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'Foi avançado mais um passo', diz presidente da CDL sobre plano de convivência com a Covid-19 em Pernambuco

Entre os ajustes que entrarão em vigor a partir da próxima segunda-feira (26), está a alteração dos horários de funcionamento do comércio

Bruna Oliveira
Bruna Oliveira
Publicado em 22/04/2021 às 18:54
BOBBY FABISAK/JC IMAGEM
Estudo aponta que a Economia do País não está se recuperando também por conta do desemprego elevado - FOTO: BOBBY FABISAK/JC IMAGEM
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Diante do pronunciamento do governo de Pernambuco, no início da tarde desta quinta-feira (22), sobre a extensão das atuais restrições do Plano de Convivência com a Covid-19 e flexibilização da alteração dos horários de funcionamento do comércio até o dia 9 de maio, o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) do Recife, Frederico Leal, afirmou que "apesar do setor está sentindo muito, foi avançado mais um passo". Segundo o presidente, só com a vacinação a economia poderá se estabilizar.

"Temos que controlar a pandemia primeiro. Só com a vacinação e diminuição de casos é que a economia vai voltar ao normal. Temos que entender que é uma situação difícil e que o governo está, de todas as maneiras, tentando privilegiar a saúde", declarou Fred em entrevista à Rádio Jornal.

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Por meio de um pronunciamento, o governador de Pernambuco, Paulo Câmara, decretou que a partir da próxima segunda-feira (26), os estabelecimentos comerciais, nos fins de semana, terão horário estendido para fechamento, seguindo o horário optado pela abertura. Caso abram às 10h, eles podem fechar às 18h. Se abertos às 9h, o fechamento é às 17h. Anteriormente, o comércio só podia ficar aberto até as 17h.

Segundo Fred Leal, apesar da flexibilização, a situação do setor de comércio está pior em 2021 em comparação ao ano de 2020, quando o novo coronavírus começou a circular em Pernambuco. "No ano passado, o auxílio emergencial deu um fôlego à população de mais baixo nível. Além disso, as empresas tinham a opção de fazer a suspensão dos contratos dos funcionários", explicou.

Possível abertura de lojas no dia 1º de maio

Ainda durante a entrevista concedida à Rádio Jornal, o presidente da CDL disse que tem negociado com o Sindicato dos Comerciários a abertura do comércio no Dia do Trabalho, comemorado no próximo 1º de maio. A data cai em um sábado. "Ainda estamos negociando, mas estou esperançoso. Nunca um 1º de maio foi aberto", falou Fred Leal.

Sobre o Dia das Mães, o presidente disse que acredita que acredita que a movimentação irá crescer um pouco. No entanto, a expectativa maior é para o mês de junho. 

"Junho é um mês mais importante que maio, porque há festividades como São João e Dia dos Namorados. Até lá mais pessoas estarão vacinadas, então acredito que teremos um São João mais normal do que foi no ano passado", concluiu.  

Apesce

O posicionamento da Associação Pernambucana de Shopping Centers (Apesce), no entanto, é um pouco diferente do da CDL. Por meio de nota, o presidente da associação, Paulo Carneiro, disse que os altos números da pandemia no Estado exigem cuidados para evitar a propagação da covid-19. Entretanto, o avanço maior era esperado, porque, segundo a associação, os setores econômicos vêm cumprindo com os protocolos para evitar aglomerações e preservar empregos e saúde da população.

O órgão também apontou para o Dia das Mães, uma das datas mais importantes do ano para a categoria. "a população, naturalmente, vai procurar os shoppings e, desta forma, seria melhor diluir mais a frequência dos clientes", disse trecho do texto.

Com o objetivo de estender o horário até às 20h nas vésperas da data comemorativa, a Apasce afirmou que irá, então, pleitear ao governo. Segundo a associação, o setor conta com cerca de quatro mil lojistas e seus 50 mil funcionários.

Ainda de acordo com a Apasce, os shoppings estão preparados para funcionar nos horários estabelecidos, contribuindo com as autoridades através do cumprimento das medidas de segurança sanitária.

Medidas atuais

Antes mesmo do anúncio, nos corredores do Palácio do Campo das Princesas, interlocutores já apontavam que o governo estadual havia começado a “preparar o terreno” para, no mínimo, prorrogar o atual decreto. A leitura ocorreu após a gestão Paulo Câmara divulgar, no domingo (18), um estudo da Organização Panamericana de Saúde (Opas) no qual Pernambuco e a Região Nordeste registraram as menores taxas de mortalidade por covid-19 do Brasil nos 30 dias que antecederam a divulgação do levantamento.

Atualmente, o Estado passa por um período de retomada das atividades, após quarentena que teve início no dia 18 de março e seguiu até o dia 31 do mês passado. Regidas pelo Plano de Convivência com a covid-19, as atuais medidas entraram em vigor em 1º de abril, após Paulo Câmara assinar um decreto instituindo-as. Com o anúncio desta quinta, elas foram renovadas em grande medida.

Dados da pandemia

A Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) registrou, nesta quinta-feira (22), 1.202 casos da covid-19. Entre os confirmados, 74 (6%) são casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) e 1.128 (94%) são leves. Agora, Pernambuco totaliza 389.709 casos confirmados da doença, sendo 39.168 graves e 350.541 leves. Também foram confirmados 45 óbitos, ocorridos entre 01/11/2020 e 21/04/2021. Com isso, o Estado totaliza 13.425 mortes pela doença.

Na noite dessa quarta-feira (21), a Secretaria havia divulgado que que 1.610 pacientes com covid-19 estão em leitos de terapia intensiva da rede pública, atualmente, e 513 encontram-se internados em UTIs exclusivas para a doença na rede privada. Os números, diz a pasta, mostram que a taxa de ocupação desses leitos no Estado já chega a 97% nos hospitais públicos e a 85% nos privados. Com relação aos leitos de enfermaria, a SES informa que 1.249 vagas para pacientes com covid-19 estão ocupadas nos hospitais da rede pública (taxa de ocupação de 84%) e 283 (65% de ocupação) na particular.

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