OPINIÃO

Pesquisa aponta que trabalho híbrido será permanente. Você está preparado para esse novo modelo?

Levantamento realizado em novembro de 2020 com 1.500 executivos de países como Brasil, Alemanha e França mostra que para 95% dos executivos entrevistados o modelo será definitivo

Felippe Pessoa
Felippe Pessoa
Publicado em 22/02/2021 às 9:02
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MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL
Desde março do ano passado, quando as empresas precisaram se adaptar ao home office, esse assunto vem ganhando espaço nas empresas e nas rodas de conversas dos colegas de trabalho - FOTO: MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL
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Semana passada, a consultoria Robert Half, especializada em recrutamento e seleção de profissionais, divulgou uma pesquisa, mostrando que, para 95% dos executivos entrevistados, o trabalho híbrido, com rodízio entre home office e escritório, deverá ser definitivo. A pesquisa foi realizada em novembro de 2020 com 1.500 executivos de países como Brasil, Alemanha e França.

Outro número interessante revelado pela pesquisa é o aumento de vagas oferecidas pelas empresas com opção de trabalho remoto, em relação ao período anterior a pandemia. De abril a dezembro de 2020, 80% das vagas trabalhadas pela Robert Half foram para posições 75% ou 100% remotas. Em 2019, apenas 5% tinham essa característica. E a tendência é que o número se mantenha em alta.

Desde março do ano passado, quando as empresas precisaram se adaptar ao home office, esse assunto vem ganhando espaço nas empresas e nas rodas de conversas dos colegas de trabalho. Mas agora, com a poeira baixando e as coisas se acomodando, estamos vendo o começo da consolidação de um novo modelo de trabalho.

No final das contas, todos saem ganhando. Um dos principais benefícios para os trabalhadores é o famoso worklife balance, ou seja, o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal. Com uma rotina de menos idas ao escritório, é natural dar mais atenção a família, se estressar menos com trânsito e a correria do dia a dia. Para as empresas, um dos maiores benefícios é no bolso. Os custos com os escritórios caem e os resultados tendem a melhorar.

A pesquisa também mostrou quais atividades se adaptam melhor ao trabalho remoto. E aqui não temos grandes surpresas; as ligadas a tecnologia saem na frente: e-commerce, marketing digital, engenheiros de nuvem e profissionais de redes e sistemas tendem a se adaptar com mais facilidade.

Outro dado interessante da pesquisa realizada pela Robert Half fala sobre o otimismo do brasileiro. Enquanto na média global entre sete países, 67% dos trabalhadores entrevistados estão otimistas em relação às oportunidades de carreira em 2021, no Brasil, o índice chega a 73%. 52% dos brasileiros entrevistados esperam aumento salarial esse ano, contra 57% da média global. Ainda entre os brasileiros, 58% ponderam se mudar para outra cidade, enquanto a média global é de 39%.

Sobre a mobilidade entre cidades, há um fenômeno interessante ligado ao home office: uma forte tendência de empresas nacionais e estrangeiras recrutando profissionais de cidades diversas para trabalhar 100% em casa, sem mudança física. Esse comportamento já era relativamente comum em empresas de tecnologia, em cargos de desenvolvedores, mas a pandemia acelerou a mudança em empresas e áreas mais conservadoras. No marketing digital, por exemplo, tem sido comum a contratação de profissionais em diferentes regiões para atuação remota.

Empresas americanas e portuguesas têm recrutados profissionais brasileiros de maneira mais rápida e menos burocrática, pois não dependem de vistos e mudanças. No Brasil, empresas como a XP recrutou mais de 800 funcionários fora de São Paulo para atuar remotamente. Ao abrir posições 100% remotas, as empresas conseguem atrair candidatos qualificados de qualquer lugar do Brasil e resolver lacunas críticas em determinadas áreas técnicas.

Com o mercando caminhando para o “trabalhe em qualquer lugar”, flexibilidade é essencial tanto para as empresas quanto para os profissionais. Os ambientes de negócios serão cada vez mais dinâmicos e, por isso, é preciso que sejamos adaptáveis. Uma tendência forte desse novo modelo de trabalho são as chamadas “habilidades híbridas”, ou seja, apenas habilidades técnicas ou comportamentais não serão suficientes. Cada vez mais, elas caminham juntas.

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