PANDEMIA

Profissionais criticam a proibição de eventos anunciada pelo governo de Pernambuco por causa da covid-19

Trabalhadores do setor estão revoltados e indignados com a proibição que começa nesta segunda (25). A medida foi tomada para tentar conter a disseminação do coronavírus

Angela Fernanda Belfort
Angela Fernanda Belfort
Publicado em 20/01/2021 às 21:05
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HANS VON MANTEUFFEL/DIVULGAÇÃO
Presidente da Abeoc em Pernambuco, Tatiana Marques diz que associados não ficaram satisfeitos com a medida - FOTO: HANS VON MANTEUFFEL/DIVULGAÇÃO
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Os profissionais do setor receberam com revolta a proibição, pelo governo do Estado, de realizar eventos de qualquer natureza, sejam corporativos ou sociais, a partir da próxima segunda-feira (25). Válida por 30 dias, a decisão foi anunciada nesta quarta-feira (20) em entrevista coletiva dos secretários estaduais de Saúde, André Longo, e do Turismo, Rodrigo Novaes.

>> Eventos sociais e corporativos ficarão suspensos por 30 dias em Pernambuco por causa da covid-19

"É um prejuízo enorme para o setor. Ao realizar o evento não se contrata apenas quem faz o evento, mas quem vende a passagem aérea, quem cultiva as flores, o aluguel de veículos, entre outros", comentou a presidente da regional pernambucana da Associação Brasileira de Empresas de Eventos (ABEOC), Tatiana Marques. Atualmente, estava permitida a realização de eventos para até 150 pessoas.

"Estamos numa pandemia desde fevereiro do ano passado. Não foi um terremoto. Passamos 320 dias sem trabalhar na integralidade. Acabou de acontecer o Janeiro de Grandes Espetáculos com verba pública e para 150 pessoas. O sentimento do setor é de revolta e desespero", comentou Tatiana, argumentando que as pessoas que vão realizar um casamento ou evento na próxima semana já estão com todos os serviços contratados, como alimentação, a empresa de tecnologia que faz a inscrição, entre outros. Para ela, é muito difícil indicar o tamanho do prejuízo que a medida vai trazer ao setor.

A ABEOC tinha iniciado uma uma campanha nesta quarta-feira (19) para ampliar o número de participantes nos eventos. "Não somos contra os protocolos de segurança. E queremos que todas as regras sanitárias sejam respeitadas, mas em breve isso vai trazer consequências sociais por causa do desaquecimento da economia", revelou Tatiana. A estimativa é de que cerca de 50 mil pessoas trabalham com eventos em Pernambuco.

O presidente do Convention Bureau do Recife, Simão Teixeira, vê com "muita preocupação, desolamento e apreensão" a proibição da realização de eventos. "Vai paralisar toda a cadeia produtiva de novo. É difícil entender porque os eventos feitos por profissionais respeitam todos os protocolos de segurança", comentou. A indústria de eventos compra e serviços de 56 atividades diferentes. "Isso afeta a remuneração do setor e da sua cadeia de fornecedores, aumentando o desemprego", revelou ele, acrescentando que as praias, os ônibus e o metrô estão tendo demonstrações públicas de aglomerações.

EVENTO

O microempresário Diogenes Celestino, conhecido como Boysom, estava com um casamento marcado para a próxima semana. A empresa dele faz a estrutura do evento oferecendo serviços como som, iluminação, palco, luz decorativa e até um trio elétrico. "Isso reflete a irresponsabilidade que tiveram na campanha eleitoral, que não seguiu protocolos sanitários. Uma pessoa que vai fazer um evento na semana que vem já pagou tudo. A gente já tinha sido contratatado pra fazer um casamento no começo de fevereiro e agora este evento não vai mais acontecer. A noiva está com ar de doida", lamenta Diogenes, argumentando que isso traz prejuízo também para o dono do evento.

E Diogenes continuou: "Estão querendo que a gente morra de fome. Tenho colegas que estão deprimidos por causa da falta de trabalho. Tem funcionários que depende da gente". A empresa dele emprega seis pessoas e, dependendo do porte do evento, chega a contratar mais quatro a seis pessoas para atender a demanda.

CORONAVÍRUS

A proibição foi tomada na tentativa de diminuir o contágio pelo coronavírus e o seu anúncio aconteceu nesta quarta-feira (20) depois que ocorreram cenas dramáticas em Manaus, no Amazonas, e no interior do do Pará, com o sistema de saúde público esgotado e pacientes com covid-19 faleceram por falta de oxigênio.

Os casos do Coronavírus estão em alta no Estado. A Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) registrou, nesta quarta-feira (20), 1.770 casos da Covid-19. Também foram confirmados laboratorialmente 39 novos óbitos (22 masculinos e 17 femininos), registrados entre os dias 30 de novembro do ano passado e 18 deste mês.

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