CRISE ENERGÉTICA

"Discurso igualzinho ao que fiz em 2001". Ex-ministro das Minas e Energia diz que Brasil corre, sim, risco de racionamento

Ex-ministro de Energia, José Jorge, fala das semelhanças entre o atual cenário elétrico e o que ocorreu em 2001, quando o Brasil passou por um racionamento de energia

Angela Fernanda Belfort
Angela Fernanda Belfort
Publicado em 30/06/2021 às 10:43
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ANTONIO CRUZ/ABR
O ex-ministro e ex-senador José Jorge vê semelhanças entre o atual cenário do setor elétrico e o de 2001, quando houve racionamento de energia. - FOTO: ANTONIO CRUZ/ABR
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Ex-ministro de Minas e Energia, José Jorge, disse que, provavelmente, o País corre o risco de ter racionamento de energia semelhante ao que ocorreu em 2001. A entrevista foi concedida à Radio Jornal no Passando a Limpo, comandado pelo radialista Geraldo Freire. Até agora, o governo federal diz que não há risco de racionamento. José Jorge vê semelhanças entre o atual cenário do setor elétrico e o que ocorreu em 2001, quando tanto os grandes clientes, como a indústria, e os consumidores residenciais tiveram que reduzir o consumo de energia estabelecido pelo governo federal. 

>> Governo federal vai lançar medidas para diminuir o consumo de energia

"O discurso do (atual) ministro foi igualzinho ao que eu fiz em 2001. Fui a TV e pedi para as pessoas economizarem energia", lembrou José Jorge, acrescentando que essa medida tem pouco efeito prático. Ele estava se referindo ao pronunciamento que o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, fez, na segunda (28) pedindo para as empresas e pessoas economizarem energia. 

José Jorge lembrou que percebeu "que havia risco de racionamento, porque quando assumi estava no fim do período chuvoso e os reservatórios em estado crítico. Peguei as estatísticas e pedi uma audiência com o presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC)", comentou. Ele assumiu em março de 2001. Atualmente, a área dos reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste passa pela pior estiagem dos últimos 90 anos. E essa região armazena cerca de 70% da água que pode gerar energia no País.

Segundo o ex-ministro, é difícil fazer um equilíbrio, quando a demanda por energia se aproxima da oferta, porque, entre outras coisas, a produção de energia tem que obedecer determinadas regras. Quando chega a uma situação como a atual,  "o governo tem que atuar como um todo". Em 2001, José Jorge citou que o então chefe da Casa Civil, Pedro Parente, passou a fazer parte do comitê de crise e o enfrentamento ao racionamento passou a ser a prioridade número 1 do governo federal. 

De acordo com o ex-ministro, eram realizadas conversas com a indústria, setorialmente, para estabelecer as metas de redução da economia de energia e os membros do comitê de crise passavam horas em reunião. O atual governo também criou a Câmara de Regras Excepcionais para Gestão Hidroenergética (Creg) que vai estabelecer medidas emergenciais a serem adotadas no enfrentamento à crise energética. 

Ao ser questionado se a situação está a mesma no setor elétrico comparando com 2001, José Jorge respondeu que "muita coisa foi feita", a eólica hoje tem um parque "grande, mas não foi suficiente para minimizar" uma falta de energia. 

Em 2001, mais de 90% da geração do País, dependia das hidrelétricas. Hoje, a água responde por 63% da produção de energia elétrica brasileira. As eólicas chegam a cerca de 14%.  Também há mais linhas de transmissão atualmente do que em 2001. "Na época, o Sul não entrou em racionamento, porque tinha água, estava gerando energia e não tinha como trazer a energia de lá para o Sudeste ou Nordeste", recordou José Jorge. Não era possível porque faltavam linhas de transmissão para fazer esse transporte. 

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