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Com trabalho híbrido em alta, coworkings se animam e projetam crescimento

Com modelos de trabalho mais flexíveis, os empregadores podem diminuir suas sedes e abrigar os híbridos em coworkings

Marcelo Aprígio
Marcelo Aprígio
Publicado em 22/08/2021 às 8:00
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BE.WORK/DIVULGAÇÃO
COWORKING Espaço de escritórios compartilhos Be.Work - FOTO: BE.WORK/DIVULGAÇÃO
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Nos últimos meses, a vacinação no Brasil acelerou. Atualmente, mais da metade da população tomou, pelo menos, a primeira dose do imunizante contra a covid-19. Os números de casos e mortes tiveram redução desde o pico no período entre abril e junho. Mesmo com um cenário mais positivo pela frente, trabalhadores de todo o país ainda não estão tão animados para voltar ao escritório de vez. É o que aponta a pesquisa “Esperanças e temores 2021” da PwC Brasil, uma das maiores empresas de consultoria e auditoria do mundo. Os dados animaram as empresas de coworking, que apostam que o modelo de trabalho híbrido veio para ficar e impulsionar os negócios.

De acordo com o levantamento, que ouviu 32.500 pessoas, apenas 9% dos funcionários que podem trabalhar remotamente gostariam de voltar ao escritório e 19% ficariam felizes em trabalhar sempre remotamente. Uma mistura de trabalho presencial e remoto é a preferência de 72% dos entrevistados que podem trabalhar desta forma. Esta deve ser a realidade das empresas daqui para frente, na avaliação de Vinícius Rêgo, sócio da PwC no Recife.

“Após um ano e meio de pandemia, a percepção que nós temos é de que, de fato, é possível ser produtivo e entregar muito bem o trabalho sem que você necessariamente tenha que estar fisicamente no mesmo ambiente, no mesmo espaço que os seus colegas de trabalho”, afirma o especialista em gestão. Então, eu faço a seguinte leitura: para aquelas profissões em que não há a obrigatoriedade ou a necessidade da proximidade física para realização do trabalho, o futuro é híbrido”, emenda ele.

Divulgação/Mercado Livre
Mercado Livre dobra operação no Brasil - Divulgação/Mercado Livre

O Mercado Livre vai apostar nesse modelo, mas hoje vive uma dualidade. Enquanto há mais de 6 mil colaboradores trabalhando presencialmente nos centros logísticos, a sede, em Osasco (SP), com mais de 33 mil m², está vazia. Nesse segundo caso, mesmo sem prazo para voltar, há uma certeza: o retorno será no esquema híbrido. A empresa criou um comitê para avaliar a volta e definiu que, quando tudo estiver normalizado, 50% da carga horária dos funcionários será de casa e a outra metade, na sede.

“Entre os indicadores que avaliamos para a volta está a evolução dos índices pandêmicos e de vacinação das equipes, acompanhado a partir de um formulário em que o colaborador pode informar se já foi vacinado”, diz Patrícia Monteiro, diretora de pessoas do Mercado Livre no Brasil.

Na capital pernambucana, o escritório MWC Cont, especializado em contabilidade, também vai adotar o modelo híbrido em sua rotina. Após passarem mais de um ano trabalhando de casa, funcionários da empresa, como a contadora Jacilene Barbosa, 50, voltaram a ir ao escritório, mas apenas duas vezes por semana. “A gente consegue tirar o melhor de cada um. É melhor quando você está no escritório e consegue fazer um trabalho mais focado com quem está aqui presencialmente. Quando você tem que fazer atividades analíticas, por exemplo, relatórios, estar em casa sem interrupções na maioria do tempo é melhor”, conta a profissional.

MARCELO APRÍGIO/JC
A contadora Jacilene Barbosa, 50, se divide entre escritório e um cômodo de sua casa - MARCELO APRÍGIO/JC

Apesar da perspectiva pelo trabalho híbrido e da vontade de os trabalhadores continuarem em casa, a advogada Anna Carolina Cabral, do escritório Queiroz Cavalcanti Advocacia, afirma que, a rigor, os funcionários não podem se recusar a voltar ao ambiente de trabalho se a empregador fizer tal exigência.

“A recusa do empregado em retornar ao trabalho presencial garante ao empregador uma liberdade para aplicar uma penalidade máxima, pois isso seria uma falta grave, que acabaria gerando, por reincidência, uma demissão por justa causa. É preciso que empresas e colaboradores atuem com bom senso para resolver essa questão”, explica ela, ressaltando, porém, que há exceções previstas em lei, como no caso das gestantes.

Coworkings de olho na tendência

Com modelos de trabalho mais flexíveis, os empregadores podem diminuir suas sedes e abrigar os híbridos em coworkings. Pelo menos é isso que querem as empresas do setor. Geralmente, o grande atrativo é a diminuição de custo com maquinário. A interação com outras pessoas da profissão e serviços personalizados também atraem profissionais aos novos coworkings.

BE.WORK/DIVULGAÇÃO
COWORKING Espaço de escritórios compartilhos Be.Work - BE.WORK/DIVULGAÇÃO

“O nosso setor de compartilhamento de espaços tem sentido uma melhora, principalmente, após a vacinação avançar mais rapidamente. Isso vem no bojo da nossa percepção de que há uma mudança na cultura de trabalho para uma cultura de trabalho híbrido. Com isso, o número de empresas ou profissionais autônomos que nos procuram para trabalhar uma, duas ou três vezes por semana cresceu bastante”, conta Newton Neto, co-founder da Be.Work, uma das maiores empresas do setor em Pernambuco.

“Depois do duro período que enfrentamos com a pandemia, acredito que 2022, sobretudo, será um ano muito bom para o setor com o fortalecimento do trabalho híbrido. Tanto é que a gente lançou um plano especial para essa modalidade de trabalho, que está sendo nossa grande oportunidade”, destaca o empresário.

Com os ventos mudando para os coworkings, o mercado começa a amadurecer e players de nicho começam a aparecer. Estações de trabalho compartilhadas entre colegas de profissão já são realidade aqui. Nosso ecossistema já conta com coworkings dedicados a cozinheiros, médicos, advogados e até profissionais de beleza.

O Recife, por exemplo, tem também um coworking para esse público. No Co.beauty, que fica localizado na Casa Moinho, espaço colaborativo de empreendedores locais, os profissionais alugam o espaço para fazer atendimentos, dar cursos, gravar conteúdo para mídias sociais, entre outros. Para utilizar o espaço, é necessário pagar pelo tempo de uso por hora, diária ou mensalidade.

Com informações do Estadão Conteúdo.

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