INFRAESTRUTURA

Paulo Câmara volta a conversar com ministro para destravar a Ferrovia Transnordestina

O empreendimento é caro e a empresa que está à frente das obras não tem demonstrado interesse em implantar o trecho pernambucano. A parte cearense estava em obras até 2019

Angela Fernanda Belfort
Angela Fernanda Belfort
Publicado em 22/04/2021 às 18:17
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Foto: Divulgação SEI
STAFF Paulo Câmara estava acompanhado por nomes como Roberto Gusmão, presidente do Porto de Suape - FOTO: Foto: Divulgação SEI
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O governador Paulo Câmara (PSB) se reuniu na tarde desta quinta-feira (22), em Brasília, com o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, para discutir a retomada das obras da Ferrovia Transnordestina. Ele expôs ao ministro que Pernambuco avançou na obtenção dos licenciamentos das obras e nas desapropriações, e demonstrou a viabilidade da conclusão da linha até o Porto de Suape. O empreendimento é construído pela empresa privada Transnordestina Logística S.A. , uma subsidiária da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), que não vem demonstrando qualquer interesse em avançar no trecho pernambucano das obras. O País passa por uma grande crise econômica e é necessário um grande investimento para a retomada das obras.

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"A conclusão da ferrovia até Suape é uma ação estruturadora, que fará a diferença para a economia de Pernambuco por muitos anos. A obra se arrasta por décadas, e precisa ser retomada. Estamos fazendo nossa parte e viemos solicitar ao ministro apoio nesse projeto", afirmou Paulo Câmara, que estava acompanhado, na reunião, do presidente de Suape, Roberto Gusmão, do diretor de Planejamento do porto, Francisco Martins, e do deputado federal Fernando Monteiro.

 

Tarcísio de Freitas informou ao governador que o Ministério está concluindo um trabalho de reavaliação da obra, para definir alternativas. "Ainda neste semestre teremos esse resultado", garantiu. Antes, o governo federal analisava a possibilidade de cassar a concessão da empresa para a Transnordestina. A ferrovia terá 1752 km, saindo da cidade de Eliseu Martins, no Piauí, e seguindo até a cidade pernambucana de Salgueiro, onde um trecho segue para o Porto de Pecém e o outro deveria chegar até Suape.

O trecho pernambucano está abandonado pelo menos desde 2016. As obras foram iniciadas na cidade cearense de Missão Velha em 2006 com a presença do então presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva (PT). Foi construída até uma fábrica de dormentes, em Salgueiro, para fabricar este tipo de estrutura usada na ferrovia. Antes de 2016, as obras paralisaram em Pernambuco. Os trilhos e até vagões estão abandonados no Sertão.

Em 13 de novembro de 2019, o atual ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, afirmou que o trecho pernambucano seria retirado da Ferrovia. Entidades que representam os empresários em Pernambuco, como a Federação da Indústria do Estado de Pernambuco (Fiepe), declarou, várias vezes por meio dos seus porta-vozes, que o trecho pernambucano seria esquecido. Em 2019, as obras estavam sendo realizadas apenas no trecho cearense.

Cerca de 600 km foram implantados, mas em alguns trechos o trilho foi colocado sobre o barro, o que significa que pode afundar, quando colocar o trem com a carga. Quando for terminada, a ferrovia será um importante corredor de escoamento da produção de grãos e minérios para exportação e poderia levar ao sertão de Pernambuco vários insumos e combustíveis por um preço mais módico já que o trem é um modal mais barato do que o rodoviário. Isso seria muito importante também para o setor avícola do Estado.

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