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Pandemia e desemprego fazem aumentar procura por cursos técnicos e profissionalizantes em Pernambuco

Desemprego em alta, perda de renda e necessidade de entrar para o mercado de trabalho são algumas razões que explicam o aumento na procura por cursos de formação profissional

Marcelo Aprígio
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Marcelo Aprígio
Publicado em 07/02/2021 às 18:00 | Atualizado em 07/02/2021 às 18:26
Divulgação Senai
Maior complexo privado de educação profissional e de serviços tecnológicos da América Latina, o Senai, só em Pernambuco, reúne 14.003 alunos - FOTO: Divulgação Senai
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O mercado de ensino profissionalizante e técnico em todo o Brasil está movimentado, atraindo milhares de estudantes. A pressão do desemprego em alta e perda de renda motivada pela pandemia de covid-19 explicam o aumento na procura por cursos de formação profissional, cujas matrículas deram um salto diante da urgência do brasileiro de se recolocar ou de ingressar no mercado de trabalho.

Segundo o consultor de carreiras e recursos humanos Dimas Faccioli, o que se percebe é que, em períodos de pleno emprego, o trabalhador vai em busca de cursos que possam melhorar sua posição na empresa. Neste grupo entram web designer e programador, por exemplo. "O que está acontecendo agora, em períodos de desemprego, é uma maior procura por cursos de entrada".

“São cursos rápidos, práticos, com baixo valor de investimento e que em pouco tempo oferecem o diploma ao profissional, que pode começar a realizar uma atividade nova, seja para mudar de ramo, complementar a renda ou ter rendimentos trabalhando por conta na informalidade em um momento como o atual, em que empregos estão escassos”, comenta ele, afirmando que cursos voltados à área de saúde, como auxiliar de farmácia e atendente hospitalar, tiveram procura maior em função da pandemia.

DAY SANTOS/JC IMAGEM
Empresários contribuíram com recursos para conserto de respiradores dno Senai - DAY SANTOS/JC IMAGEM

Formada há 18 anos em eletrotécnica, Gleice dos Santos, de 36 anos, optou por fazer um novo curso técnico para galgar melhores postos carreira. Ela mora no Recife, e quis fazer e procurou o Senai, de olho no mercado de trabalho. Sua escolha foi pelo curso Automação Industrial, área em que percebeu sua maior aptidão. Antes de bater o martelo, contudo, ela analisou o mercado da região para identificar as oportunidades de vagas de trabalho e demanda na área.

“Quando a pandemia passar, o mercado vai apresentar muitas demandas, que só poderão ser vencidas com capacitação à altura delas. Sou eletrotécnica desde 2003, e o curso de automação me coloca num patamar mais elevado dentro da área”, conta ela, afirmando que o fortalecimento da tecnologia impõe a necessidade desta capacitação.

Como Gleice, são vários os estudantes, que, na busca por uma formação rápida capaz de funcionar como um trampolim para novos postos na carreira ou simplesmente ingressar no mercado de trabalho, são atraídos por cursos técnicos e profissionalizantes. Em função da própria conjuntura atual, formações ligadas à saúde estão em alta, como atendente de farmácia e cuidador de idoso, neste caso a legislação exige.

Outras capacitações ligadas à área de tecnologia, marketing e beleza também estão tomando o lugar de cursos como assistente administrativo, que perdeu a liderança do ranking. Aluna de Estética, no Grau Técnico, Edicleide Neres, de 39 anos, foi em busca da formação para começar a empreender.

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CURSOS TÉCNICOS Aluna de Estética, no Grau Técnico, Edicleide Neres, de 39 anos - ACERVO PESSOAL

“Sempre tive vontade de fazer um curso técnico. Mas não tinha a oportunidade de iniciar uma. Mas acabei contraindo a covid-19, parando na UTI. Aí passei a repensar a vida e o quanto poderia lutar pelo que desejo. Escolhi o Grau Técnico por ser uma Instituição conhecida e indicada por todos. Foi quando percebi que o curso poderia me abrir a possibilidade de montar o meu próprio negócio”, conta ela.

Ensino médio e técnico

A realidade de Edicleide é a mesma de muitas pessoas espalhadas pelo país. Segundo Dimas Faccioli, se comparada com a totalidade, poucos alunos que terminam o ensino médio no Brasil saem de cursos técnicos. “É um número muito abaixo da média dos nações desenvolvidas”, explica ele.

De acordo com o especialista, estima-se que em todo o país existam mais de cinco mil escolas técnicas formais, das quais cerca de 95% contam com menos de mil alunos. Ao todo, nos cursos técnicos regulados, há cerca de dois milhões de alunos no Brasil. O cálculo é de que se o País tivesse a mesma penetração dos demais países da América Latina seriam, ao menos, cinco milhões de estudantes.

Maior complexo privado de educação profissional e de serviços tecnológicos da América Latina, o Senai, só em Pernambuco, reúne 14.003 alunos e registrou em 2020 um aumento de 271% nas matrículas em cursos a distância em comparação com 2019. A quantidade alunos passou de 123 para 456 no ano passado.. “Em geral, são jovens em busca do primeiro emprego e trabalhadores à procura de recolocação”, conta a diretora de Educação do Senai Pernambuco, Carla Abigail.

GUILHERME FARIA/FIEPE
CURSOS TÉCNICOS Diretora de Educação do Senai Pernambuco, Carla Abigail - GUILHERME FARIA/FIEPE

Em 2021, até a última sexta-feira (5), as inscrições em cursos técnicos EAD para o primeiro semestre representam 38% do total de matrículas já contabilizadas no Senai. Somando o total de inscritos nas duas entradas, esse percentual sobe para 52%.

O grupo pernambucano Grau Educacional, que reúne escolas profissionalizantes e técnicas em todas as regiões do Brasil, viu seu número de alunos se multiplicar e crescer cerca de 16% de um ano para o outro. O aumento exponencial foi resultado da digitalização do negócio. “A gente viveu um ano da digitalização, da transformação digital. Vemos a tendência e a necessidade de os profissionais estarem se movimentando e atualizando o seu conhecimento. Há uma grande procura por cursos que atendem a demandas dos novos mercados”, afirma o gerente institucional da empresa, Carlos Gomes, revelando que a instituição já prepara novos cursos.

Inscrições abertas

Estão abertas até 21 de fevereiro, as inscrições para o processo seletivo do Instituto Federal de Pernambuco (IFPE). São 4.830 vagas em 97 cursos técnicos e superiores, distribuídas em 16 cidades onde há campus da instituição. Por causa da pandemia de covid-19, o vestibular no modelo tradicional não será realizado. O preenchimento das vagas se dará com a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) ou o histórico escolar do candidato. Outra novidade é que a inscrição é gratuita.

O cadastro deve ser feito no endereço cvest.ifpe.edu.br. Durante o procedimento, o estudante dever inserir a pontuação obtida nas disciplinas ou provas solicitadas, devendo assinalar se pretende concorrer às vagas ofertadas por meio da análise do histórico escolar ou pela nota do Enem (no caso dos cursos superiores). Também será necessário anexar documentos comprovatórios das notas.

Para os cursos técnicos integrados há 1.399 vagas. Nessa modalidade, o estudante cursa o técnico e o ensino médio ao mesmo tempo. A seleção vai avaliar as notas dos candidatos em português e matemática do 6º ao 8º ano do ensino fundamental.

Já nos cursos técnicos subsequentes (há apenas a formação técnica, pois o aluno já tem ensino médio completo) são 2.367 vagas. O processo seletivo vai considerar as notas do 1º e 2º anos do ensino médio também nessas duas disciplinas.

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Sempre tive vontade de fazer um curso técnico. Acabei contraindo a covid-19, parando na UTI. Passei a repensar a vida e o quanto poderia lutar pelo que desejo", diz a aluna, Edicleide Neres - FOTO:ACERVO PESSOAL
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CURSOS TÉCNICOS Diretora de Educação do Senai Pernambuco, Carla Abigail - FOTO:GUILHERME FARIA/FIEPE
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CURSOS TÉCNICOS Consultor de carreiras e recursos humanos Dimas Faccioli - FOTO:ACERVO PESSOAL
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FORMAÇÃO Cursos rápidos e com baixo valor de investimento são atraentes para qualificação profissional - FOTO:DAY SANTOS/JC IMAGEM

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