DESCARBONIZAÇÃO

Cliente da Gol pode pagar pelo crédito de carbono em voos; entenda

O cliente vai bancar a compensação do carbono apoiando um projeto certificado na Amazônia a partir desta sexta-feira (5). A adesão à iniciativa é opcional

Angela Fernanda Belfort
Angela Fernanda Belfort
Publicado em 02/06/2021 às 17:32
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Algumas das aeronaves podem sair do Brasil para qualquer lugar da América Latina e Flórida sem escalas - FOTO: Foto: Divulgação
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A Gol vai passar a oferecer aos clientes a possibilidade de neutralizar a emissão de carbono gerada pelo deslocamento do consumidor, a partir desta sexta-feira (05), dentro da campanha Meu Voo Compensa - anunciada nesta quarta-feira (02) pela companhia aérea. A emissão de carbono no voo de um avião é gerada pela queima do combustível fóssil usado pela aeronave. As economias de todos os países, de um modo geral, estão adotando iniciativas para descarbonizar as suas atividades até 2050, como forma de freiar o aquecimento global - o que já é consenso entre os cientistas. "Isso não vai gerar aumento no preço da passagem. Depois da compra, o cliente vai receber um e-mail, sendo convidado a comprar o crédito de carbono. Gostaríamos que todos os clientes participassem, mas é opcional", explica o vice-presidente Comercial, de Marketing e de Clientes da Gol, Eduardo Bernardes.

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O crédito de carbono vai bancar alguma iniciativa que compense a emissão de carbono gerada naquele trecho do voo comprado pelo passageiro. Para saber quanto isso vai custar ao consumidor, Eduardo citou que a como exemplo a rota nº1, que liga os aeroportos de Congonhas, em São Paulo, ao de Santos Dumont, na cidade do Rio de Janeiro. "Nesse trecho, a compensação vai custar em torno de R$ 10", comenta Eduardo Bernardes. Este voo dura uma hora e cinco minutos, emitindo, por passageiro, cerca de 34 kg de carbono. E a passagem pode custar de R$ 99 a R$ 1.500,00, dependendo do momento em que o cliente compra a passagem. No setor, quem adquire o bilhete aéreo muito próximo da viagem, geralmente, paga mais. Já a rota Guarulhos - Salvador, que implica uma emissão de 136 kg de carbono, teria um custo médio de R$ 20 para fazer a neutralização do CO2. Os projetos florestais captam carbono da atmosfera. 

A parceira da Gol neste projeto é uma empresa chamada Moss. O usuário que concordar em fazer a compensação, será encaminhado ao site da Moss para fazer a compra da certificação. A compensação será realizada por meio do MCO2, um token verde - criado pela Moss - lastreado em blockchain, que funciona como uma cadeia de blocos com cada um deles tendo um conjunto de dados que forma uma corrente, como diz o nome. A neutralização da emissão vai apoiar projetos ambientais certificados com atuação na Amazônia. Este tipo de tecnologia, proporciona transparência e 100% de segurança às transações, segundo o fundador e CEO da Moss, Luis Felipe Adaime. No entanto, os ambientalistas criticam o uso de blockchain por gastar muita energia na mineração de milhares de dados feitas em grandes estruturas de computadores. Também é usada muita energia para manter o resfriamento desses grandes computadores.

A compensação é válida para voos nacionais e internacionais operados pela Gol. Em breve, o cliente da Gol também poderá destinar a compensação a outro projeto de reflorestamento desenvolvido na Zona da Mata mineira, pegando também um pouco do cerrado. Também em parceria com a Moss, neste projeto serão cultivadas plantas que podem produzir matéria-prima para biocombustível.

PLATAFORMA

Em 2019, por exemplo, as emissões totais de gases de efeito estufa pela Gol foram de 3,6 milhões de toneladas de CO2 equivalentes. A Gol foi uma das primeiras empresas do Brasil a fazer voos usando bioquerosene, o que evita as emissões por ser um combustível limpo. A companhia já realizou 360 voos com este tipo de combustível. "A Gol entende que a mudança climática é real. Vamos ganhar eficiência com a frota nova, mas o que vai mexer o ponteiro é a substituição do combustível fóssil pelo renovável", afirmou o comandante e assessor de projetos ambientais da Gol, Pedro Scorza. Uma parte da frota nova adquirida pela empresa  (com boeings 737-MAX) vai gastar 15% a menos de combustível, comparando com as atuais aeronaves que são os boeings 737-800, 737-700, além do 737-MAX.

A empresa está implantando iniciativas para chegar a ser zero carbono em 2050 e também tentou desenvolver uma plataforma de biocombustível em Pernambuco, mas não prosperou. "Todas as peças não se encaixaram", resumiu Scorza. Ele afirmou também que o combustível limpo "não pode ter preço de butique" e tem que ser bom para todos os players da operação. Um biocombustível muito mais caro, impactaria toda a cadeia produtiva da aviação e deixaria o serviço mais inacessível ao consumidor. A empresa também está participando para que seja feito um marco regulatório do bioquerosene de aviação no Brasil, o que é considerado fundamental para haver, a longo prazo, uma subsituição do combustível fóssil.

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