havendo uma regra simples e direta (de correção). O benefício hoje sendo de R$ 1.300, no ano que vem, ao invés de ser corrigido pelo INPC, ele seria mantido em R$ 1.300. Não haveria redução, haveria manutenção", disse o secretário ao portal G1.

"Quero dizer a todos vocês. De onde veio? Pode ser que alguém da equipe econômica tenha falado nesse assunto, pode ser, mas por parte do governo jamais vamos congelar salário de aposentados como jamais vamos fazer com que o auxílio para idosos e pessoas com deficiência seja reduzido para qualquer coisa que seja", disse o presidente da República.

No texto que acompanha o vídeo no Facebook, Bolsonaro classifica a ideia como "um devaneio de alguém que está desconectado com a realidade".

Guedes é chamado para se explicar

O ministro da Economia, Paulo Guedes, foi convocado ao Palácio do Planalto para se explicar. Ele participaria do evento online "Painel Tele Brasil 2020", às 9h30.

Segundo a organização do evento, o ministro foi chamado para uma reunião de última hora com o presidente Jair Bolsonaro e sua fala passou para as 12 horas.

Questionada se Guedes já se encontra no Palácio do Planalto, a assessoria do ministério não soube informar onde o ministro está.

GABRIELA BILó
JUNTOS Guedes e Bolsonaro. Dois programas sancionados ontem são "praticamente" as últimas medidas - FOTO:GABRIELA BILó

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